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fevi


Eu adorei as personificações das galinhas de enfeite. Principalmente quando ele fala que elas conversam com ele. Achei fofinho demais. As ilustrações são belíssimas também.

#BingoLitNegra #LeiaNegros

[b: Cantos Profanos|42400339|Cantos Profanos|Evando Nascimento|https://i.gr-assets.com/images/S/compressed.photo.goodreads.com/books/1540051405l/42400339._SY75_.jpg|66084360] do Evando Nascimento talvez tenha me conquistado mais que Cantos do Mundo, mas na minha cabeça parece injusto eu dar uma nota menor que essa porque por mais que os contos não tenham me arrancado suspiros todos chamaram a minha atenção porque a escrita deste homem é simplesmente maravilhosa, envolvente. Portanto, de certa forma, fiquei preso ao domínio da escrita que ele possui. É magnífico. Não tem como falar menos que isso.

Nesse livro os meus contos preferidos foram:

- Vida de Aquário;
- Leilão;
- Sopro (obra-prima);
- O oco;
- O dia em que Walter Benjamin daria aulas na USP;
- Obsessão;
-"E se comêssemos o piloto?"

#BingoLitNegra #LeiaNegros

Eu esperava um pouco mais desse livro. Mas ainda assim acredito que é bom livro. Nossa Senhora do Nilo narra a história de meninas ruandesas em um internato para meninas que farão parte do futuro político do país. O internato é a representação do grande país. A história que acontece em Nossa Senhora do Nilo e ao redor dele é uma parte menor do que acontecia longe dele.

O debate e a luta política, o colonialismo, a cultura ruandesa, o preconceito étnico-racial, a dominação católica está tudo ali. Diferente dos outros livros da autora que são de memórias essa é uma ficção que apresenta uma Ruanda antes do maior massacre. Então não vemos tantos relatos sanguinários e violentos, mas um desenvolvimento das alunas e do clima de tensão que chegaria a este momento extremo de violência.

A leitura entretém, mas para mim ficou faltando algo. Você consegue identificar cada personagem porque há características marcantes, mas senti que precisava de mais profundidade. O livro não tem uma sequência. A autora vai narrando fatos importantes e mostrando algumas conexões. Talvez esses espaços vazios foram o que faltaram para mim.

Os outros livros de Mukasonga são mais marcantes. Provavelmente por terem relatos e lembranças muito mais pesadas. Ainda assim indico este livro.

É divertido e fofo. Eu não sabia que era possível ter tanto drama por causa de um beijo não dado e hétero fã de Manu Gavassi e RuPaul's Drag Race. Nada contra só não conheço mesmo.

O único problema é são as várias referências ao mundo pop. Isso é algo que EU não gosto.

3,5

O Escaravelho dos Deus narra a história de Nick, Blair, Eddie e Cam. Cam é um extraterrestre que ajuda Nick e Blair a fecharem portais que levam pessoas a se conectarem com outros planetas por várias galáxias. Eles precisam fechá-las porque um povo que há muito tempo foi banido pode voltar para acabar com a Terra. É uma ficção científica juvenil incrível com viagem no tempo, lutas incríveis, monstros e terrores.

Eu adorei a escrita de Marianne Santiago. O livro tem uma história incrível que, com certeza, conquista os leitores com a maior facilidade do mundo. A narrativa é focada principalmente no Nick porque ele é o guardião que tem a capacidade de selar os portais. Tudo é amarradinho e gostoso de acompanhar. No entanto, seria legal se mais capítulos fossem focados nos outros personagens para criar uma variedade. Por sinal, um dos maiores problemas do livro é falta de diversidade. TODOS os principais personagens são brancos, até mesmos os alienígenas. Apesar da história ser incrível esse fator, para mim, foi relevante na hora da avaliação. Assim como, as piadinhas e comentários muitas vezes machistas do Nick sobre as personagens femininas: "garotas amam rivalidade", "garotas isso, garotas aquilo", "ela está assim porque está na TPM". Sinceramente, foi cansativo ver isso em várias partes do livro.

Eu fiquei contente em ler um livro com entretenimento de qualidade. Logo nas primeiras páginas tive a sensação de que se esse livro fosse publicado há alguns anos, com certeza, ele sairia pela coleção vaga-lume. É uma boa história apesar de não se passar no Brasil (a minha crítica é porque a autora é brasileira). Mas é instigante e me fez ir pesquisar sobre várias coisas. Fica a recomendação.

Ci, Mãe do Mato, é quem narra sobre os vários povos que aparecem em Terras Sem Males. Conhecemos um pouco sobre cada um deles enquanto preparam-se para uma guerra.

A história é boa, mas assim como o outro livro da autora que li, peca por não ser marcante. Além disso a autora fala sobre vários personagens que nem sempre são bem trabalhados ou aprofundados. É uma fantasia diferente, interessante, mas vai se perdendo com a quantidade de informações em pouco espaço.

Eu curti ler Terra Sem Males, mas gostaria que fosse tivesse menos personagens aleatórios e mais foco. Apesar de ter início, meio e fim com a quantidade de informações e personagens parece que ficou faltando algo.

ALERTA: estupro, abuso de menores, violência sionista

O azul entre o céu e a água é um livro impactante. A sua história que também serve como denúncia mostra como nem sempre temos conhecimento sobre o que passa em outros locais. Susan Abulhawa conta a história de uma família por gerações em uma Palestina sitiada pela violência de Israel. Nós seguimos Nazmiyeh e seus familiares ao longo dos anos tentando construir uma vida digna perseverante em meio há tanta desumanidade e violência.

Essa história me conquistou por dois motivos: é geracional e tem elementos mágicos durante a narrativa. Além, é claro, de passar em um local que tenho pouco conhecimento. Aprender sobre novos lugares acaba sendo uma experiência significativa. Abulhawa consegue fazer com que entremos na história de tal maneira que não tem como se apegar a todos ali. Claro que o pano de fundo de violência sionista faz com que isso seja mais fácil. Há inúmeras passagens de violência dos soldados israelitas e do Estado de Israel contra os palestinos refugiados na própria terra. É uma realidade ficcionada pela autora. O livro contém uma das passagens mais pesadas que li em toda a minha vida. É extramente repugnante. Sinceramente, poderia até ser dispensável. Apesar de entender o livro como uma denúncia e acreditar que o que foi narrado mostra a real face de Israel que muita gente insiste em não acreditar.

Apesar de toda a violência que perpetua o livro, esse não é o único tema abordado. A importância da família, o acolhimento, o amor e a relevância das mulheres é amplamente discutida e demonstrada pela autora. A cultura árabe é bem descrita ali. A questão dos imigrantes e os seus deslocamentos em países estrangeiros, a saudade de casa também é relatada.

Enfim, é um livro bonito sobre perseverança e união familiar em meio ao caos e tanta violência. Compartilhar os passos dos familiares de Nazmiyeh e aprender sobre um pouco mais sobre a cultura árabe, e o conflito iniciado por Israel contra a Palestina foi impactante. Curti muito e deixo a recomendação para aqueles que gostam de histórias sobre famílias. É um grande livro.

Esse livro começa com uma grande verborragia, mas depois que ela passa é possível adentrar na história narrada por Marta sobre a convivência dela com Beth, Carla e Maria na mesma casa. É uma relação de altos e baixos. Principalmente com Beth.

Temos um problema a história é narrada em primeira pessoa, portanto, é preciso ficar com um pé atrás sobre tudo que Marta conta. Será que o que ela está falando aconteceu de verdade. Será que Beth é tão vilã assim mesmo? Nunca se sabe.

O livro trata de vários assuntos. Amizade, feminismo, sexualidade, ditadura, violência, machismo, liberdade feminina, relações entre pessoas e paixão. O livro entretém, mas não agrada tanto. Apesar disso indico que a leitura.

A sequência de A Distância Entre Nós ganhou uma estrela a mais.

Esse livro aqueceu o meu coração um tanto mais que o primeiro. Enquanto o primeiro livro é sobre dor, violência e também sobre a estrutura de uma sociedade classista que machuca os outros, O Segredo Entre Nós é sobre amor, amizade verdadeira, luta, crescimento e boas relações.

Aqui eu me apeguei bem mais a história de Bhima e o início e concretização da sua amizade com Parvati. Bhima e Maya. Bhima e Chitra. O fato de Bhima ter que lidar com conflitos como a mudança da Mumbai que ela conhece, as relações de classe, pessoas que não acreditam nas mesmas coisas que ela e também não agem como ela é mesmo assim a trata melhor que a sua antiga patroa, faz com que o livro cresça muito. É gostoso de acompanhar e torcer pelos personagens.

No livro existe uma cidade pobre que maltrata seus personagens e também o machismo e a violência. No entanto, a força para viver, sonhar e crescer estão cada vez mais fortes e guiam as diferentes personagens femininas desse livro.

Com tantos pontos positivos acredito que a autora deixa a desejar quando não pune certo personagem do primeiro livro, mas entendo porque há uma verossimilhança pois existem criminosos que não pagam pelos seus crimes devido a honra ou qualquer outra desculpa esfarrapada que escora no machismo estrutural.

Eu amei o final do livro. Era o que estava esperando que acontecesse no primeiro. Porque gosto do amor vencendo e de história de famílias se reencontrando. Mas tenho que ponderar pois não acredito que amor seja a arma correta para lutar contra tradições que oprimem e o machismo estrutural. Mas o final feliz de uma história sempre ganha o meu coração.

Recomendo a duologia no inteiro. É uma boa história para aquecer o coração em tempos ruins. Escrita simples, mas de grande valor.

4,5

Quando li Quarto de Despejo de Carolina Maria de Jesus o impacto foi enorme. Algumas vezes me peguei chorando. Os seus relatos sobre sua sobrevivência na favela do Canindé são extremamente dolorosos, principalmente, quando ela mencionava os momentos em que ela e seus filhos passavam fome. É de partir o coração. Dói em mim que nunca passei fome. Essas dores e impactos não foram grandes em Casa de Alvenaria e fico feliz por isso. Novamente, em forma de diário, Carolina como está sendo a mudança em sua vida depois de seu primeiro livro ter sido publicado. As dores da fome e da pobreza não prevalecem mais aqui. Mas isso não que dizer que não há outros infortúnios ou chateações.

Em Casa de Alvenaria acompanhamos a ascensão de Carolina e sua família, a mudança do barraco e favela para uma casa mais acolhedora. Além dos relatos de suas viagens para divulgar o livro e o seu contato com a alta sociedade brasileira. Carolina diz inúmeras vezes que saiu do inferno e foi para o céu com o sucesso das vendas de seus livros. Ela e sua família não passa mais fome ou necessidade daquilo que é básico. Estão vivendo em ascensão. A mudança de vida da autora não tira a consciência de classe incrivelmente forte que ela possui. Em inúmeras passagens desse segundo livro é possível ver a sua preocupação para com aqueles que ainda residem nas favelas, com os trabalhadores que ganham pouco e vivem fazendo greves. Os pensamentos possuem um viés comunista. Em determinado momento a questionam sobre o seu posicionamento político, se ela era comunista, ela diz que não porque nunca leu sobre. Acredito que Carolina não precisaria afirmar-se como uma pessoa comunista, uma pessoa de esquerda. A sua vivência, o seu conhecimento sobre a vida e sobre como os políticos, os empresários e o capitalismo tratam os mais pobres sempre foram claros para ela. Ela sabia que os pobres existiam porque os mais afortunados não intercediam e, sim, exploravam os mais necessitados. Casa de Alvenaria permanece extremamente político.

Gostei muito de ler a mudança de ar de Carolina, dos seus rolês com os granfinos. Pareceu-me que ela não se sentia tão deslocada. Sempre elogiava a forma como era tratada, dos restaurantes chiques ia, das pessoas com que conversava. Além disso, ela viajou bastante com o sucesso das vendas do livro. No entanto, nem tudo foi um mar de rosas. Inúmeras vezes ela relata o cansaço depois desses momentos de alegria. Esse não era o único momento que a deixava para baixo. Ela relata que muitas pessoas iam até ela pedir dinheiro ou outras formas de ajuda. Eram valores exorbitantes. Ela estava ganhando bem, mas não tinha virado milionária. Apesar disso, ela ajudou muitos dos que a procuraram. Ela sabia que de alguma poderia ajudá-los. Outro momento que oscilava bastante seu humor era sua relação com Audálio Dantas, o jornalista que a ajudou a publicar Quarto de Despejo. Ela conta que muitas vezes sentia-se como uma escrava quando se relacionavam. Ele parecia ser o seu senhor e também não gostavam quando ele afirmava que ela gastava muito do dinheiro que ganhava. Dantas a ajudava na parte financeira de seus ganhos.

A segunda obra de Carolina Maria de Jesus tem muitos outros momentos que martelam na minha cabeça. A autora queria seguir outras carreiras, estava com medo de escrever esse livro e relatar suas experiências com os ricos, os favelados que não gostavam mais dela. Além, é claro, de todo racismo que permanece já que ela era uma mulher preta retinta. Há passagens dela sofrendo racismo aqui e também há ela agradecendo por não existir um racismo tão forte no Brasil como havia nos EUA e em outros países. Infelizmente esse pensamento, com certeza, é obra do mito da democracia racial. Os momentos de felicidade também são inúmeros a felicidade em ver os filhos bem e sem fome, o seu livro publicado e ganhando o mundo, as entrevistas que deu. Enfim, Casa de Alvenaria é uma sequência feliz, menos impactante, mas tão poderoso quanto Quarto de Despejo. É uma obra que despertou ainda mais a minha vontade de conhecer não só a obra, mas principalmente a vida Carolina. É uma obra que recomendo sem questionar.