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fevi


A provável decepção do mês. Uma personagem principal fodona que fica um porre. História arrastada pra cacete. O livro devia se chamar "A Enfermidade de Katniss". Tudo bem que participar de uma competição onde você tem que matar outras pessoas para sobreviver não deixaria qualquer pessoa normal bem, mas o livro foca só nisso dela se dar mal. Ah, o livro seria melhor se fosse narrado em terceira pessoa. #TeamPeeta

#BingoLitNegra #LeiaNegros #MulheresParaLer

Uma leitura extremamente enriquecedora. Angela Davis deixa claro que se nós quisermos uma mudança no mundo é necessário que unamos forças para lutar contra o machismo, sexismo, racismo, lgbtfobia, contra as guerras e tudo aquilo que oprime (capitalismo!!!) negros, mulheres e pessoas racializadas e pobres.

Apesar de ser um livro datado e escrito nos EUA a essência dele ainda se faz muito atual e conversa não só com a realidade brasileira, mas também com todos os negros espalhados pelo mundo. Os textos de Davis mostram que avançamos em algumas coisas, mas que em outras, indiscutivelmente, estamos retrocedendo em comparação com a década de 80.

São textos claros que mostram que a nossa luta contra a opressão precisa continuar urgentemente e sem medo. Um texto que curti bastante foi sobre a visita da Davis ao Egito para conversar com as mulheres egípcias.

Fica a recomendação.

#BingoLitNegra #LeiaNegros


Acreditei que A Escrava de Maria Firmina dos Reis iria contar mais sobre a vida de uma mulher negra, mas o texto me pareceu mais como uma mulher branca dita progressista e antiabolicionista mostrando o quanto se importa com os negros escravizados. Isso me frustou um pouco. Até porque ela tenta salvar a a mulher negra escravizada que foge do feitor, mas no final isso não acontece. Consigo compreender que era para dar um norte para o final do conto, mas não me agradou. Entretanto, depois de um início estranho curtir bastante a escrita da autora. O texto fluiu muito bem.

Eu não curti muito a editoração desse texto no e-book.

#BingoLitNegra #LeiaNegros

Eu amei a última frase desse texto. Ensinar o amor próprio para crianças pretas e mostrar exemplos magníficos sobre pessoas pretas é essencial já que a nossa sociedade insiste nos dizer o contrário.

Eu não estava dando nada pra essa história. Só estava achando os desenhos fofos quando de repente um AAAAAA QUE LINDO e depois um MEU DEUS, NÃO! Que triste!

É uma mistura de lembranças marcantes boas e não tão boas da infância.

4,5

É a primeira obra do Lima Barreto que leio. Essa edição da Cosac Naify é simplesmente incrível. O trabalho e os textos de apoio são primorosos e nos ajudam a conhecer não só um pouco do autor, mas também a conhecer um pouco mais sobre as suas intenções.

Diário de Hospício abre o conjunto dessa edição. É uma coletânea de escritos que Barreto escreveu no período em que esteve internado em um Hospital para Alienados. São relatos sobre o funcionamento dos alojamentos, dos tratamentos que recebia e como os outros internos eram tratados. Também há descrições sobre os que ali conviviam com ele não só pacientes, mas também enfermeiros, médicos e ajudantes. Lima Barreto inúmeras vezes compara o manicômio como uma prisão. Ali funciona como uma prisão por muitas vezes privar os pacientes de serem tratados como seres humanos. Apesar disso há também informações sobre como alguns médicos e enfermeiros faziam de tudo para que os internos fossem bem tratados.

Toda essa escrita me cativou bastante. É uma escrita que inspira, mas também nos faz juntamente com o que ele expõe questionar inúmeros problemas de uma sociedade problemática. Já naquele tempo ele questionava a violência policial, o desinteresse da sociedade sobre as questões humanas, os maus tratos as pessoas com problemas mentais e a exclusão delas. Um livro que foi escrito há quase cem anos ainda consegue conversar com o Brasil atual. Sinal de que estamos caminhando a passos lentos ou o pouco que conquistamos está sendo tirado da população que precisa. Prova disso é que o campo da saúde brasileira ligada a psicologia está sendo desmontada pelo governo Bolsonaro. É lamentável que mudanças positivas foram conquistadas pós-escrita de Lima Barreto esteja sofrendo com uma ingovernabilidade ignorante e com o intuito real de destruição.

Para além disso, há em Diário de Hospício, inúmeras reflexões existenciais. Barreto narra e questiona o amor quase inexistente pela mulher, a tristeza de não conseguir viver plenamente daquilo que gostava de fazer (escrever suas ficções e refletir sobre a humanidade), o medo de não seguir outro caminho mais promissor, não acreditar no seu potencial como alguém criativo. Esses questionamentos que nos é tão presente e pulsante já eram retratados há anos. Isso só me dá a certeza de que os problemas ainda são os mesmo só a sociedade e a tecnologia que muda de tempos em tempos.

Logo após os relatos da sua existência em mais de uma vez no hospital para alienados chegamos a obra ficcional inacabada baseada nesses momentos: O Cemitério dos Vivos. Preciso dizer que essa parte não me apeteceu muito por conter praticamente a mesma coisa o livro anterior. Há pouquíssimas diferenciações. Existe ali somente o necessário para introduzir os principais personagens e os seus relacionamentos. Quando Barreto começa a parte em que o personagem vai para o hospício as descrições são praticamente as mesas das suas anotações. Para mim, o Diário cumpriu o papel denunciante e questionador de toda a situação das pessoas que viviam em manicômios. Mas ali e nos textos seguintes crônicas e contos é possível captar o poder da sua escrita mesmo que tenha soado extremamente repetitivo.

Barreto é um homem instigante. Essa obra fez com que eu me interessasse mais por ele. O Barreto escritor e o Barreto homem. Tanto que irei atrás de aluma biografia que possa me mostrar mais quem foi este homem. Por fim, indico esse livro para todo mundo.

#BingoLitNegra #LeiaNegros

A prosa de Paulina Chiziane é simplesmente encantadora. Não tem como negar isso. A forma como ela constrói as suas descrições nos faz com que nos apaixonemos pelo seu texto. Foi assim com Balada de Amor ao Vendo e outros dois livros que já li da autora.

Vamos acompanhar nessa obra a história de amor entre Sarnau e Mwando que se conhecem ainda jovens, mas que acabam se separando. Ao longo disso vamos acompanhando um pouco da vida de cada um longe do outro. Sarnau casando-se com um rei e tendo uma relação de subserviência e sendo deixada de lado por causa de outra esposa do marido e Mwando sofrendo em um casamento com uma mulher mais independente que os costumes da sociedade moçambicana permitiria.

No texto de Chiziane, como em suas outras obras, podemos acompanhar um pouco sobre a cultura moçambicana, o poder do colonialismo e também a situação da mulher em uma sociedade patriarcal e convive com a cultura da poligamia. Todos esses temas são bem pontuados. É pertinente a forma como Chiziane mostra principalmente como a mulher é/foi tratada em Moçambique. O quanto a cultura patriarcal e também cultural influência negativamente nesse tratamento. No entanto, para mim, Balada de Amor ao Vento não foi tão marcante como as outras obras da autora. É um bom texto, mas com um enredo em que certas escolhas pra mim não fluíram tanto. Claro que ainda consigo admirar e me senti até mexido com algumas passagens.

As questões sobre o amor mexe muito com a gente. Fico me questionando que amor pode superar a distância, o abandono sem fundamento e a falta de acolhimento? Um amor verdadeiro supera tudo isso? A carência faz com que aceitamos qualquer coisa? Não sei. Minhas questões ainda não foram respondidas.

2,5

As analogias e metáforas não fizeram muito sentindo pra mim no começo. Tanto que imaginei que era algo de fantasia. Mas ainda assim é uma história delicada.

3,5

Byung-Chul Han analisa a sociedade por meio da violência. Ele diversa muito sobre a violência da negatividade e a violência da positividade. Na sociedade atual, de acordo com o autor, o sujeito do desempenho (eu, você ou qualquer outro indivíduo) está mais exposto a violência da positividade. O sujeito acredita que vive em liberdade. Mas o autor explica que é uma falsa liberdade porque por mais que não haja violências externas que o reprimam, esse mesmo sujeito cria a sua própria violência ao se cobrar, exigir muito de si, percorrer a necessidade de ser o melhor em tudo. O processo de violência interna é maior nesses sujeitos. Com isso acabaram gerando burnout, depressão, ansiedade e outros tipos de doenças neurodiversas.

Em alguns momentos tive certa dificuldade em entender o pensamento de Han. Foi preciso reler para conseguir captar algo. No livro ele cita muitos outros autores não só clássicos e contemporâneos para assim discordar deles e apresentar os seus posicionamentos sobre a sociedade pós-moderna. Há um ou outro conceito apresentado por Han que discordo. Talvez tenha sentindo falta de uma análise interseccional também, apesar dele falar de uma sociedade pós-moderna de maneira geral. Mas a gente sabe que há inúmeros fatores que influenciam indivíduos de maneiras diferentes.

Mas ainda acho que foi uma leitura significativa e trouxe novas luzes para pensar o modo como vivemos atualmente.

3,5

As memórias de Fernanda Montenegro é como uma homenagem a todos que construíram o teatro no Brasil. Para aqueles que viveram para fazer com que essa arte tivesse um papel na história do Brasil. Em um texto bem escrito e fluído a atriz conta um pouco sobre a chegada dos seus antepassados no Brasil e sua vivência no subúrbio do Rio de Janeiro. A maior parte do que narra após os momentos sobre sua família e a sua vivência e o seu trabalho no teatro. As partes sobre cinema e televisão são bem pequenas em comparação. Faz sentido essa divisão quando analisamos a sua carreira. A maior parte dela e, com certeza, a mais trabalhosa foi enveredada neste caminho.

Há passagens que relatam momentos importantes da história do país e como isso acabou refletindo na vida de artistas, produtores e diretores de teatro. Gostaria de ter lido mais em profundidade algumas dessas histórias. Mas há bons relatos.

Concluo a partir dessas memórias que é extremamente difícil viver de arte em um país como o nosso. Aliás, isso sempre foi um fato que todos reconhecem. No entanto, ao ler o caminho que Fernanda Montenegro percorreu tudo fica mais claro. Ela mesmo disse que foi o trabalho na televisão que a enriqueceu. O teatro mais cru talvez não seja tão valorizado ou não tem a influência e o poderio da televisão.

Esse livro é também sobre agradecimentos, até exaustivos em alguns momentos, sobre amor ao trabalho e a família, mas também a dificuldade de ser um artista. Vale a leitura.