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3,5
Eu fico aqui se pensando se ocorresse a privatização das tradições as pessoas se atentariam ao poderio do capitalismo e as inúmeras privações que passamos por causa dela. Se algum dia privatizarem o Natal no Brasil teremos uma revolução dos mais pobres, os ricos não vão reclamar porque eles vão poder comprar.
As camadas desse texto são incríveis.
Eu fico aqui se pensando se ocorresse a privatização das tradições as pessoas se atentariam ao poderio do capitalismo e as inúmeras privações que passamos por causa dela. Se algum dia privatizarem o Natal no Brasil teremos uma revolução dos mais pobres, os ricos não vão reclamar porque eles vão poder comprar.
As camadas desse texto são incríveis.
Puts! Fiquei desencantando com o Alex nesse conto. Que porre! O que eu me diverti no primeiro conto fiquei virando o olho nesse. Comportamento bem tóxico e chatinho.
Eu curti bastante os contos desse livro. É legal ver que algumas histórias conseguiram descrever bem a espírito natalino brasileiro. O humor e a fluidez são pontos extremamente positivos. O meu conto preferido foi o do Lucas Rocha, apesar de ter adorado o plot twist do conto do Vitor Martins (dei gostosas gargalhadas) e estupefato com o conto de Alliah. É uma fantasia super bem escrita e diferentona. Mas pela construção dá para perceber que foi bem pesquisado.
Fica a recomendação para uma leitura leve.
Fica a recomendação para uma leitura leve.
J.K. VOCÊ É MAL, MAS TAMBÉM É MUITO MARAVILHOSA.
Relendo esse livro eu só conseguir pensar nas merdas que virão na pela frente. Porque daqui em diante só vem chumbo grosso.
Esse livro é um dos melhores da série. Fora que também rendeu um dos melhores filmes. Acho que a J.K. poderia ter explorado mais essa questão do espaço/tempo na série.
Muitos sentimentos relendo essa série.
Relendo esse livro eu só conseguir pensar nas merdas que virão na pela frente. Porque daqui em diante só vem chumbo grosso.
Esse livro é um dos melhores da série. Fora que também rendeu um dos melhores filmes. Acho que a J.K. poderia ter explorado mais essa questão do espaço/tempo na série.
Muitos sentimentos relendo essa série.
Um livro sobre metalinguagem.
Maria Carmem Rosário é uma menina de 11 anos que escreve um livro sobre o que aconteceu em sua vida durante um ano.
É uma felicidade enorme ler o que a Maria Carmem escreve. Nem tudo são flores, mas as situações são verdadeiras. A autora Mariana Salomão Carrara faz um trabalho magnífico ao abordar temas que diante de uma sociedade preconceituosa podem ser vistos como complexos por cabeças já formadas, mas que narrados por uma criança nem sempre contém o mesmo moralismo preconceituoso.
Eu acho magnífico quando autores conseguem capitar o melhor da singeleza das crianças e fazem com que isso transpareça nas histórias que são narradas por elas.
Super recomendo.
Maria Carmem Rosário é uma menina de 11 anos que escreve um livro sobre o que aconteceu em sua vida durante um ano.
É uma felicidade enorme ler o que a Maria Carmem escreve. Nem tudo são flores, mas as situações são verdadeiras. A autora Mariana Salomão Carrara faz um trabalho magnífico ao abordar temas que diante de uma sociedade preconceituosa podem ser vistos como complexos por cabeças já formadas, mas que narrados por uma criança nem sempre contém o mesmo moralismo preconceituoso.
Eu acho magnífico quando autores conseguem capitar o melhor da singeleza das crianças e fazem com que isso transpareça nas histórias que são narradas por elas.
Super recomendo.
A obra de estréia do Bruno Miranda, mais conhecido como Bubarim, é boa, mas não é nada magnífico. A história consegue te prender porque definitivamente você quer descobrir como termina a situação de dois adolescentes mentindo em um reality show de adolescentes grávidas.
O livro tem situações e diálogos super engraçados, mas isso não é uma constante. Aliás, há muito sofrimento de um modo geral. Destaco as relações familiares presentes no enrendo. O amor incondicional, as brigas e desentendimentos. As personagens femininas também são bem fortes, mas nem todas são carismáticas.
As reviravoltas criadas por Bubarim não me agradaram tanto (mas não quer dizer que sejam ruins) assim como certo casal.
É um livro ok e divertido, mas não se compara ao canal do Bubarim mesmo que tenha piadas parecidas. Recomendo se você quer conhecer o lado escritor do Bruno.
O livro tem situações e diálogos super engraçados, mas isso não é uma constante. Aliás, há muito sofrimento de um modo geral. Destaco as relações familiares presentes no enrendo. O amor incondicional, as brigas e desentendimentos. As personagens femininas também são bem fortes, mas nem todas são carismáticas.
As reviravoltas criadas por Bubarim não me agradaram tanto (mas não quer dizer que sejam ruins) assim como certo casal.
É um livro ok e divertido, mas não se compara ao canal do Bubarim mesmo que tenha piadas parecidas. Recomendo se você quer conhecer o lado escritor do Bruno.
Vanessa Vascouto narra em poucas páginas os encontros e desencontros de Caroline e Yannis. Ela é brasileira e ele um francês com descendência grega. Durante 10 anos de idas e vindas entre o Brasil e a França há uma relação que nunca se concretiza, mas que é mais forte que tudo. Um casal com personalidades bem diferentes e vivem por aquilo que nunca foi dito.
No começo acreditei que não ia curtir muito a história. Engano meu. O livro é simples, mas cresce de uma maneira extremamente agradável ao narrar o relacionamento entre os dois jovens, das suas vivências e sentimentos que norteiam o amor. As reflexões sobre relacionamentos e as diferenças entre as pessoas construíram uma base significativa para que eu adentrasse mais no enredo. A escolha da autora em ir contando histórias alternadamente também me agradou bastante.
Água fria e areia é um livro que explora sentimentos, vivências, expectativas de uma maneira não tão avassaladora ou cheia de reviravoltas para quem lê. São os seus personagens quem sentem e cada um ao seu modo. Talvez isso afaste leitores que sempre buscam um drama mexicano para ser lido e fortemente sentindo. Arrisco-me a dizer, no entanto, que grandes dramas também podem ser vividos silenciosamente e sem grandes tragédias.
A história amadurece na mesma proporção que a dificuldade do relacionamento também aumenta. A expectativa e o desejo para que haja uma confirmação concreta para aquele amor e um final feliz só aumenta enquanto as páginas passam. Contudo, a vida não é feita só de amores com finais felizes mesmo que tenha sido marcante. Acredito que parte da mensagem que Vascouto quis mostrar era exatamente essa. Paixões e amores podem nos marcar de inúmeras maneiras mesmo que eles não sejam perfeitos. A idealização de algo como o amor não corresponde a realidade que é construída com inúmeros acontecimentos conflitantes e acabam influenciado o modo como nos relacionamos.
Apesar de ser uma história agradável e interessante não é tão marcante. Todavia recomendo para quem gosta de livros que exploram relações, sentimentos sem idealizá-las.
No começo acreditei que não ia curtir muito a história. Engano meu. O livro é simples, mas cresce de uma maneira extremamente agradável ao narrar o relacionamento entre os dois jovens, das suas vivências e sentimentos que norteiam o amor. As reflexões sobre relacionamentos e as diferenças entre as pessoas construíram uma base significativa para que eu adentrasse mais no enredo. A escolha da autora em ir contando histórias alternadamente também me agradou bastante.
Água fria e areia é um livro que explora sentimentos, vivências, expectativas de uma maneira não tão avassaladora ou cheia de reviravoltas para quem lê. São os seus personagens quem sentem e cada um ao seu modo. Talvez isso afaste leitores que sempre buscam um drama mexicano para ser lido e fortemente sentindo. Arrisco-me a dizer, no entanto, que grandes dramas também podem ser vividos silenciosamente e sem grandes tragédias.
A história amadurece na mesma proporção que a dificuldade do relacionamento também aumenta. A expectativa e o desejo para que haja uma confirmação concreta para aquele amor e um final feliz só aumenta enquanto as páginas passam. Contudo, a vida não é feita só de amores com finais felizes mesmo que tenha sido marcante. Acredito que parte da mensagem que Vascouto quis mostrar era exatamente essa. Paixões e amores podem nos marcar de inúmeras maneiras mesmo que eles não sejam perfeitos. A idealização de algo como o amor não corresponde a realidade que é construída com inúmeros acontecimentos conflitantes e acabam influenciado o modo como nos relacionamos.
Apesar de ser uma história agradável e interessante não é tão marcante. Todavia recomendo para quem gosta de livros que exploram relações, sentimentos sem idealizá-las.
O Fundo é apenas o começo é um panorama geral sobre como os transtornos mentais agem em nosso corpo, sistema, vida, espaço e com aqueles que estão ao nosso redor. Nesta obra vamos acompanhar Caden Bosch e a evolução do seu transtorno mental até o momento em que acaba sendo internado para o começo do tratamento.
A construção desse texto é simplesmente incrível. O que Neal Shusterman faz para diferenciar a realidade dos momentos de delírio que Caden Bosch é sensacional. Com o passar do tempo e do tratamento quando Caden fica mais lúcido, mas ainda assim com rápidos episódios de delírio o texto mostra essa pequena diferença. Não tem como não admirar. As metáforas que relacionam mentais funcionam perfeitamente. Tanto que no começo do livro é difícil se acostumar com o ambiente.
Apesar de não ser tão didático ainda consegui relacionar essa obra com [b: Uma história meio que engraçada|34825516|Uma história meio que engraçada|Ned Vizzini|https://i.gr-assets.com/images/S/compressed.photo.goodreads.com/books/1491690893l/34825516._SX50_.jpg|240980] do Ned Vizzini. As obras têm suas semelhanças ao retratarem adolescentes que vivem com transtornos mentais e acabam internados e iniciando um tratamento. Só que a obra de Vizzini é menos complexa ou fatigante. Apesar da grande construção de Shusterman, para mim, o livro muitas vezes era meio cansativo, enfadonho mesmo com capítulos super pequenos. Isso acontecia principalmente nos capítulos onde os delírios de Caden estavam presentes. Acredito que de alguma forma mostra a realidade exaustiva, o fastio mental de quem vive com transtorno mental. Os momentos de delírios era como se eu estivesse lendo algo escrito em fluxo de consciência. Apesar de não ser tão complexo exige muito da nossa concentração. Também achei os personagens um pouco menos carismáticos em relação a Uma história meio que engraçada.
Enfim, acho o livro bem construído em sua forma. Ele cresce quando conseguimos diferenciar os momentos de delírio e realidade, mas até lá se torna exaustivo. No entanto, acredito que é uma obra excelente para captar e entender como adolescentes com transtornos mentais se sentem. É uma construção de imersão poderosa e relevante. Além de apresentar um ponto que considero importantíssimo: não é só sobre o sofrimento, mas também sobre como viver em tratamento com algo que não te abandonará. A mensagem sobre a relevância de se tratar é um acerto. Por isso, deixo a minha indicação.
A construção desse texto é simplesmente incrível. O que Neal Shusterman faz para diferenciar a realidade dos momentos de delírio que Caden Bosch é sensacional. Com o passar do tempo e do tratamento quando Caden fica mais lúcido, mas ainda assim com rápidos episódios de delírio o texto mostra essa pequena diferença. Não tem como não admirar. As metáforas que relacionam mentais funcionam perfeitamente. Tanto que no começo do livro é difícil se acostumar com o ambiente.
Apesar de não ser tão didático ainda consegui relacionar essa obra com [b: Uma história meio que engraçada|34825516|Uma história meio que engraçada|Ned Vizzini|https://i.gr-assets.com/images/S/compressed.photo.goodreads.com/books/1491690893l/34825516._SX50_.jpg|240980] do Ned Vizzini. As obras têm suas semelhanças ao retratarem adolescentes que vivem com transtornos mentais e acabam internados e iniciando um tratamento. Só que a obra de Vizzini é menos complexa ou fatigante. Apesar da grande construção de Shusterman, para mim, o livro muitas vezes era meio cansativo, enfadonho mesmo com capítulos super pequenos. Isso acontecia principalmente nos capítulos onde os delírios de Caden estavam presentes. Acredito que de alguma forma mostra a realidade exaustiva, o fastio mental de quem vive com transtorno mental. Os momentos de delírios era como se eu estivesse lendo algo escrito em fluxo de consciência. Apesar de não ser tão complexo exige muito da nossa concentração. Também achei os personagens um pouco menos carismáticos em relação a Uma história meio que engraçada.
Enfim, acho o livro bem construído em sua forma. Ele cresce quando conseguimos diferenciar os momentos de delírio e realidade, mas até lá se torna exaustivo. No entanto, acredito que é uma obra excelente para captar e entender como adolescentes com transtornos mentais se sentem. É uma construção de imersão poderosa e relevante. Além de apresentar um ponto que considero importantíssimo: não é só sobre o sofrimento, mas também sobre como viver em tratamento com algo que não te abandonará. A mensagem sobre a relevância de se tratar é um acerto. Por isso, deixo a minha indicação.
Homens pretos (não) choram é grandioso do início ao fim. Da introdução até os agradecimentos. Na abertura Sérgio Motta fala expõe a sua vivência como homem preto como prenúncio do iríamos ler logo depois. As vivências dos homens repetem-se, mas tem as suas particularidades. Se você é um homem negro as particularidades também se repetirão. É por isso que esse livro conversa com homens, mas é um espelho nas particularidades de homens negros.
Stefano Volp com a sua escrita cativante narra histórias sobre vulnerabilidades de homens pretos. São sete contos/crônicas com narrativas poderosas que perpassam o afeto, a paternidade, o descobrimento da sexualidade, o poder do machismo em nossas vidas, a masculinidade tóxica que muitas vezes rege a pessoa que queremos ser. São temas trabalhados de forma sincera e orgânica sem aquele tom professoral. Está ali porque se faz presente em nossas vidas de alguma forma.
Como o autor mesmo disse em seus agradecimentos, o livro é sobre a necessidade de o homem preto ser vulnerável e entender que isso não é ruim. É um processo de cura por mais que seja dolorido pode resultar em uma nova realidade menos agressiva e mais acolhedora. Esse livro, que apoiei no Catarse, é essencial para aqueles que querem buscar o início de uma transformação. Identificar-se nessas palavras, contos, crônicas pode ser um processo com mudanças essencialmente positivas.
Homens pretos (não) choram é uma conversa sincera para com homens pretos sobre seus sentimentos e o seu lugar no mundo. É um livro essencial. Espero que mais pessoas leiam e gostem. Que nós, homens pretos, possamos nos curar mais vezes.
1 - Seco
Eu me arrepiei todinho com o final desse conto. Que desespero não conseguir encontrar a emoção dentro de si e com isso desejar partir. Não queria esse final, mas super entendo que talvez ali não tivesse mais solução. Quando a gente se fecha e fica seco é complicado voltar a florir.
2 - Meia-noite
Eu fiquei emocionado demais com esse final. Carinho e amor é tudo nessa vida. Uba é aquilo que o pai dele nem sempre conseguiu ser, mas ele pode de alguma forma transformar os sentimentos ruins em coisa boa e o melhor que todo o amor e o carinho que agora distribui retorna a ele. Lindo demais.
3 - Bilola
Eu não gostei tanto desse. No entanto, a mensagem dessa crônica é poderosa. O negro que conhece o seu espaço no mundo e tem consciência do que ser negro significa não vira chaveirinho de branco. Não é uma questão sobre não se relacionar com pessoas brancas em qualquer sentindo, mas entender que para ser quem você é não precisa agir e se vender para pessoas brancas. É uma questão complicada até porque ainda hoje pessoas brancas são ideais e metas para qualquer pessoa. A branquitude é o objetivo. Ser preto consciente é quebrar esse ideal.
4 - Barba
Eu mandei um PUTA MERDA bem alto na parte final desse conto/crônica. Volp sabe muito bem como ambientar um clima e nesse conto foi bem hot. Gostei da forma como ele abrange a descoberta do personagem sobre sua bissexualidade. Pena que o retrato da LGBTfobia esteja ali presente mostrando como ainda é perigoso para muitos viver como realmente se é. Eu estava jurando que iria rolar um ménage à trois no final. Vai ficar pra imaginação. hahahaha
5 - Dona Tagarela
Que forte! Que sensacional esse conto! Apesar de todos os traumas que os homens pretos carregam nenhum deles deve ser utilizado como arma reprimir, machucar ou afetar qualquer outra pessoa. Traumas precisam ser curados. A gente só precisa entender isso quanto antes porque além de doloroso, é demorado. Ser um homem preto violento e preconceituoso não te libertará. Não fará que os seus traumas se curem.
6 - Sabonete
Que conto incrível! Amei demais. Estou até meio sem palavras. Acho que é o meu conto preferido. A narrativa, os assuntos, a didática é incrível. A masculinidade tóxica e o machismo rodeiam os meninos o tempo inteiro. Nesse conto Volp conseguiu mensurar o estrago que eles vão fazendo nos moleques e naqueles que estão ao seu redor. Mas a forma como ele introduziu o feminismo com a Sabonete (Yara) foi perfeito. Se eu fosse professor de adolescentes com certeza trabalharia esse conto nas aulas.
7 - Pio
Outra narrativa excelente. Um lidando com a mudez repentina do filho. Mudez psicológica causada pelo racismo, masculinidade tóxica e falta de atenção. A relação de entre pais e filhos me interessam muito e Volp entregou mais uma narrativa excelente. A receita no final do conto mostra o quanto é necessário conversar, permitir-se ser vulnerável e ao outro também. Abrir espaço para aqueles que sofrem tenham alguém para confiar e partilhar os seus pensamentos. Fiquei super tocado.
Stefano Volp com a sua escrita cativante narra histórias sobre vulnerabilidades de homens pretos. São sete contos/crônicas com narrativas poderosas que perpassam o afeto, a paternidade, o descobrimento da sexualidade, o poder do machismo em nossas vidas, a masculinidade tóxica que muitas vezes rege a pessoa que queremos ser. São temas trabalhados de forma sincera e orgânica sem aquele tom professoral. Está ali porque se faz presente em nossas vidas de alguma forma.
Como o autor mesmo disse em seus agradecimentos, o livro é sobre a necessidade de o homem preto ser vulnerável e entender que isso não é ruim. É um processo de cura por mais que seja dolorido pode resultar em uma nova realidade menos agressiva e mais acolhedora. Esse livro, que apoiei no Catarse, é essencial para aqueles que querem buscar o início de uma transformação. Identificar-se nessas palavras, contos, crônicas pode ser um processo com mudanças essencialmente positivas.
Homens pretos (não) choram é uma conversa sincera para com homens pretos sobre seus sentimentos e o seu lugar no mundo. É um livro essencial. Espero que mais pessoas leiam e gostem. Que nós, homens pretos, possamos nos curar mais vezes.
1 - Seco
Eu me arrepiei todinho com o final desse conto. Que desespero não conseguir encontrar a emoção dentro de si e com isso desejar partir. Não queria esse final, mas super entendo que talvez ali não tivesse mais solução. Quando a gente se fecha e fica seco é complicado voltar a florir.
2 - Meia-noite
Eu fiquei emocionado demais com esse final. Carinho e amor é tudo nessa vida. Uba é aquilo que o pai dele nem sempre conseguiu ser, mas ele pode de alguma forma transformar os sentimentos ruins em coisa boa e o melhor que todo o amor e o carinho que agora distribui retorna a ele. Lindo demais.
3 - Bilola
Eu não gostei tanto desse. No entanto, a mensagem dessa crônica é poderosa. O negro que conhece o seu espaço no mundo e tem consciência do que ser negro significa não vira chaveirinho de branco. Não é uma questão sobre não se relacionar com pessoas brancas em qualquer sentindo, mas entender que para ser quem você é não precisa agir e se vender para pessoas brancas. É uma questão complicada até porque ainda hoje pessoas brancas são ideais e metas para qualquer pessoa. A branquitude é o objetivo. Ser preto consciente é quebrar esse ideal.
4 - Barba
Eu mandei um PUTA MERDA bem alto na parte final desse conto/crônica. Volp sabe muito bem como ambientar um clima e nesse conto foi bem hot. Gostei da forma como ele abrange a descoberta do personagem sobre sua bissexualidade. Pena que o retrato da LGBTfobia esteja ali presente mostrando como ainda é perigoso para muitos viver como realmente se é. Eu estava jurando que iria rolar um ménage à trois no final. Vai ficar pra imaginação. hahahaha
5 - Dona Tagarela
Que forte! Que sensacional esse conto! Apesar de todos os traumas que os homens pretos carregam nenhum deles deve ser utilizado como arma reprimir, machucar ou afetar qualquer outra pessoa. Traumas precisam ser curados. A gente só precisa entender isso quanto antes porque além de doloroso, é demorado. Ser um homem preto violento e preconceituoso não te libertará. Não fará que os seus traumas se curem.
6 - Sabonete
Que conto incrível! Amei demais. Estou até meio sem palavras. Acho que é o meu conto preferido. A narrativa, os assuntos, a didática é incrível. A masculinidade tóxica e o machismo rodeiam os meninos o tempo inteiro. Nesse conto Volp conseguiu mensurar o estrago que eles vão fazendo nos moleques e naqueles que estão ao seu redor. Mas a forma como ele introduziu o feminismo com a Sabonete (Yara) foi perfeito. Se eu fosse professor de adolescentes com certeza trabalharia esse conto nas aulas.
7 - Pio
Outra narrativa excelente. Um lidando com a mudez repentina do filho. Mudez psicológica causada pelo racismo, masculinidade tóxica e falta de atenção. A relação de entre pais e filhos me interessam muito e Volp entregou mais uma narrativa excelente. A receita no final do conto mostra o quanto é necessário conversar, permitir-se ser vulnerável e ao outro também. Abrir espaço para aqueles que sofrem tenham alguém para confiar e partilhar os seus pensamentos. Fiquei super tocado.
Pátria narra a relação de duas famílias e como a luta nacionalista e o grupo terrorista ETA acabam afetando a vida e o convívio entre eles. Bittori e Miren são amigas de longa data e matriarca de cada uma dessas famílias. Ao longo da história vamos acompanhando a vida de cada um dos membros das famílias.
Para mim, o melhor do livro é a complexidade dos personagens e a construção do texto. No começo o modo de narrar de Fernando Aramburu me lembrou Elena Ferrante. Eu ainda prefiro Ferrante, mas Aramburu tem um texto que prende e flui de maneira incrível. A narrativa fica indo e voltando entre memórias e acontecimentos do presente. Em meu entendimento não há um acontecimento principal em que a história gira entorno. Cada personagem tem o seu conflito, as suas particularidades fazendo com que tudo ali se torne importante.
A complexidade não fica somente entre os personagens. A história se passa no País Basco em um período em que o grupo terrorista ETA atuava com ataques sanguinários em busca soberania do país. Com esse fundo o autor constrói um ótimo panorama sobre os integrantes do ETA e como eles agiam. Os julgamentos e pontos de vista sobre a luta nacionalista e os afetados pelo terrorismo são comentados pelos personagens ao longo das passagens. Há um discussão importante sobre movimentos que buscam independência e a forma que agem para chegar ao seu objetivo.
Enfim, é uma obra relevante com narrativa excelente além de ser rico em aspecto cultural. Não há o que negar. Apesar de achar o final fraquinho e diferente daquilo que eu esperava e vi durante toda a leitura. Ele parece não conversar com os acontecimentos extremos, mas se tratando de seres humanos tudo é possível. Recomendo a leitura porque acredito na relevância do da história.
Para mim, o melhor do livro é a complexidade dos personagens e a construção do texto. No começo o modo de narrar de Fernando Aramburu me lembrou Elena Ferrante. Eu ainda prefiro Ferrante, mas Aramburu tem um texto que prende e flui de maneira incrível. A narrativa fica indo e voltando entre memórias e acontecimentos do presente. Em meu entendimento não há um acontecimento principal em que a história gira entorno. Cada personagem tem o seu conflito, as suas particularidades fazendo com que tudo ali se torne importante.
A complexidade não fica somente entre os personagens. A história se passa no País Basco em um período em que o grupo terrorista ETA atuava com ataques sanguinários em busca soberania do país. Com esse fundo o autor constrói um ótimo panorama sobre os integrantes do ETA e como eles agiam. Os julgamentos e pontos de vista sobre a luta nacionalista e os afetados pelo terrorismo são comentados pelos personagens ao longo das passagens. Há um discussão importante sobre movimentos que buscam independência e a forma que agem para chegar ao seu objetivo.
Enfim, é uma obra relevante com narrativa excelente além de ser rico em aspecto cultural. Não há o que negar. Apesar de achar o final fraquinho e diferente daquilo que eu esperava e vi durante toda a leitura. Ele parece não conversar com os acontecimentos extremos, mas se tratando de seres humanos tudo é possível. Recomendo a leitura porque acredito na relevância do da história.