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fevi


2,5

O Leitor é mais um daqueles livros em que o narrador em primeira pessoa acaba deixando a obra mais pobre. Infelizmente, além disso, o autor não aprofunda muito nas vidas ou vivência dos personagens. O livro tem três partes e conta a relação entre Michael e Hanna.

A primeira parte não cativa. É simplória demais. As outras duas possuem contextos mais pertinentes, mas ainda assim a narração em primeira pessoa de Michael deixa tudo simples demais. Até as reflexões não são muito profundas ou consistentes deixando a gente sempre na expectativa. O que deixa tudo mais revoltante é que ele tem um pano de fundo e uma personagem extremamente complexa e isso renderia questionamentos interessantes. Hanna, com certeza, é a personagem que deveria ter mais destaque. O passado dela e a pessoa que ela é dariam mais reflexões. No entanto, Schlink fica no raso sem um aprofundamento. Além de tudo, Michael é um péssimo narrador, sem emoção.

É uma pena um livro que trata de assuntos tão relevantes como nazismo, bem/mal, ética e moral cair numa simplória divagação sem dar a devida importância aos personagens, seus questionamentos. O Leitor poderia ter pelo menos mais umas 150 páginas. A gente fica a leitura inteira procurando algo com sustância, mas nunca encontra.

Esse livro é uma mistura de sensações. Acredito que não tem como ser diferente.

A Casa dos Espíritos é uma obra densa. São muitos acontecimentos. Isso fica claro desde o primeiro capítulo. Apesar disso não é uma obra enfadonha ou difícil de acompanhar. Isabel Allende narra a saga de uma família durante gerações em um país não nominado, mas sabemos que o plano de fundo é o Chile. As mulheres da família Trueba, Clara, Blanca e Alba, são protagonistas que a meu ver disputam um espaço grandioso com o antagonista e protagonista, Esteban Trueba.

As personagens femininas além de místicas conduzem grande parte dos acontecimentos do livro. Clara, a clarividente é a mulher de mais importância e que mais se relaciona com o título. Ela consegue ver espíritos, mover objetos e prever o futuro. É uma mulher resignada ao seu destino. Para mim, é a melhor personagem do livro. Blanca é menos ligada aos espíritos. Vive em busca de poder conviver com o seu grande amor, Pedro Terceiro. Alba é valente não só para com a vida, mas também contra o seu avô, Esteban Trueba. Luta pelos oprimidos assim como as suas ancestrais lutavam, no entanto, sofre mais que elas devido o período da ditadura.

Por ser um livro grande e denso há muitas coisas a serem discutidas. A autora fala sofre patriarcado, violência sexual contra as mulheres, amores, sonhos. É também uma obra extremamente política. Há uma luta que se impõe desde o início da obra entre o conservadorismo representado por Esteban Trueba e pelo progressismo, luta de classes, pensamentos mais à esquerda representado pelos personagens que se opõe aos pensamentos do patriarca. Pedro Terceiro, Alba, Jaime (filho Clara com Esteban) representam isso bem.

Há uma passagem que diz que essa história é cheia de dor, sangue e amor. É justamente isso. Inúmeros acontecimentos que não citei fazem desse livro uma grande obra. Os acontecimentos do passado refletem no futuro de forma extremamente destrutiva. Não há como se distanciar disso.

É um livro que consegue muito entreter e fazer com que haja reflexões sobre tudo que há escrito ali. No fim, acabei não gostando de uma tentativa de arrependimento ou perdão de um personagem depois de tudo que aconteceu. Entendo que laços, às vezes, são fortes demais para serem desfeitos. As relações têm muito disso. É preciso entender que nem tudo é preto ou branco.

Enfim, leiam Isabel Allende.

Eu comecei a ler O Perfume achando que era um thriller na idade média, um assassino atrás das suas vítimas. Essa era a minha sede no início. Terminei o livro beber algo que me agradasse tanto.

O Perfurme narra literalmente o subtítulo do livro. Vamos conhecer a história de Jean Baptiste Grenouille e a histórias das pessoas que o rodeiam. Às vezes o autor ficava tanto tempo falando sobre outro personagem que você acreditaria que a história é sobre ele e não sobre Jean Baptiste. Patrick Süskind é essencialmente detalhista. No início funciona muito bem, mas com o tempo a história fica arrastada ao ponto que você não consegue se envolver mais. Isso faz que o desenvolvimento se torne muito lento. Como li acreditando que a história era diferente fiquei frustrado ao chegar aos 70% e não ter tido nenhuma menção aos assassinatos em série. Há apenas um no início, mas que não faz parte do "monstro" que o personagem se tornaria no futuro.

Apesar disso tudo a escrita de Süskind é bem agradável. O livro é bem escrito e as descrições quando não enjoam ou ficam repetitivas são incríveis. As passagens sobre os cheiros são belas e fascinantes.

Enfim, talvez eu devesse ter lido mais coisas antes sobre o livro para me aventurar e me sentir menos frustrado. É um grande livro e bem escrito, mas não me fascinou nem mesmo o final que soa tão estranho quando o personagem principal.

Alerta: mutilação, suicídio, abuso, violência.


Há duas coisas nesse livro que geralmente não costumam me agradar: capítulos e frases curtas. No entanto, fui arrebatado pela escrita e pela catarse que é a vida de Beatriz. A protagonista que narra esse livro.

É uma história forte não só pelos acontecimentos da vida da protagonista que tenta lidar com a separação e o suicídio da filha, mas também com o seu trabalho como assistente social. No princípio, acreditava que Beatriz fosse uma personagem forte, dona de si. É o que parece quando se lê, mas ao longo do livro percebemos que aquilo é uma casca. E que as dores ou o fato não encará-las nos transformam.

A escrita é tão assertiva e perspicaz que constrói uma profundidade mesmo com capítulos curtos. A imersão construída por Cinthia Kriemler é admirável. Não há aqui construções de heróis ou algo semelhante. A narração em primeira pessoa mostra as falhas do mundo, dos seres humanos, da sociedade. A dificuldade em lidar com tudo isso. A estranha sensação que é viver. Ou morrer. Fui completamente fisgado. Não é uma história bonita, mas é completamente real e significativa. Te faz pensar. O título além de lindo conversa com o que a autora propõe.

Super recomendo a leitura. É um livro espetacular.

Eu gostei da história, mas sinceramente achei que faltou um pouco de coesão. As partes do livro são muito aleatórias. As passagens do tempo são grandes demais e deixa a gente meio sem rumo. Alguns capítulos terminam e fica faltando um pouco de informação e contexto. É uma pena porque o livro tinha tudo para ser primoroso já que no final ele vai ficando cada vez mais grandioso. Entendemos os motivos dos Senhores Supremos terem ido parar na Terra. No entanto, acho que perdi o fio da meada ali também. Não entendi muito a transformação e o poder do ser supremo. O porquê disso. Foi uma super evolução provocada pelo meio e pelo ser supremo?

Talvez eu leia outra obra do escritor.


O livro mais fácil da Clarice que li até hoje e talvez o que eu tenha menos gostado. Super bem escrito, mas nada muito envolvente que prendesse a minha atenção.

Os meus contos preferidos foram:
- A imitação da rosa;
- Feliz Aniversário;
- Preciosidade;
- Os laços de família;
- O crime do professor de matemática;
- O búfalo.

2,5

Apesar de um livro sobre conexões e telepatias eu não consegui me prender com os personagens e com a história. O pano de fundo da história não me conquistou. No entanto, a parte da ficção científica é bem interessante. Se o livro fosse um pouco mais desenvolvido, tivesse mais páginas talvez a minha imersão tivesse sido maior. É um livro super bem escrito, mas não me agradou o tanto.

#BingoLitNegra #LeiamAutorasNegras #MulheresParaLer

4,5

Chimamanda sempre nos presenteando com grandes estórias e escrita fascinante. Em Zikora não foi diferente. No conto a autora narra a vida de Zikora que está em trabalho de parto e as momentos da sua vida que a influenciaram e com que fizeram ela chegar até ali. O medo da maternidade e de não conseguir criar o filho. A relação dela com a mãe e seus desentendimentos. A relação dela com o pai da criança. Chimamanda discute sobre a falácia de mulheres nascerem prontas para a maternidade e também sobre o abandono dos homens. É um conto intenso e forte. Além de ser algo totalmente plausível. Ainda recheado de tudo aquilo que podemos encontrar na obra dela: referências culturais sobre Nigéria, imigração, relações entre família e amores.

Eu super leria um livro inteiro dela sobre essa perspectiva sobre maternidade e abandono. Super recomendo.

#BingoLitNegra #LeiaNegros

3,5

Eu curti muito a mistura da mitologia africana com história de lobisomens. Achei divertida a relação entre as irmãs e a forma natural de inserir minorias. É super bem escrito.

#BingoLitNegra #LeiaNegros

Desde que comecei a procurar informações sobre pensadoras e pensadores negros o nome de Lélia Gonzalez sempre esteve presente como um dos nomes principais. Eu ainda não li os seus escritos, mas depois dessa mini-biografia que contextualiza e mostra muito do seu caminhar no movimento negro brasileiro e no movimento feminista negro sinto-me mais curioso para adentrar aos seus pensamentos.

Alex Ratts e Flávia Rios trazem um pouco da trajetória da Lélia Gonzalez nos movimentos acima. Uma mulher inteligente e brilhante e com grande poder de argumentação. Uma coisa que me deixou surpreso foi o fato de Gonzalez ter começado sua militância um pouco mais velha. Isso, de fato, me inspira porque só comecei a me conscientizar sobre esses assuntos depois da faculdade. Em casa e em outros locais eu não tive pessoas que me incentivassem a pensar com mais cautela sobre as situações das minorias, ou como diz Lélia, das maiorias silenciadas.

Acredito que o texto de Ratts e Rios é um bom começo para entender quem foi Lélia Gonzalez e qual a sua contribuição intelectual para movimentos tão importantes e necessários para as maiorias silenciadas. Não é um texto profundo ou que busque detalhar todos os momentos da vida da biografada, mas serve como um forte lembrete para não esquecermos da importante pensadora negra que foi Lélia Gonzalez.