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A casa dos espíritos by Isabel Allende
4.0

Esse livro é uma mistura de sensações. Acredito que não tem como ser diferente.

A Casa dos Espíritos é uma obra densa. São muitos acontecimentos. Isso fica claro desde o primeiro capítulo. Apesar disso não é uma obra enfadonha ou difícil de acompanhar. Isabel Allende narra a saga de uma família durante gerações em um país não nominado, mas sabemos que o plano de fundo é o Chile. As mulheres da família Trueba, Clara, Blanca e Alba, são protagonistas que a meu ver disputam um espaço grandioso com o antagonista e protagonista, Esteban Trueba.

As personagens femininas além de místicas conduzem grande parte dos acontecimentos do livro. Clara, a clarividente é a mulher de mais importância e que mais se relaciona com o título. Ela consegue ver espíritos, mover objetos e prever o futuro. É uma mulher resignada ao seu destino. Para mim, é a melhor personagem do livro. Blanca é menos ligada aos espíritos. Vive em busca de poder conviver com o seu grande amor, Pedro Terceiro. Alba é valente não só para com a vida, mas também contra o seu avô, Esteban Trueba. Luta pelos oprimidos assim como as suas ancestrais lutavam, no entanto, sofre mais que elas devido o período da ditadura.

Por ser um livro grande e denso há muitas coisas a serem discutidas. A autora fala sofre patriarcado, violência sexual contra as mulheres, amores, sonhos. É também uma obra extremamente política. Há uma luta que se impõe desde o início da obra entre o conservadorismo representado por Esteban Trueba e pelo progressismo, luta de classes, pensamentos mais à esquerda representado pelos personagens que se opõe aos pensamentos do patriarca. Pedro Terceiro, Alba, Jaime (filho Clara com Esteban) representam isso bem.

Há uma passagem que diz que essa história é cheia de dor, sangue e amor. É justamente isso. Inúmeros acontecimentos que não citei fazem desse livro uma grande obra. Os acontecimentos do passado refletem no futuro de forma extremamente destrutiva. Não há como se distanciar disso.

É um livro que consegue muito entreter e fazer com que haja reflexões sobre tudo que há escrito ali. No fim, acabei não gostando de uma tentativa de arrependimento ou perdão de um personagem depois de tudo que aconteceu. Entendo que laços, às vezes, são fortes demais para serem desfeitos. As relações têm muito disso. É preciso entender que nem tudo é preto ou branco.

Enfim, leiam Isabel Allende.