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fevi's Reviews (834)
A vida de Tara Westover é tão absurda que em certos momentos eu acreditei que era ficção.
Essa história me despertou tanta raiva que cheguei a duvidar mesmo que eu fosse uma pessoa empática. É fato que a história mexeu muito comigo, mas acabou não tendo o efeito esperado.
A vida de Tara nas montanhas de Idaho é uma mistura de ignorância, violência e fanatismo religioso do pior tipo. Tara foi condicionada a isso e demorou muito para entender que ela poderia ser diferente daquilo. Suas memórias mostram o quanto foi difícil se distanciar do que fazia mal a ela. Ela esteve completamente imersa naquela vida por 17 anos e não seria fácil que as mudanças ocorressem. Eu consigo enxergar isso, no entanto, era exatamente o que me deixava com raiva ao ler a história. Eu conseguia entender o fanatismo do pai e a violência do irmão. E os mesmo já possuíam o meu ódio. E enquanto ela vivesse nas montanhas com eles dificilmente conseguiria escapar. Mas a partir do momento em que ela vai para faculdade e volta ano após ano para casa para viver os mesmo tipos de violência acabou com o meu entendimento. Ao meu ver ela poderia não voltar, não viver aquilo mais. Mas o mundo era assustador e ali em Idaho ela talvez encontrasse algum tipo de identidade que lhe fugia quando estava longe dali.
Antes de iniciar a leitura do livro eu pensava que era uma história de ficção, mas logo no início ela deixa claro era a história da vida dela. Fala-se muito que o livro é sobre o poder de transformação da educação, do conhecimento e da liberdade que essas coisas dão as pessoas. Eu vejo isso em partes. De fato a educação mudou completamente a história da vida de Tara, mas acredito que o livro seja muito mais sobre a sua relação com a família, sobre as violências que viveu. A relação da família me chamou muito mais atenção do que a parte em que ela falava sobre as aulas na faculdade, mestrado ou doutorado. Para mim, a educação teve a importância narrativa quando ela se desprendeu da família de vez.
Leiam e tirem as suas próprias conclusões. É um ótimo livro para ser discutido.
Essa história me despertou tanta raiva que cheguei a duvidar mesmo que eu fosse uma pessoa empática. É fato que a história mexeu muito comigo, mas acabou não tendo o efeito esperado.
A vida de Tara nas montanhas de Idaho é uma mistura de ignorância, violência e fanatismo religioso do pior tipo. Tara foi condicionada a isso e demorou muito para entender que ela poderia ser diferente daquilo. Suas memórias mostram o quanto foi difícil se distanciar do que fazia mal a ela. Ela esteve completamente imersa naquela vida por 17 anos e não seria fácil que as mudanças ocorressem. Eu consigo enxergar isso, no entanto, era exatamente o que me deixava com raiva ao ler a história. Eu conseguia entender o fanatismo do pai e a violência do irmão. E os mesmo já possuíam o meu ódio. E enquanto ela vivesse nas montanhas com eles dificilmente conseguiria escapar. Mas a partir do momento em que ela vai para faculdade e volta ano após ano para casa para viver os mesmo tipos de violência acabou com o meu entendimento. Ao meu ver ela poderia não voltar, não viver aquilo mais. Mas o mundo era assustador e ali em Idaho ela talvez encontrasse algum tipo de identidade que lhe fugia quando estava longe dali.
Antes de iniciar a leitura do livro eu pensava que era uma história de ficção, mas logo no início ela deixa claro era a história da vida dela. Fala-se muito que o livro é sobre o poder de transformação da educação, do conhecimento e da liberdade que essas coisas dão as pessoas. Eu vejo isso em partes. De fato a educação mudou completamente a história da vida de Tara, mas acredito que o livro seja muito mais sobre a sua relação com a família, sobre as violências que viveu. A relação da família me chamou muito mais atenção do que a parte em que ela falava sobre as aulas na faculdade, mestrado ou doutorado. Para mim, a educação teve a importância narrativa quando ela se desprendeu da família de vez.
Leiam e tirem as suas próprias conclusões. É um ótimo livro para ser discutido.
Acredito que a expectativa sobre esse livro tenha prejudicado a minha leitura.
As Meninas da Lygia Fagundes Telles não é um livro ruim ou mal escrito. Longe disso. Ele só não me apeteceu da forma que eu imaginei que poderia ser.
O livro conta narra momentos de três amigas: Lorena, Lia e Ana Clara. Lorena, rica e intelectualizada; Lia, militante contra a ditadura e Ana Clara, drogada, pobre e sofrida. Eu, particularmente, não curti a história. Aliás, não há uma história com início, meio e fim. É uma narração de fatos cotidianos com voltas ao passado.
A história não foi um destaque para mim como a forma de narrar da Lygia foi. É um espetáculo a forma como ela conta. A técnica. Usar o presente e o passado, dois ou três narradores em um espaço tão curto. É meio difícil de se acostumar com a forma que ela narra. O texto em fluxo de consciência é pesado e muitas vezes parece não fazer sentido. E ela trabalhou muito bem isso na hora que cada menina narrava o seu momento. A voz que ela deu para Ana Clara é espetacular e ao mesmo tempo estranha. Difícil de compreender.
Eu cheguei acreditar que teria uma grande reviravolta no livro, mas não tem apesar da toda ação e loucura do último capítulo. São fatos simples que acontecem e a gente passa mais tempo dentro da mente das meninas.
Recomendo o livro pela parte da escrita e do estilo de narração.
As Meninas da Lygia Fagundes Telles não é um livro ruim ou mal escrito. Longe disso. Ele só não me apeteceu da forma que eu imaginei que poderia ser.
O livro conta narra momentos de três amigas: Lorena, Lia e Ana Clara. Lorena, rica e intelectualizada; Lia, militante contra a ditadura e Ana Clara, drogada, pobre e sofrida. Eu, particularmente, não curti a história. Aliás, não há uma história com início, meio e fim. É uma narração de fatos cotidianos com voltas ao passado.
A história não foi um destaque para mim como a forma de narrar da Lygia foi. É um espetáculo a forma como ela conta. A técnica. Usar o presente e o passado, dois ou três narradores em um espaço tão curto. É meio difícil de se acostumar com a forma que ela narra. O texto em fluxo de consciência é pesado e muitas vezes parece não fazer sentido. E ela trabalhou muito bem isso na hora que cada menina narrava o seu momento. A voz que ela deu para Ana Clara é espetacular e ao mesmo tempo estranha. Difícil de compreender.
Eu cheguei acreditar que teria uma grande reviravolta no livro, mas não tem apesar da toda ação e loucura do último capítulo. São fatos simples que acontecem e a gente passa mais tempo dentro da mente das meninas.
Recomendo o livro pela parte da escrita e do estilo de narração.
#LeiaMulheres #MulheresParaLer
Eu gostei da leitura de O Conto da Aia apesar da falta de informação ao longo da história.
A sensação que eu tive era que Offred estava sempre meio perdida, alucinada ou dopada. No entanto, consigo entender que depois de viver em uma sociedade tão opressora quanto Gilead provavelmente as mulheres não sairiam de lá completamente sãs.
O defeito é que ao da narração a gente pouco sabe o que acontece de uma forma geral naquela sociedade. São poucas informações e todas de um único ponto de vista. Eu, realmente, gostaria de ter lido como a sociedade chegou aquele ponto, o que aconteceu, quem era quem. Uma visão de terceira pessoa intercalado com o depoimento de Offred seria incrível.
Nem tudo fica esclarecido, nem mesmo com o capítulo final. Gilead nunca existiu, mas faz vários paralelos com vários momentos da História mundial e atuais. É um alerta.
Fica a recomendação. A leitura pode ser lenta no início, mas com o tempo você se acostuma.
Eu gostei da leitura de O Conto da Aia apesar da falta de informação ao longo da história.
A sensação que eu tive era que Offred estava sempre meio perdida, alucinada ou dopada. No entanto, consigo entender que depois de viver em uma sociedade tão opressora quanto Gilead provavelmente as mulheres não sairiam de lá completamente sãs.
O defeito é que ao da narração a gente pouco sabe o que acontece de uma forma geral naquela sociedade. São poucas informações e todas de um único ponto de vista. Eu, realmente, gostaria de ter lido como a sociedade chegou aquele ponto, o que aconteceu, quem era quem. Uma visão de terceira pessoa intercalado com o depoimento de Offred seria incrível.
Nem tudo fica esclarecido, nem mesmo com o capítulo final. Gilead nunca existiu, mas faz vários paralelos com vários momentos da História mundial e atuais. É um alerta.
Fica a recomendação. A leitura pode ser lenta no início, mas com o tempo você se acostuma.
3,5
A história de Charlie Gordon é sobre a humanidade em vários dos seus sentidos. É um livro que começa incrível, mas que para mim deu uma amornada. Mas consigo entender completamente porque muitas pessoas adoraram essa história.
O início desse livro, principalmente, quando o Charlie começa a compreender quem ele era e a sociedade em que vivia conversou muito com o meu processo de conscientização racial. É possível sentir a dor dele quando ele percebe quando as pessoas tratavam ele mal ou como o mundo era cruel. Quando eu me percebi negro tive a mesma sensação. E garanto que ela ainda não foi embora. Acho que foi ali que o livro mais conversou comigo e ganhou a minha atenção.
Do meio para frente a história fico um pouco parada. Acredito que poderia haver mais conflitos. Fiquei esperando um pouco mais. Já no quase no finalzinho eu voltei a gostar mais um pouco do que estava lendo.
É uma história sobre humanidade e como nós tratamos as pessoas ao nosso redor. Esse livro conversou bastante com o livro [b: Longe da Árvore|35176999|Longe da Árvore|Andrew Solomon|https://i.gr-assets.com/images/S/compressed.photo.goodreads.com/books/1496845434l/35176999._SY75_.jpg|19112644] do psicanalista Andrew Solomon. Fica aqui a recomendação para a leitura dos dois.
A história de Charlie Gordon é sobre a humanidade em vários dos seus sentidos. É um livro que começa incrível, mas que para mim deu uma amornada. Mas consigo entender completamente porque muitas pessoas adoraram essa história.
O início desse livro, principalmente, quando o Charlie começa a compreender quem ele era e a sociedade em que vivia conversou muito com o meu processo de conscientização racial. É possível sentir a dor dele quando ele percebe quando as pessoas tratavam ele mal ou como o mundo era cruel. Quando eu me percebi negro tive a mesma sensação. E garanto que ela ainda não foi embora. Acho que foi ali que o livro mais conversou comigo e ganhou a minha atenção.
Do meio para frente a história fico um pouco parada. Acredito que poderia haver mais conflitos. Fiquei esperando um pouco mais. Já no quase no finalzinho eu voltei a gostar mais um pouco do que estava lendo.
É uma história sobre humanidade e como nós tratamos as pessoas ao nosso redor. Esse livro conversou bastante com o livro [b: Longe da Árvore|35176999|Longe da Árvore|Andrew Solomon|https://i.gr-assets.com/images/S/compressed.photo.goodreads.com/books/1496845434l/35176999._SY75_.jpg|19112644] do psicanalista Andrew Solomon. Fica aqui a recomendação para a leitura dos dois.
Que trabalho incrível da Svetlana em dar voz aos que sofreram e tiveram algum contato com o que aconteceu em Tchernóbil. É um registro primoroso para a história. Isso não se pode negar.
Eu não sei qual foi o intuito da autora, mas colocar dois depoimentos sobre devoção e amor no início do final do livro foi uma boa jogada. O livro começa sobre e termina com sofrimento e a capacidade dos seres humanos da superação com o apoio do amor.
A minha experiência ao ler esse livro foi mais de raiva do que tristeza. O fato do governo soviético ter escondido, enganado e não ter feito as coisas da maneira correta para ajudar a população me deixou extremamente revoltado. Ter posto a população em risco de tal maneira foi uma manobra muito insensível com o "homem soviético". O fato de falarem que estava tudo bem e que aquilo era um projeto dos inimigos ocidentais me deixaram bem estressado. Mesmo indo contra alguns alertas dos físicos e de pessoas que tinham pleno conhecimento sobre o que havia ocorrido.
É cristalina a forma como a falta de crítica contra o governo acabou afetando várias pessoas. Homens se dedicavam ao bem maior sem pestanejar, em defesa da União Soviética e em busca do heroísmo do homem soviético que trabalha em conjunto e pensa primeiro coletivo e só depois na sua própria individualidade.
A dor e o sofrimento da população estava em segundo plano (para o governo). Pelo menos foi essa visão que eu tive. A curadoria de Svetlana em mostrar as visões daqueles estavam próximos de tudo, de humanizar o sofrimento sem torná-lo um espetáculo é um trabalho primoroso e de respeito para com todos aqueles que tiveram a vida transforada por causa da explosão do reator. É um trabalho empático também para o leitor.
Enfim, fica aqui uma super recomendação. Esse livro com certeza fará com que você fique com vontade de ler os outros livros da autora assim como eu fiquei.
Eu não sei qual foi o intuito da autora, mas colocar dois depoimentos sobre devoção e amor no início do final do livro foi uma boa jogada. O livro começa sobre e termina com sofrimento e a capacidade dos seres humanos da superação com o apoio do amor.
A minha experiência ao ler esse livro foi mais de raiva do que tristeza. O fato do governo soviético ter escondido, enganado e não ter feito as coisas da maneira correta para ajudar a população me deixou extremamente revoltado. Ter posto a população em risco de tal maneira foi uma manobra muito insensível com o "homem soviético". O fato de falarem que estava tudo bem e que aquilo era um projeto dos inimigos ocidentais me deixaram bem estressado. Mesmo indo contra alguns alertas dos físicos e de pessoas que tinham pleno conhecimento sobre o que havia ocorrido.
É cristalina a forma como a falta de crítica contra o governo acabou afetando várias pessoas. Homens se dedicavam ao bem maior sem pestanejar, em defesa da União Soviética e em busca do heroísmo do homem soviético que trabalha em conjunto e pensa primeiro coletivo e só depois na sua própria individualidade.
A dor e o sofrimento da população estava em segundo plano (para o governo). Pelo menos foi essa visão que eu tive. A curadoria de Svetlana em mostrar as visões daqueles estavam próximos de tudo, de humanizar o sofrimento sem torná-lo um espetáculo é um trabalho primoroso e de respeito para com todos aqueles que tiveram a vida transforada por causa da explosão do reator. É um trabalho empático também para o leitor.
Enfim, fica aqui uma super recomendação. Esse livro com certeza fará com que você fique com vontade de ler os outros livros da autora assim como eu fiquei.
Eu acredito que a maioria da população brasileira é preconceituosa linguisticamente. Isso tudo devido ao ensino que forca somente na norma culta da língua portuguesa (de Portugal). É porque conhecimento é poder e muitos o querem.
É um livro essencial para entender o que é preconceito linguístico e desconstruí-lo.
O autor demonstra no livro quais são os mitos que regem o preconceito contra a língua e quais as formas que nós podemos desconstruí-la. Mesmo lendo e entendo o que Marcos Bagno queria demonstrar a minha impressão é que ainda será muito difícil deixar esse tipo de preconceito de lado. Assim como todos os outros que já estão enraizados na nossa população. Primeiro porque há uma grande necessidade de seguir a norma culta. É exigido de nós a todo instante. Bagno afirma que é justamente essa mentalidade que devemos mudar. Concordo, mas ainda acho difícil. Outro ponto importante é que o português seja o europeu ou o brasileiro não é nos ensinado de forma humanizada.
Muito do que é mostrado por Bagno no livro me parece muito acadêmico e vai ficar por lá caso as escolas não coloquem em prática o que ele e o Ministério da Educação sugerem.
É um livro essencial para pensar o Brasil, o português brasileiro, os preconceitos de raça e classe e políticas.
Recomendadíssimo.
É um livro essencial para entender o que é preconceito linguístico e desconstruí-lo.
O autor demonstra no livro quais são os mitos que regem o preconceito contra a língua e quais as formas que nós podemos desconstruí-la. Mesmo lendo e entendo o que Marcos Bagno queria demonstrar a minha impressão é que ainda será muito difícil deixar esse tipo de preconceito de lado. Assim como todos os outros que já estão enraizados na nossa população. Primeiro porque há uma grande necessidade de seguir a norma culta. É exigido de nós a todo instante. Bagno afirma que é justamente essa mentalidade que devemos mudar. Concordo, mas ainda acho difícil. Outro ponto importante é que o português seja o europeu ou o brasileiro não é nos ensinado de forma humanizada.
Muito do que é mostrado por Bagno no livro me parece muito acadêmico e vai ficar por lá caso as escolas não coloquem em prática o que ele e o Ministério da Educação sugerem.
É um livro essencial para pensar o Brasil, o português brasileiro, os preconceitos de raça e classe e políticas.
Recomendadíssimo.
#BingoLitNegra #LeiaAutorasNegras
4,5
Antes de tudo quero dizer que a escrita da Lu Ain-Zaila (Luciene Marcelino Ernesto) é maravilhosa. Gostosa de ler e que te prende facilmente. É um texto extremamente inteligente.
O conto de abertura Era Afrofuturista, o Invenção das Tranças e o Ode à Laudelina foram os meus preferidos. Eu gosto como ela mistura ancestralidade e futuro sem parecer massante ou piegas. A autora ainda traz várias informações no texto de abertura.
Não curti a parte dos Fragmentos porque me pareceu destoante do resto do livro.
Recomendo demais.
4,5
Antes de tudo quero dizer que a escrita da Lu Ain-Zaila (Luciene Marcelino Ernesto) é maravilhosa. Gostosa de ler e que te prende facilmente. É um texto extremamente inteligente.
O conto de abertura Era Afrofuturista, o Invenção das Tranças e o Ode à Laudelina foram os meus preferidos. Eu gosto como ela mistura ancestralidade e futuro sem parecer massante ou piegas. A autora ainda traz várias informações no texto de abertura.
Não curti a parte dos Fragmentos porque me pareceu destoante do resto do livro.
Recomendo demais.
#BingoLitNegra #LeiaMulheres #MulheresParaLer #LeiaAutorasNegras
Gatihos: racismo, estupro, violência, lesbofobia
3,5
Nicole Y. Dennis-Benn traz uma história com vários acontecimentos. A Jamaica retratada pela autora em Bem-vindos ao Paraíso é uma terra de grandes belezas, mas povoada por violência, pobreza, descaso das pessoas com o próprio país. Lugar onde ter dinheiro é ter poder, onde comanda o turismo sexual, a destruição do ambiente e tudo mais o que o dinheiro pode oferecer.
A história tem como personagens principais Margot, Delores e Thandi. Além de Verdene que se torna amante de Margot. O livro não é sobre uma história de heroínas. A maioria ali são anti-heróis. Margot, Delores e Thandi são da mesma família. Margot e Thandi são irmãs e Delores a mãe delas. A irmã mais velha, Margot, e a mãe fazem de tudo para dar um futuro melhor para a mais nova. Elas querem investir na educação dela para que ela possa ter um futuro melhor e sair do bairro pobre onde vivem. Mas Thandi que até se esforça para estudar não quer ser médica, ela que ser artista plástica porque é aquilo que lhe dá felicidade.
Apesar do primeiro capítulo já começar falando sobre exploração sexual acreditei que seria uma história de superações e de grandes transformações. Muitas vezes procuramos ler sobre finais felizes e coisas do tipo. Talvez tenha sido isso que eu procurei e não encontrei. A expectativa recai toda sobre mim. O livro trata de assuntos extremamente importantes, mas faltou alguma cola para me conectar aos personagens. Consigo entender a grandeza do livro e a sua importância, mas faltou algo para que eu o compreendesse melhor. Acho que aqui a culpa é toda minha.
Margot se prostitui para conseguir o que quer. Ela é uma mulher ambiciosa. Ela quer crescer porque não suposta a vida que leva. Quer se livrar daquilo que aprendeu para sobreviver. Delores também é muito ambiciosa porque conhece a realidade da pobreza e do racismo. Mesmo quer crescer mais sabe que o dinheiro não vai fazer com que as pessoas a trate melhor. Thandi não gosta da cor que tem sua mãe faz questão de dizer que ela tem que investir na educação porque ela nasceu preta, tem a pele escura. A dor e o sofrimento permeia essa família por todos os lados. A falta de afeto é algo que está presente e que acaba transformando a relação que cada uma tem com a outra. O abuso, o racismo parece que é inerente a sobrevivência delas. Parece que há a necessidade de passar por aquilo.
Em certo momento do livro eu parei e me questionei por que histórias com pessoas negras precisam ter tanto sofrimento? Qual a necessidade? Só que ao mesmo instante lembro da História. De como os negros são tratados ao longo dos séculos. Se hoje ainda necessidade de contar histórias assim é porque elas ainda acontecem e elas só acontecem porque existe um passado tenebroso que deu origem a isso tudo.
Essa história não tem final feliz. É algo real. Extremamente real. É triste ver como a nossa vivência pode impactar a forma como tratamos os outros. Como o nosso sofrimento e a falta de afeto afetam que está ao nosso redor. O problema é que a origem disso tudo é muito maior que nós e se não tivermos alguém para nos ajudar a vencer e transformar esses problemas os estragos continuaram passando de geração em geração.
Deixo a recomendação para quem quer ver uma nova perspectiva. Conhecer uma nova história.
Gatihos: racismo, estupro, violência, lesbofobia
3,5
Nicole Y. Dennis-Benn traz uma história com vários acontecimentos. A Jamaica retratada pela autora em Bem-vindos ao Paraíso é uma terra de grandes belezas, mas povoada por violência, pobreza, descaso das pessoas com o próprio país. Lugar onde ter dinheiro é ter poder, onde comanda o turismo sexual, a destruição do ambiente e tudo mais o que o dinheiro pode oferecer.
A história tem como personagens principais Margot, Delores e Thandi. Além de Verdene que se torna amante de Margot. O livro não é sobre uma história de heroínas. A maioria ali são anti-heróis. Margot, Delores e Thandi são da mesma família. Margot e Thandi são irmãs e Delores a mãe delas. A irmã mais velha, Margot, e a mãe fazem de tudo para dar um futuro melhor para a mais nova. Elas querem investir na educação dela para que ela possa ter um futuro melhor e sair do bairro pobre onde vivem. Mas Thandi que até se esforça para estudar não quer ser médica, ela que ser artista plástica porque é aquilo que lhe dá felicidade.
Apesar do primeiro capítulo já começar falando sobre exploração sexual acreditei que seria uma história de superações e de grandes transformações. Muitas vezes procuramos ler sobre finais felizes e coisas do tipo. Talvez tenha sido isso que eu procurei e não encontrei. A expectativa recai toda sobre mim. O livro trata de assuntos extremamente importantes, mas faltou alguma cola para me conectar aos personagens. Consigo entender a grandeza do livro e a sua importância, mas faltou algo para que eu o compreendesse melhor. Acho que aqui a culpa é toda minha.
Margot se prostitui para conseguir o que quer. Ela é uma mulher ambiciosa. Ela quer crescer porque não suposta a vida que leva. Quer se livrar daquilo que aprendeu para sobreviver. Delores também é muito ambiciosa porque conhece a realidade da pobreza e do racismo. Mesmo quer crescer mais sabe que o dinheiro não vai fazer com que as pessoas a trate melhor. Thandi não gosta da cor que tem sua mãe faz questão de dizer que ela tem que investir na educação porque ela nasceu preta, tem a pele escura. A dor e o sofrimento permeia essa família por todos os lados. A falta de afeto é algo que está presente e que acaba transformando a relação que cada uma tem com a outra. O abuso, o racismo parece que é inerente a sobrevivência delas. Parece que há a necessidade de passar por aquilo.
Em certo momento do livro eu parei e me questionei por que histórias com pessoas negras precisam ter tanto sofrimento? Qual a necessidade? Só que ao mesmo instante lembro da História. De como os negros são tratados ao longo dos séculos. Se hoje ainda necessidade de contar histórias assim é porque elas ainda acontecem e elas só acontecem porque existe um passado tenebroso que deu origem a isso tudo.
Essa história não tem final feliz. É algo real. Extremamente real. É triste ver como a nossa vivência pode impactar a forma como tratamos os outros. Como o nosso sofrimento e a falta de afeto afetam que está ao nosso redor. O problema é que a origem disso tudo é muito maior que nós e se não tivermos alguém para nos ajudar a vencer e transformar esses problemas os estragos continuaram passando de geração em geração.
Deixo a recomendação para quem quer ver uma nova perspectiva. Conhecer uma nova história.
#BingoLitNegra #LeiaMulheres #MulheresPraLer #LeiaAutorasNegras
Gatilhos: abuso sexual, racismo, pedofilia
Esse é o terceiro livro da Toni Morrison e foi o que eu mais gostei. Não que os outros sejam relevantes, talvez até sejam, mas me apeguei mais a essa história.
Os livros de Morrison sempre abordam temas que são sensíveis as pessoas. Nesse particularmente o mais pesado é a pedofilia. Digo que é o mais pesado porque é o que gera mais indignação das pessoas. Já que racismo está presente em tudo que escreve (até os livros que li). Outra coisa sempre presente em suas obras é são relações de amor e ódio dentro da mesma família e como o mundo racista afeta essa relações.
Nesse livro a sociedade racista afeta o amor entre mãe e filha. O que provavelmente nunca será superado. Ter que mostrar para uma criança que o mundo nunca a trate de forma carinhosa e respeitosa por causa da cor da sua pele deve ser uma das dores que pais e mães negras devem sofrer. O racismo consegue acabar com estruturas saudáveis.
Mas a lição importante que a Morrison deixa nessa obra é que o amor, o carinho e o respeito podem alimentar a alma das pessoas. Mas nem sempre consertam os erros que cometemos no passado.
Fica a recomendação.
Gatilhos: abuso sexual, racismo, pedofilia
Esse é o terceiro livro da Toni Morrison e foi o que eu mais gostei. Não que os outros sejam relevantes, talvez até sejam, mas me apeguei mais a essa história.
Os livros de Morrison sempre abordam temas que são sensíveis as pessoas. Nesse particularmente o mais pesado é a pedofilia. Digo que é o mais pesado porque é o que gera mais indignação das pessoas. Já que racismo está presente em tudo que escreve (até os livros que li). Outra coisa sempre presente em suas obras é são relações de amor e ódio dentro da mesma família e como o mundo racista afeta essa relações.
Nesse livro a sociedade racista afeta o amor entre mãe e filha. O que provavelmente nunca será superado. Ter que mostrar para uma criança que o mundo nunca a trate de forma carinhosa e respeitosa por causa da cor da sua pele deve ser uma das dores que pais e mães negras devem sofrer. O racismo consegue acabar com estruturas saudáveis.
Mas a lição importante que a Morrison deixa nessa obra é que o amor, o carinho e o respeito podem alimentar a alma das pessoas. Mas nem sempre consertam os erros que cometemos no passado.
Fica a recomendação.
3,5
Outros Cantos é um livro belíssimo. Bem escrito e com uma narrativa incrível em que a autora intercala vários acontecimentos do passado e o presente.
Durante uma viagem de volta ao sertão a protagonista conta tudo o que já havia vivido por lá. Maria Valéria Rezende fala muito sobre o comportamento dos sertanejos. Como vivem, o modo de trabalho, os sonhos, os sofrimentos e tudo mais sobre a cultura popular.
A minha nota é porque o meu ritmo de leitura atrapalhou a minha imersão na obra e também porque achei que faltou explicações sobre certos acontecimentos, mas super indico. É um livro fascinante. O último capítulo trouxe uma perspectiva que gostaria que estivesse sido mais explorada. Com certeza renderia muito mais histórias.
Outros Cantos é um livro belíssimo. Bem escrito e com uma narrativa incrível em que a autora intercala vários acontecimentos do passado e o presente.
Durante uma viagem de volta ao sertão a protagonista conta tudo o que já havia vivido por lá. Maria Valéria Rezende fala muito sobre o comportamento dos sertanejos. Como vivem, o modo de trabalho, os sonhos, os sofrimentos e tudo mais sobre a cultura popular.
A minha nota é porque o meu ritmo de leitura atrapalhou a minha imersão na obra e também porque achei que faltou explicações sobre certos acontecimentos, mas super indico. É um livro fascinante. O último capítulo trouxe uma perspectiva que gostaria que estivesse sido mais explorada. Com certeza renderia muito mais histórias.