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Bem-vindos ao paraíso by Nicole Dennis-Benn
3.0

#BingoLitNegra #LeiaMulheres #MulheresParaLer #LeiaAutorasNegras

Gatihos: racismo, estupro, violência, lesbofobia

3,5

Nicole Y. Dennis-Benn traz uma história com vários acontecimentos. A Jamaica retratada pela autora em Bem-vindos ao Paraíso é uma terra de grandes belezas, mas povoada por violência, pobreza, descaso das pessoas com o próprio país. Lugar onde ter dinheiro é ter poder, onde comanda o turismo sexual, a destruição do ambiente e tudo mais o que o dinheiro pode oferecer.

A história tem como personagens principais Margot, Delores e Thandi. Além de Verdene que se torna amante de Margot. O livro não é sobre uma história de heroínas. A maioria ali são anti-heróis. Margot, Delores e Thandi são da mesma família. Margot e Thandi são irmãs e Delores a mãe delas. A irmã mais velha, Margot, e a mãe fazem de tudo para dar um futuro melhor para a mais nova. Elas querem investir na educação dela para que ela possa ter um futuro melhor e sair do bairro pobre onde vivem. Mas Thandi que até se esforça para estudar não quer ser médica, ela que ser artista plástica porque é aquilo que lhe dá felicidade.

Apesar do primeiro capítulo já começar falando sobre exploração sexual acreditei que seria uma história de superações e de grandes transformações. Muitas vezes procuramos ler sobre finais felizes e coisas do tipo. Talvez tenha sido isso que eu procurei e não encontrei. A expectativa recai toda sobre mim. O livro trata de assuntos extremamente importantes, mas faltou alguma cola para me conectar aos personagens. Consigo entender a grandeza do livro e a sua importância, mas faltou algo para que eu o compreendesse melhor. Acho que aqui a culpa é toda minha.

Margot se prostitui para conseguir o que quer. Ela é uma mulher ambiciosa. Ela quer crescer porque não suposta a vida que leva. Quer se livrar daquilo que aprendeu para sobreviver. Delores também é muito ambiciosa porque conhece a realidade da pobreza e do racismo. Mesmo quer crescer mais sabe que o dinheiro não vai fazer com que as pessoas a trate melhor. Thandi não gosta da cor que tem sua mãe faz questão de dizer que ela tem que investir na educação porque ela nasceu preta, tem a pele escura. A dor e o sofrimento permeia essa família por todos os lados. A falta de afeto é algo que está presente e que acaba transformando a relação que cada uma tem com a outra. O abuso, o racismo parece que é inerente a sobrevivência delas. Parece que há a necessidade de passar por aquilo.

Em certo momento do livro eu parei e me questionei por que histórias com pessoas negras precisam ter tanto sofrimento? Qual a necessidade? Só que ao mesmo instante lembro da História. De como os negros são tratados ao longo dos séculos. Se hoje ainda necessidade de contar histórias assim é porque elas ainda acontecem e elas só acontecem porque existe um passado tenebroso que deu origem a isso tudo.

Essa história não tem final feliz. É algo real. Extremamente real. É triste ver como a nossa vivência pode impactar a forma como tratamos os outros. Como o nosso sofrimento e a falta de afeto afetam que está ao nosso redor. O problema é que a origem disso tudo é muito maior que nós e se não tivermos alguém para nos ajudar a vencer e transformar esses problemas os estragos continuaram passando de geração em geração.

Deixo a recomendação para quem quer ver uma nova perspectiva. Conhecer uma nova história.