Take a photo of a barcode or cover
Eu amei ler um pouco mais sobre como o povo Mawé explica o surgimento do mundo e a origem deles. Os mitos, as fábulas e todas as histórias que permeiam a cultura deles. Tem histórias bem engraçadas, bonitas e muito violentas.
Fora que é uma forma de aprender um pouco mais sobre os povos originários do nosso país. Nem sempre temos acesso aos pensamentos que eles possuem.
Super indico a leitura.
Fora que é uma forma de aprender um pouco mais sobre os povos originários do nosso país. Nem sempre temos acesso aos pensamentos que eles possuem.
Super indico a leitura.
Este é o segundo livro de Marcos Severo que leio e posso afirmar que o autor é um excelente contista. É extremamente estimulante ler contos tão bons. Super recomendo.
Alguns dos meus contos preferidos foram: Selvagem, Meio Amargo, O Jardim de Pedras, Abismo, O que Abel tinha a Ofertar e Caim a receber, Na casa do cordeiro, o lobo anfitrião, Carta para o ausente, Litoral.
Vale super a pena se embrenhar na escrita do autor. Agora quero ler os contos sobre amor que eles escreveu. Chega de tragédia, cinismo, violência e desgraças. Espero gostar tanto como gostei desse e do outro livro.
Alguns dos meus contos preferidos foram: Selvagem, Meio Amargo, O Jardim de Pedras, Abismo, O que Abel tinha a Ofertar e Caim a receber, Na casa do cordeiro, o lobo anfitrião, Carta para o ausente, Litoral.
Vale super a pena se embrenhar na escrita do autor. Agora quero ler os contos sobre amor que eles escreveu. Chega de tragédia, cinismo, violência e desgraças. Espero gostar tanto como gostei desse e do outro livro.
É um livro com a história legal e personagens bem cativantes. Mas sinto que faltou mais desenvolvimento. Uma encorpada na história seria tudo.
Mas acho que vale a pena pelo tipo de história e onde se passa. É um diferencial instigante. Daria um ótimo filme de terror no sertão.
O regionalismo dessa história é TUDO.
Uma Vida Pequena é um baita livro sobre amizade entre pessoas adultas. O amor fraterno permeia o livro do começo ao fim. Mesmo assim ele é pesado, é duro, é triste. Se uma pessoa não se emocionar em nenhum momento com esse livro pode enterrá-la porque com certeza ela está morta por dentro.
Eu perdi as contas de quantas vezes chorei. Chorei no início, chorei no meio e no fim. Apesar de ter momentos lindos entre Malcom, JB, Jude e Willem é a desgraça que prevalece. Sempre. Em certos momentos acreditei que aquele sofrimento era sádico demais. Não fazia sentido ter tanto sofrimento assim. Em vários momentos pedi que certo personagem morresse o mais rápido possível porque talvez eu também parasse de sofrer.
Tem uma cena que foi o ápice do sofrimento para mim. Eu pensei que não poderia ter coisas piores. E houveram. Ah, os anos felizes. hahahahaha Uma Vida Pequena é o livro mais triste que eu li na minha vida. Ter personagens tão reais que em algum momento você se identificará torna as coisas mais complicadas. Eu mesmo tive algumas crises de ansiedade.
Sei que o sofrimento toma destaque pelo menos foi assim pra mim. Mas é preciso ver que as relações de amizades presentes no livro nos ensina grandes coisas. O quão é importante é a sua vida e que de fato você faz diferença na vida das outras pessoas. A relação de Jude com Willem, Jude e Harold, Jude e Andy, todas as amizades que permeiam esse livro tem algo para nos dizer. É incrível.
Uma coisa que gostei extremamente foi a forma como a diversidade étnica e sexual foi tratada no livro. É natural. Em nenhum momento parece forçado. Yanagihara fez essa parte com maestria.
Eu não indicaria esse livro pra todo mundo. É uma obra cheia de gatilhos para violência, estupro, abuso sexual e psicológico, pedofilia. O livro vale super a pena, mas não é uma leitura fácil. Talvez o sadismo no livro te faça desistir e é totalmente compreensível.
Mayombe é uma ode crítica aos movimentos de esquerda.
Ao longo do livro Pepetela narra a luta dos guerrilheiros angolanos pela independência do país e contra o colonialismo. Nesse meio ele mostra os problemas que percorrem as ideologias. Principalmente por causa de homens que se colocam individualistas e gananciosos durante uma batalha que deveria ser coletiva em todos os seus momentos. Mostra além disso a diferença entre os intelectuais e o povo que se juntam para alcançar o mesmo objetivo.
Com uma prosa bastante interessante o autor busca não apenas contar o que aconteceu durante aquele período, mas também reflete com maestria sobre todo o progresso, o movimento, a vida, os companheiro e tudo aquilo que os rodeia. Também há muita reflexão sobre o colonialismo, racismo e tribalismo que muitas vezes tornava-se algo que interferia na integração dos combatentes. O Comandante Sem Medo é personagem que dá voz principalmente a todas essas indagações. Sendo ele um dos mais intelectualizados do grupo e excelente combatente.
Infelizmente há um cena bastante ruim sobre a relação de Comissário e Ondina. São um casal que tentam se resolver depois de uma traição. No entanto, a abordagem do autor é totalmente deplorável quando escolhe mostrar e, por conseguinte, romantizar uma cena de estupro. É preciso entender que mulheres também possam gostar de sexo brutal, mas isso não pode ser romantizado em forma de estupros. É preciso entender as diferenças entre essas duas coisas.
O livro termina com uma cena bastante bonita talvez demasiada heroica, mas não se pode dizer algo diferente já que Pepetela também participou como guerrilheiro na luta pela independência. Para mim, no entanto, o livro é importante por mostrar a luta e entender que ela não é perfeita e é preciso ser crítico em todo instante. É um bom livro para refletir sobre o comportamento e o pensamento para quem se posiciona como alguém de esquerda.
Ao longo do livro Pepetela narra a luta dos guerrilheiros angolanos pela independência do país e contra o colonialismo. Nesse meio ele mostra os problemas que percorrem as ideologias. Principalmente por causa de homens que se colocam individualistas e gananciosos durante uma batalha que deveria ser coletiva em todos os seus momentos. Mostra além disso a diferença entre os intelectuais e o povo que se juntam para alcançar o mesmo objetivo.
Com uma prosa bastante interessante o autor busca não apenas contar o que aconteceu durante aquele período, mas também reflete com maestria sobre todo o progresso, o movimento, a vida, os companheiro e tudo aquilo que os rodeia. Também há muita reflexão sobre o colonialismo, racismo e tribalismo que muitas vezes tornava-se algo que interferia na integração dos combatentes. O Comandante Sem Medo é personagem que dá voz principalmente a todas essas indagações. Sendo ele um dos mais intelectualizados do grupo e excelente combatente.
Infelizmente há um cena bastante ruim sobre a relação de Comissário e Ondina. São um casal que tentam se resolver depois de uma traição. No entanto, a abordagem do autor é totalmente deplorável quando escolhe mostrar e, por conseguinte, romantizar uma cena de estupro. É preciso entender que mulheres também possam gostar de sexo brutal, mas isso não pode ser romantizado em forma de estupros. É preciso entender as diferenças entre essas duas coisas.
O livro termina com uma cena bastante bonita talvez demasiada heroica, mas não se pode dizer algo diferente já que Pepetela também participou como guerrilheiro na luta pela independência. Para mim, no entanto, o livro é importante por mostrar a luta e entender que ela não é perfeita e é preciso ser crítico em todo instante. É um bom livro para refletir sobre o comportamento e o pensamento para quem se posiciona como alguém de esquerda.
Alerta: este livro contém violência doméstica, abuso emocional, estupro.
A distância entre nós conta a história de Sera e Bhima, as relações entre elas e as pessoas que as rodeiam. Há princípio eu acreditava que seria uma relação de amizade entre as duas. Mas ao longo da leitura percebemos que não é bem assim. Sera é de uma abastada e de uma classe mais alta. Bhima é mais pobre e trabalha para Sera e sua família. As relações das duas é muito mais classista e exemplifica muita mais como um patrão lida com o empregado. O poder e a influência da cultura, do dinheiro, da intelectualidade mostra-se muito mais presente.
Para além disso, Thrity Umrigar exemplifica como mesmo duas mulheres tão diferentes sofrem por viverem em uma sociedade extremamente machista e misógina. Em inúmeras passagens do livro há relatos de violência doméstica e abusos emocionais. Muito disso também se dá pela forma como a cultura familiar indiana interfere na vida das pessoas que a constituem.
A autora faz um bom relato de classe e poder ao apontar as diferenças nas vidas de Sera e Bhima. Do modo de viver de uma em um apartamento de luxo e da outra em uma favela que tem esgoto a céu aberto. Essa talvez seja o ponto alto do livro. O título do livro no meu ponto de vista reflete essa diferença grande diferença e distância entre elas. Por mais que haja uma tentativa de aproximação, de uma amizade o fator econômico, o poderio classista as repelem. A única coisa que as une é o sofrimento.
É um livro simples e de fácil leitura. Há um momento em que autora relata mortes sobre Aids, mas ela só joga os relatos lá e não explica muita coisa. Coloca falas racistas que não fazem nenhum sentido para um personagem insignificante. Apesar disso é um livro que entretém.
A distância entre nós conta a história de Sera e Bhima, as relações entre elas e as pessoas que as rodeiam. Há princípio eu acreditava que seria uma relação de amizade entre as duas. Mas ao longo da leitura percebemos que não é bem assim. Sera é de uma abastada e de uma classe mais alta. Bhima é mais pobre e trabalha para Sera e sua família. As relações das duas é muito mais classista e exemplifica muita mais como um patrão lida com o empregado. O poder e a influência da cultura, do dinheiro, da intelectualidade mostra-se muito mais presente.
Para além disso, Thrity Umrigar exemplifica como mesmo duas mulheres tão diferentes sofrem por viverem em uma sociedade extremamente machista e misógina. Em inúmeras passagens do livro há relatos de violência doméstica e abusos emocionais. Muito disso também se dá pela forma como a cultura familiar indiana interfere na vida das pessoas que a constituem.
A autora faz um bom relato de classe e poder ao apontar as diferenças nas vidas de Sera e Bhima. Do modo de viver de uma em um apartamento de luxo e da outra em uma favela que tem esgoto a céu aberto. Essa talvez seja o ponto alto do livro. O título do livro no meu ponto de vista reflete essa diferença grande diferença e distância entre elas. Por mais que haja uma tentativa de aproximação, de uma amizade o fator econômico, o poderio classista as repelem. A única coisa que as une é o sofrimento.
É um livro simples e de fácil leitura. Há um momento em que autora relata mortes sobre Aids, mas ela só joga os relatos lá e não explica muita coisa. Coloca falas racistas que não fazem nenhum sentido para um personagem insignificante. Apesar disso é um livro que entretém.
Esse é um livro que funcionaria melhor se fosse contado em primeira pessoa. A carga dramática aumentaria significativamente. Mesmo que não tenho sido escrito o livro continua bom. A história ainda que repetitiva traz uma perspectiva diferente daquela que estamos acostumados.
Acompanhamos o processo de Ângela em desistir de procurar o filho depois de 30 anos do desaparecimento dele. É uma jornada bem dolorosa porque ela deixou de viver para ficar 30 anos vivendo disso. Eu não consigo nem imaginar como é sentir algo parecido como a perda de um filho. Apesar de entender a questão da Ângela tenho que acreditar que ela seja um pouco egoísta em relação ao filho. Otávio, pai de Felipe, é pouco explorado nesse enredo. Ele está ali apenas como suporte a jornada da esposa. É uma bela relação diga-se de passagem, mas pouco explorada. O narrador só acompanha Ângela. Eu até consigo entender devido aos pré conceitos em que a sociedade impõe sobre mães e filhos. Rafael Gallo elenca esses motivos, mas não me convenceram de forma geral por não ter mostrado o sofrimento do pai.
Gallo também pincela rapidamente a diferença como famílias brancas são tratadas quando precisam de atendimento policial e o que difere de uma família preta. Ângela e Otávio são brancos e ricos e para diferenciar a histórias deles ela relata como aconteceu quando o filho de Dora, fundadora de uma instituição para mães que possuem os filhos desaparecidos, também some. É um detalhe importante mesmo que pouco exectutado.
Outro ponto legal do livro é a relação da Ângela com a sobrinha afilhada Isa. Toda essa situação afetou a família inteira inclusive a sobrinha. Mas isso fez com que elas acabassem se aproximando ainda mais. É legal reparar a importância que uma tem na vida da outra e como isso vai se construindo.
O livro tem uma história dolorosa, mas é bem tranquila de se ler. Recomendo para quem quer ler sobre uma nova perspectiva algo que é tão explorado.
Acompanhamos o processo de Ângela em desistir de procurar o filho depois de 30 anos do desaparecimento dele. É uma jornada bem dolorosa porque ela deixou de viver para ficar 30 anos vivendo disso. Eu não consigo nem imaginar como é sentir algo parecido como a perda de um filho. Apesar de entender a questão da Ângela tenho que acreditar que ela seja um pouco egoísta em relação ao filho. Otávio, pai de Felipe, é pouco explorado nesse enredo. Ele está ali apenas como suporte a jornada da esposa. É uma bela relação diga-se de passagem, mas pouco explorada. O narrador só acompanha Ângela. Eu até consigo entender devido aos pré conceitos em que a sociedade impõe sobre mães e filhos. Rafael Gallo elenca esses motivos, mas não me convenceram de forma geral por não ter mostrado o sofrimento do pai.
Gallo também pincela rapidamente a diferença como famílias brancas são tratadas quando precisam de atendimento policial e o que difere de uma família preta. Ângela e Otávio são brancos e ricos e para diferenciar a histórias deles ela relata como aconteceu quando o filho de Dora, fundadora de uma instituição para mães que possuem os filhos desaparecidos, também some. É um detalhe importante mesmo que pouco exectutado.
Outro ponto legal do livro é a relação da Ângela com a sobrinha afilhada Isa. Toda essa situação afetou a família inteira inclusive a sobrinha. Mas isso fez com que elas acabassem se aproximando ainda mais. É legal reparar a importância que uma tem na vida da outra e como isso vai se construindo.
O livro tem uma história dolorosa, mas é bem tranquila de se ler. Recomendo para quem quer ler sobre uma nova perspectiva algo que é tão explorado.
Que bagunça louca e maravilhosa!
Eu comecei lendo essa história achando tudo estranho e sem entender o que estava acontecendo. Terminei a história não entendendo por completo, mas simplesmente fascinado pelos mundos que Ana Cristina Rodrigues criou.
A história de três seres que acordam em um deserto sem saberem como foram parar lá e que juntos precisam encontrar uma saída é simplesmente sensacional. A jornada que acompanhamos é mais que a tentativa de sair do deserto que mais um prisão. É uma jornada de autoconhecimento e para entender os motivos que os fizeram chegar até ali.
O livro intercala presente, passado e a história sobre os mundos/cidades e o deserto. O ponto alto para mim eram sempre as histórias dos passados dos personagens principais: Clio, o Rei-máquina e Íbis. São passados cheios de violência, dor e sofrimento. E ainda assim fantásticas. No começo não gostei do a história poderia se tornar, mas acabei me apegando aos personagens e fui surpreendido inúmeras vezes. O livro também traz discussões pertinentes sobre acesso ao conhecimento e luta de classes.
Eu recomendo demais para quem está a fim de se aventurar em uma fantasia científica (?) nacional de qualidade. Fui surpreendido.
Eu comecei lendo essa história achando tudo estranho e sem entender o que estava acontecendo. Terminei a história não entendendo por completo, mas simplesmente fascinado pelos mundos que Ana Cristina Rodrigues criou.
A história de três seres que acordam em um deserto sem saberem como foram parar lá e que juntos precisam encontrar uma saída é simplesmente sensacional. A jornada que acompanhamos é mais que a tentativa de sair do deserto que mais um prisão. É uma jornada de autoconhecimento e para entender os motivos que os fizeram chegar até ali.
O livro intercala presente, passado e a história sobre os mundos/cidades e o deserto. O ponto alto para mim eram sempre as histórias dos passados dos personagens principais: Clio, o Rei-máquina e Íbis. São passados cheios de violência, dor e sofrimento. E ainda assim fantásticas. No começo não gostei do a história poderia se tornar, mas acabei me apegando aos personagens e fui surpreendido inúmeras vezes. O livro também traz discussões pertinentes sobre acesso ao conhecimento e luta de classes.
Eu recomendo demais para quem está a fim de se aventurar em uma fantasia científica (?) nacional de qualidade. Fui surpreendido.
Em Gênero e Desigualdades a autora, Flávia Biroli, discute o quanto a falta de participação das mulheres na política afeta o progressismo e as pautas que abracem as minorias. Mais especificamente pautas feministas. E como a sociedade patriarcal dificulta a inserção da mulher no campo político.
A autora perpassa por temas já recorrentes ao feminismo como desigualdade no mercado de trabalho, políticas sobre saúde feminina e o mais polêmico (quando esbarra nos conservadores) aborto. Um dos capítulos que mais gostei e que não tinha visto nenhuma perspectiva foi quanto aos cuidados. Cuidado privado e cuidado público. A falta de políticas que pensam no coletivo e no cuidado público que afetam diretamente as mulheres. Sem a ajuda do governo a mulher não tem tempo para se dedicar aos estudos e movimentos para ingressar na política. Há sempre um subemprego, filhos ou familiares que precisam de cuidados, além da terceira jornada que mulheres se dedicam quando chegam em casa. Ao homem cabe apenas trabalhar para sustentar. Não há divisão em trabalho em casa.
Outros temas bastantes relevantes são o familismo e o maternalismo que cresceram com o advento da política neoliberal e conservadorismo. A autora exemplifica o quanto isso afeta as políticas minoritárias não só no Brasil, mas em toda a América Latina. O moralismo conservador sexual age de maneira perigosa quando propostas que discutem pautas sobre sexualidades. Isso tudo também interfere nas medidas contra o aborto, mas não na esterilização compulsória de mulheres negras e pobres. O que demonstra a hipocrisia dos políticos brasileiros.
O último capítulo é um dos mais importantes. A autora faz um histórico de como as feministas brasileiras lutaram para que pautas sobre mulheres entrassem no campo político. Demonstra o que a luta não é novidade. Elas existem há muito tempo. As feministas agiram no campo político lutando e conseguindo conquistar inúmeros objetivos para a vivência das mulheres. No entanto, também foram derrubadas e passadas para trás em vários momentos. Inclusive por aqueles que se diziam progressistas.
O recorte de gênero é o que dá sustentação a proposta que o livro pretende discutir, mas Biroli trabalha com recorte racial e de classe. O que faz da pesquisa mais interessante e mais importante. Excluir mulheres negras e pobres de um texto como esse seria leviano. É importante fazer recortes para que haja credibilidade. Até porque é a classe trabalhadora e a população negra que carrega o país nas costas.
Super recomendo.
A autora perpassa por temas já recorrentes ao feminismo como desigualdade no mercado de trabalho, políticas sobre saúde feminina e o mais polêmico (quando esbarra nos conservadores) aborto. Um dos capítulos que mais gostei e que não tinha visto nenhuma perspectiva foi quanto aos cuidados. Cuidado privado e cuidado público. A falta de políticas que pensam no coletivo e no cuidado público que afetam diretamente as mulheres. Sem a ajuda do governo a mulher não tem tempo para se dedicar aos estudos e movimentos para ingressar na política. Há sempre um subemprego, filhos ou familiares que precisam de cuidados, além da terceira jornada que mulheres se dedicam quando chegam em casa. Ao homem cabe apenas trabalhar para sustentar. Não há divisão em trabalho em casa.
Outros temas bastantes relevantes são o familismo e o maternalismo que cresceram com o advento da política neoliberal e conservadorismo. A autora exemplifica o quanto isso afeta as políticas minoritárias não só no Brasil, mas em toda a América Latina. O moralismo conservador sexual age de maneira perigosa quando propostas que discutem pautas sobre sexualidades. Isso tudo também interfere nas medidas contra o aborto, mas não na esterilização compulsória de mulheres negras e pobres. O que demonstra a hipocrisia dos políticos brasileiros.
O último capítulo é um dos mais importantes. A autora faz um histórico de como as feministas brasileiras lutaram para que pautas sobre mulheres entrassem no campo político. Demonstra o que a luta não é novidade. Elas existem há muito tempo. As feministas agiram no campo político lutando e conseguindo conquistar inúmeros objetivos para a vivência das mulheres. No entanto, também foram derrubadas e passadas para trás em vários momentos. Inclusive por aqueles que se diziam progressistas.
O recorte de gênero é o que dá sustentação a proposta que o livro pretende discutir, mas Biroli trabalha com recorte racial e de classe. O que faz da pesquisa mais interessante e mais importante. Excluir mulheres negras e pobres de um texto como esse seria leviano. É importante fazer recortes para que haja credibilidade. Até porque é a classe trabalhadora e a população negra que carrega o país nas costas.
Super recomendo.
2,5
Não me convenceu. Harari tem argumentos válidos em alguns assuntos, mas grande parte do que escreve soa extremamente alarmista. As falas sobre inteligência artificial logo no início demonstram isso. Tecnologia, internet e dados são assuntos importantes e precisam ser discutidos.
Mesmo com respaldo científico e críticas necessárias o autor muitas vezes soa debochado com opiniões e falas problemáticas. O capítulo sobre Imigração é um grande exemplo sobre isso. A forma como relativiza mortes no capítulo sobre Terrorismo também não me apeteceu.
O ponto positivo do livro são os fatos históricos apresentados por Harari. Apesar de não ter curtido muito penso em dar outra chance para o autor e ler uma de suas outras obras. No entanto, 21 Lições Para o Século XXI deixa muito a desejar. O livro é de fácil entendimento.
Não me convenceu. Harari tem argumentos válidos em alguns assuntos, mas grande parte do que escreve soa extremamente alarmista. As falas sobre inteligência artificial logo no início demonstram isso. Tecnologia, internet e dados são assuntos importantes e precisam ser discutidos.
Mesmo com respaldo científico e críticas necessárias o autor muitas vezes soa debochado com opiniões e falas problemáticas. O capítulo sobre Imigração é um grande exemplo sobre isso. A forma como relativiza mortes no capítulo sobre Terrorismo também não me apeteceu.
O ponto positivo do livro são os fatos históricos apresentados por Harari. Apesar de não ter curtido muito penso em dar outra chance para o autor e ler uma de suas outras obras. No entanto, 21 Lições Para o Século XXI deixa muito a desejar. O livro é de fácil entendimento.