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fevi's Reviews (834)


3,5

A dança da água não é um livro ruim, mas entendo quem não gosta e quem ficou decepcionado. A escrita de Ta-Nehisi Coates segue sendo excelente e faz com que a história não seja ruim de ler. Esse é um dos grandes pontos positivos. Infelizmente, a escolha narrativa do autor faz com que ela fique fraca. Coates perdeu uma grande oportunidade de explorar o elemento que fazia de sua história algo diferente.

No livro acompanhamos Hiram, personagem principal que é o narrador, lembrando dos acontecimentos da sua vida da infância à juventude. Esse é um processo lento e com bastante detalhes. É uma escolha que influencia bastante no ritmo de leitura. Acredito que foi aí que muitas pessoas desistiram. Não é um livro com viradas a toda hora e nem com longas passagens. Com Hiram vemos como viviam os tarefeiros, negros escravizados que faziam inúmeros tipos de trabalho, como era a vida nas pequenas cidades, a relação com os escravizadores, as festas, os laços. Além disso, tudo há um fator mágico na história relacionada com a fuga dos negros. É justamente nesse ponto que Ta-Nehisi Coates peca. Ele não explora essa magia, esse elemento.

O desenvolvimento de Hiram é muito bom, mas a exploração do seu "dom", da sua habilidade mágica é pouco desenvolvida. O autor foca nessa parte em apenas dois capítulos muito bons, mas para mim, não foi o suficiente. Era essa parte que traria a diferença, mas o autor preferiu focar no desenvolvimento do personagem e nos conflitos que envolviam os seus sentimentos. A questão de ser filho de um homem branco, de não conseguir lembrar da sua mãe, traição de outras pessoas negras, o amor.

Enfim, é um livro bom e com inúmeras críticas e vários apontamentos históricos. No entanto, a escolha narrativa do autor fez que a obra perdesse muito do seu potencial. Se você gostou do livro, recomendo o filme Harriet que conversa bastante com a obra. Não é por acaso que Harriet é uma das personagens que aparecem nesse livro.

3,5

As histórias que o Vitor Martins escreve são um conforto para a nossa alma. É o brigadeiro quando você está triste, a conchinha quando você precisa de calor e o abraço quando você precisa de carinho. O sentimento é sempre esse. De coisa boa pro coração.

Acreditei que seria uma leitura agregadora, mas infelizmente foi bem aquém daquilo que esperava. Há sempre aquele problema de rico dando conselho para pobre e esquecendo de analisar o conjunto. Enfim, dá para tirar alguma dica, mas não me apeteceu.

Bem escrito, denso e com personagens enigmáticos. As inúmeras coincidências em vários capítulos fizeram com que o enredo perdesse qualidade e ficassem forçadas. Não é um livro muito cativante ou muito prazeroso apesar da leitura fluir muito bem. Outras escolhas narrativas do autor também me soaram bem problemáticas. No fim acabei ficando apenas satisfeito.


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É uma obra que discute racismo, passabilidade branca entre outros temas de forma clara, direta e simples. Infelizmente, simples demais. Gostaria que a estória tivesse um desenvolvimento melhor e profundidade que os temas. Com as escolhas feitas pela autora perdemos narrativas que seriam mais convidativas e reflexivas. O final também não me agrada. Apesar disso gosto do tema do livro mesmo sendo pouco explorado e desenvolvido.

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Cidinha da Silva perpassa por vários temas ao longo de suas crônicas: ancestralidade, sexualidade, política, negritude, religião, cotidiano, gênero entre outros. Os textos que abordavam uma visão mais política foram os que mais me agradaram. Da Silva tem críticas bastante estruturaras e significativas em seus textos. Não há como discordar do que ela diz.

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Becos da Memória é uma colcha de retalhos. Conceição Evaristo vai narrando histórias de vários personagens. São vários fragmentos ao longo do livro. São relatos de sofrimento, dores, perdas, mortes. Mas há espaço para a alegria, a festividade, o amor, o acolhimento, a generosidade. Ao narrar acontecimentos ela vai construindo o mundo da favela onde os personagens ali vivem.

Mais uma vez Evaristo dá voz aos marginalizados. Centraliza as experiências e vivências. Ela costura as histórias construindo um espaço onde há discussões sobre como o passado reflete a vida dos favelados. Como eles chegaram ali, como foram abusados e ainda assim tiveram esperança e força para tentar construir um espaço, uma vida melhor.

É uma leitura triste, mas não é tortura. Há muitos momentos para que o coração bate aliviado mesmo que esteja rodeado por coisas ruins.

É um bom livro. É como se estivéssemos escutando os mais velhos narrando o passado. E é justamente isso que a literatura de Conceição Evaristo é dar espaço para as suas escrevivências. Fica a recomendação.

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Os meus contos preferidos foram:

Chorões e bananeiras;
Sumidouro;
Gosto de amora;
Meias de seda se esgarçando.

Acho que os contos escritos em primeira pessoa me conquistaram mais que os outros. O estilo de narrativa e a forma como o autor escreve saem melhor nessa voz.

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A Estação das Sombras, com certeza, foi uma das melhores leituras do ano para mim.

A escritora Léonora Miano traz na obra uma perspectiva sobre a escravização de negros africanos que eu nunca havia lido em forma ficcional. Ela tenta nos contar como os clãs na África Subsaariana reagiam e lidavam com a captura dos membros de seu povo para abastecer o tráfico negreiro.

É uma reação sobre o inesperado e desconhecido que desnorteia aqueles que ficam e não sabem lidar com mudanças tão repentinas. A história ainda mostra alianças entres colonizadores e povos que possuíam mais integrantes e força. Ou poderio.

Como se trata de um livro sobre escravidão, destruição de povos e culturas não tem como ser uma leitura feliz. Há muitas passagens tristes e com teor violento. Nada muito gráfico, mas extremamente pesada em suas descrições. Não há como sair ileso das palavras que descrevem situações em que o ser humano insiste em desumanizar o semelhante.

Apesar de tentar das passagens tristes, Miano explora a parte cultural dos povos. Uma das partes mais trabalhadas é a importância ou irrelevância das mulheres. Como elas são tratadas, agem, são vistas. Há uma discussão sobre o patriarcado mesmo em uma sociedade onde mulheres têm a sua importância.

Para além disso, é um livro super bem escrito e profundo. Essa nova perspectiva ganhou pontos comigo. Fiquei emocionado e cheguei a chorar algumas vezes ao longo da história. É uma leitura que vai crescendo. Infelizmente, não acho que seja um livro com perfil para agradar todo mundo. Apesar disso deixo a recomendação. É uma história que me conquistou.

Paulina Chiziane é uma escritora moçambicana que ganhou a minha admiração. A sua prosa me encanta demais. Não há como negar isso. No entanto, sempre acho que alguns dos seus enredos deixam a desejar. É o que acontece aqui em Niketche.

A autora desenvolve muito bem as suas críticas e as suas construções relacionadas aos temas que trabalha. Mais uma vez ela esmiúça a condição da mulher no mundo. Como elas são explicadas, abusadas e renegadas em um mundo dominado por homens que tenta a todo instante desprezar tudo que há de feminino no mundo. Chiziane também transcorre como ninguém como a dominação colonial influencia a vida de suas personagens, como a religião católica tem o seu apelo fervoroso e dominante sobre muitos que foram induzidos a acreditar nela. Ainda de forma especular mostra as diferenças entre as várias etnias e seus aspectos culturais. Como se sabe, em África diversas etnias foram postas no mesmo território e formam uma única nação devido ao período de colonização. Nesses quesitos a autora demonstra uma capacidade ímpar de discutir aquilo que mais afeta a condição das mulheres e daqueles que foram dominados. Além de falar tão belamente sobre os sentimentos que nos afligem.

No entanto, como ela conduz a estória como ela escolhe como as ações acontecem tiram um pouco do poder daquilo que ela deseja nos contar. Algumas vezes há muitas passagens de tempo, não há desenvolvimento de certos personagens ou explicações para suas escolhas. Enfim, a narrativa nem sempre anda com o desenvolvimento dos temas. Isso enfraquece a estória, mas não a torna desinteressante. Só um pouco menos empolgada.

Deixo a recomendação para quem quer descobrir novas leituras, mas deixo claro que o meu livro preferido da autora é O Alegre Canto da Perdiz.