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fevi


Quem me conhece sabe o quanto eu amo funk.

Não li a sinopse do livro e acreditei que trataria do funk carioca que conhecemos hoje em dia, mas foi melhor do que isso. O livro trata das primeiras impressões, dos primeiros bailes funk (música americana) na Rio de Janeiro. Claro que posteriormente esses bailes dariam origem aos bailes do funk carioca.

É uma leitura agradável que mostra de forma honesta os acontecimentos de um baile, os personagens mesmo que de forma superficial. A minha crítica é sobre o autor dizer que as festas não eram um local de movimentos políticos dos negros como alguns de outrora. No entanto, é importante dizer que as festas eram predominante negras e que a etnia, mesmo não sendo um quesito importante para os frequentadores, faz diferença sim mesmo que não haja uma militância por trás.

É um ótimo livro antropológico e um excelente abordagem sobre a história dos bailes funk com músicas norte-americanas (rap, soul, cultura hip-hop). Leitura enriquecedora.

O alquimista é basicamente uma autoajuda romanceada que mistura religião. A mensagem que Paulo Coelho tenta passar chega a ser irritante pelo tanto de vez que remete a mesma coisa pelo umas três vezes no mesmo capítulo. É forçado.

Pensei que ia gostar mais, mas não foi verdade. Aliás, eu ri com quando ele descobriu o que tinha que descobrir. Fiquei "mas não pode ser....". Apesar disso consigo entender o motivo das pessoas acharem a mensagem inspiradora. Nós precisamos muitas vezes nos cercar de mensagens positivas. Mas infelizmente o discurso do Coelho não me tocou.

3,5

O Rio do Meio da Lya Luft é um livro de não-ficção, mas que contém uma dose grande de ficção. A autora fala sobre momentos que permeiam a vida. Ela aborda a infância e velhice dela, de outros e de personagens fictícios. Comenta sobre sobre a morte, sobre homens e mulheres e sobre a morte. É um livro bastante poético e gostoso de ser ler. Ela possui uns pensamento legais e bonitos, mas outros que eu discordo um pouco. Nada muito grave. É uma leitura prazerosa e que faz pensar.

Eu gosto muito da escrita da Adriana Falcão. Com esse livro de crônicas pude ver um novo lado da sua escrita. A primeira parte que fala sobre amor foi a que eu mais gostei de ler. No entanto, o meu texto preferido é o entitulado "Palavras".

Em alguns textos vi umas insinuações machistas, mas nada muito grave. É um bom livro.

Eu chorei algumas vezes lendo esse livro. A história de vida de Ishmael Beah é extremamente triste, dolorosa, pesada. Não tem como ficar revoltado com toda a situação que ele viveu. Há inúmeras passagens tristes, mas também chorei de felicidade.

É triste perceber o quanto políticos e pessoas que buscam vingança a todo custo podem acabar com a vida de outros. Principalmente quando são crianças. É importante perceber que o amor e o carinho pode fazer uma diferença significativa.

A violência e lavagem cerebral na história de Beah é o que permeia grande parte história de Serra Leoa. Deixo aqui a recomendação de um bom livro. Se você não gostar da forma que ele escreve que é faz a leitura se tonar tranquila pelo menos pode aprender o que uma guerra pode causar na vida de milhares de pessoas ao redor do mundo.

Pelo que li nesse manual do guerrilheiro urbano do Marighella provavelmente não faria parte dessa revolução por não ter ódio suficiente no coração. Claro que há muitas coisas no texto que não concordo, mas também sei que não há como lutar contra uma ditadura com bandeiras de paz e conversas quando o exército e a polícia atacam com armas e torturas. Então o texto do Marighella mostra que há uma tentativa de lutar de igual para igual. Mesmo o oponente sendo mais forte.

O texto é bastante repetitivo. Mas deixa claro qual a função do guerrilheiro na luta pela libertação do país de um governo ditatorial e imperialismo americano.

Espero que eu nunca precise usar esses ensinamentos, mas caso for necessário, até ódio no coração a gente coloca.

Só a capa é bonita.

O livro é cheio de personagens mal desenvolvidos e escorada em um problema neurotípico. É uma história ruim que acredita que o plot twist vai salvar o resto do livro. Não foi o que aconteceu. Não deu para entreter. Não recomendo.

#BingoLitNegra #LeiaNegros



Que história genial! Nei Lopes conta a história de uma nação, Oiobomé, formada só por índios e pessoas negras na Ilha de Marajó no Norte do Brasil. Essa é uma nação que com o tempo se torna independente e não sofre influência nenhuma do "grande país da América do Sul". Tem sua própria, língua, cultura, forma de governar. O país surge ainda no Brasil Colônia e vai crescendo com o tempo. Nós acompanhamos principalmente os políticos que o governa durante o passar dos anos. E é incrível, porém rápida e sem grandes detalhes. 

Foi essa falta de grandes detalhes e começo meio alucinado que me fizeram ficar um pouco triste. Mas não tem como não pensar como seria um país formado por negros ex-escravos e pelos nativos do Brasil. Com certeza seria incrível. O livro é uma ficção histórica e vire e mexe aparece algum personagem negro ou branco não só do Brasil, mas de outros lugares como Estados Unidos, Cuba, Jamaica. Ao mesmo tempo em que flashes da terra tupiniquim aparecem ali no meio. É um livro que enaltece de uma forma bem legal a cultura negra. Apesar dos vários problemas reais que aparecem ao longo da história de Oiobomé quase tudo ali parece meio fantasioso. Porque geralmente sempre acaba tudo bem. Utópico, na realidade. 

É uma leitura rápida, prazerosa e instigante a partir de quase da metade do livro quando realmente Oiobomé é fundada. Recomendo porque a premissa do livro é incrível. 

P.s: fiquei bem chateado quando no único momento em que o autor fala sobre relações homoafetivas no epílogo do livro ele usa "homossexualismo". Foda ):

#BingoLitNegra #LeiaNegros

Teju Cole traz em Cidade Aberta uma reflexão sobre pessoas, lugares e comportamentos. Não é um livro de plot twits, é um livro de contemplação. É um livro com tantas referências a cultura, filosofia, músicas, países que eu tenho certeza que nadei de braçadas na ignorância tendo que ir muitas vezes ao Google. Mas isso é bom, é sair da zona de conforto.

Por meio de Julius, personagem principal, e suas andanças por Nova York, Bruxelas e infância na Nigéria, Teju Cole, propõe conversas intelectuais sobre o mundo. Os capítulos de quando Julius viaja para Bruxelas é uma das partes que eu mais gostei de ler. O capítulo em que ele conversa com Farouq em um bar português é um dos pontos altos do livro pra mim. As conversas com o professor Saito também eram maravilhosas.

O personagem principal é psiquiatra então vemos e lemos muito sobre a mente humana e as suas complexidades. É também é sobre a solidão que permeia a vida do meio nigeriano, meio alemão que enquanto percorre Nova York vai contando a sua história.

Admito que talvez não tenha capitado a essência do livro de um todo, mas posso dizer que foi uma leitura que de certa forma acrescentou algo para mim. Também acredito que nem todo mundo irá gostar enrendo por não ter grandes acontecimentos e ter muito papo cabeça intelectualizado. Mas garanto que é uma ficção boa e com uma escrita maravilhosa. E que merece releitura, pelo menos para mim.

Fica a recomendação.

#BingoLitNegra #LeiaNegros

Que livro maravilhoso! Evando Nascimento escreve maravilhosamente bem. Eu fiquei embasbacado. Os primeiros contos não me encantaram, mas a partir da metade da primeira parte eu fiquei envolvido com tudo que via pela frente. Evando é um ensaísta bastante reconhecido e tem algumas ficções publicadas. O livro é divido em contos e crônicas que abordam violência, incesto, sexo, canibalismo, diabo, classes sociais. Alguns temas difíceis de serem trabalhados e que geralmente trazem ojeriza, mas é tudo escrito de maneira tão perfeita que você fica admirando o texto do autor. É magnífico. Fiquei com vontade de ler as outras obras ficcionais do autor. Evando Nascimento me ganhou com esse livro.

Os meus contos preferidos foram:
- Táxi;
- Altamente Confidencial;
- Terra à vista;
- Demo;
- É hoje!;
- Muito prazer,;
- Édipo Solar;
- O banquete.