fevi's Reviews (834)


Ok e nada além disso.

3,5

O Conde de Monte Cristo é uma grande novela das seis de nível mediano. Deixando bem claro que é na minha experiência de leitura.

O livro é muito bem escrito. Apesar de ser uma história enorme ela não é cansativa. Acredito que seja justamente por ser ter uma escrita que faça a leitura ser bem conduzida. Não digo o mesmo da história em si.

Acredito que todo mundo saiba mais ou menos do que se trata a história mesmo sem nunca ter lido o livro. Um homem volta pra se vingar daqueles que um dia lhe fizeram algum tipo de maldade. O início de tudo nos mostra o quanto Alexandre Dumas é prolixo, mas ainda é algo que prende a sua atenção por ser bem conduzido. Tudo demora.

A minha parte preferida do livro é quando Edmond Dantès, já preso, começa a se relacionar com o abade Faria. É uma relação de amizade lindíssima e transformadora para Dantès. Veremos isso no decorrer da vida do conde de Monte Cristo. Outro ponto positivo e que pra mim é muito perceptível é o quanto Dantès e Conde de Monte de Cristo são extremamente diferentes mesmo sendo a mesma pessoa. Tanto que amei Dantès e odiei em certa medida o Conde.

Como praticamente quase todo camalhaço, este poderia ter sido enxugado em grandes partes. Tanto que você só começa a ver resultados significantes das vinganças depois da metade do livro. Praticamente 70%. É complicado. Outra falha que ao meu ver Dumas cometeu foi não ter mostrado a transformação de Dantès em Conde de Monte Cristo. De repente você Simbad, o marujo fazendo algo e no capítulo seguinte já se passou vários anos e Monte Cristo já uma pessoa bem relacionada e com vários contatos pelo mundo. Você fica sem entender como aquilo é possível já que Dumas não mostra. É claro que ao longo da história ele vai contando como o Conde de Monte Cristo sabia de determinada coisa e como ele influenciou para que tudo chegasse àquele momento. Um tanto exagerado.

Outra porção da minha decepção foi por achar que seria uma história com mais ação e não foi. É um livro sobre relacionar, se portar e como gastar dinheiro. rs

O livro não é ruim e não é cansativo, no entanto, a história poderia ser bem melhor e mais reduzida. É cruel demais esperar lutas, batalhas e vinganças e elas só acontecerem praticamente no final do livro ou nem isso. A vingança é um prato que se come gelado aqui.

Eu estou sem chão. Não consigo dizer se a Conceição Evaristo é cruel demais ou realista demais. No entanto, é importante que a autora dê vida e voz a personagens que em sua grande maioria são esquecidas tanto na vida real quanto na ficção. Este livro é o suprassumo da dor e do sofrimento da vida de personagens negros. É de partir o coração.

Super indico a leitura.

3,5

Até eu que sou um pouco rancoroso estou chocado com o nível de rancor desse protagonista.

A princípio eu acreditei que em “As brasas” se daria um diálogo entre amigos que estavam há muito tempo sem se ver. No entanto, o livro trata-se de um monólogo. Henrik vai divagando sobre a amizade entre ele e Konrad depois de 41 anos sem eles se verem. Entre questionamentos e filosofias vai questionando sobre amizade, ética, amor entre as relações entre as pessoas.

“As brasas” é um livro muito bem escrito. Com um poder de narração fantástico. A história é bem simples, mas te puxa atenção por você querer entender o que se passou entre eles. O livro discute sobre a natureza do que é ser humano. E são as indagações que fazem dessa história ótima de se acompanhar.

Apesar de todos os pontos positivos achei os alguns pensamentos e apontamentos do autor um tanto machistas e racistas. Fora a maneira como ele fala dos esteriótipos das pessoas que vivem “abaixo dos trópicos”.

Fora isso é um bom livro para refletir.

ALERTA: Esse livro contém automutilação, estupro, infanticídio e maus-tratos.


Uma Duas mexeu muito comigo. É um livro extremamente pesado e totalmente diferente daquilo que a gente está adaptado a esperar de uma relação entre mãe e filha. Talvez pareça exagerado, mas as notícias do mundo real lhe garantem um quê de realidade.

Eliane Brum mostra nesse livro o quanto a maternidade é muitas vezes compulsória a nossa sociedade. Não há motivo ser mãe quando você não o deseja. A autora deixa isso extremamente explícito. Brum também mostra como o passado e falta do sentir, do sentimento positivo na vida de uma pessoa pode transformar e arruinar a vida dos outros.

Ser amado, bem cuidado faz toda a diferença na trajetória de vida do ser humano. Eu não quero justificar os atos das personagens, mas acredito que a falta disso em certa medida acarretou nos acontecimentos.

As personagens são tenebrosas ou será que estou julgando demais? Tanto Maria Lúcia, a mãe, e Laura, a filha, são antagonistas entre si. No meu entendimento, não são pessoas boas. Elas sabem disso. E o passado tem culpa nisso.

Senti nojo, fiquei assustado e surpreso. Esse livro mexeu comigo. Talvez Brum tenha tido necessidade de provocar e escrachar mostrando um lado não tão bonito dos sentimentos humanos. Comigo deu certo.

Um ponto da escolha de como narrar foi um jeito que me surpreendeu de maneira positiva. O momento que a terceira voz em primeira pessoa aparece foi um espetáculo.

Uma Duas é estranho e que exige da gente mesmo sendo pequeno porque não é uma leitura agradável. O lado ruim do ser humano sempre nos chocará. Mas deixo aqui a minha indicação alertando que não é um livro para todos.

O que um chifre não faz com os cornos, não é mesmo?

Eu achei esse livro todo meio bleh. Apesar de ter lido em apenas um dia, o livro não me prendeu por ser extremamente bom, mas por ser incrivelmente fluido. Os capítulos extremamente curtos fazem com quem a leitura avance rapidamente.

O que me incomodou ao longo da leitura esteve uma explicação no final do livro, mas quando chegou lá eu já estava aborrecido com a situação. Ainda assim o autor conseguiu tirar um suspiro de mim.

Eu achei confuso e sem fundamento.

A escrita de Ferrante é instigante, mas a história de Um Amor Incômodo não surtiu efeito em mim. Apesar dos temas trabalhados aqui estarem em todos os outros livros da autora achei esse não tão bom.

Eu duvidei da personagens em todos os momentos de alguma reviravolta. Ela não conseguiu me conquistar e fazer com que eu ficasse do lado dela. E isso é não me traz tranquilidade por ser uma história cheia de abuso e violência contra as mulheres.

Em nenhum dos outros livros, todos narrados em primeira pessoa, eu fiquei tão desconfiando quanto nesse. Eu fico mal por não conseguir me afeiçoar a tal personagem e sua história.

Recomendo só pra quem é fã da autora e quer saber como é.

3,5

Desconstruindo Una é uma graphic novel excelente No que se propõe. O meu único problema em relação em como a história da autora foi inclusa. Ficou meio estranho. No sentindo de muitas vezes os dados ou informações não conversarem com o dados pessoais.

Entretanto, é preciso falar da importância de uma obra como essa em que a misoginia é a personagem principal. A GN não é ficcional. A autora utiliza de inúmeros dados e estudos para mostrar o quanto a violência de gênero está presente na sociedade e o quanto as autoridades estão despreparadas para resolveres essas situações.

Una une a sua história que também possui um passado de violência e abuso sexual com as histórias de mulheres que foram mortas e ou abusadas por um homem durante a década de 70/80.

A autora também elenca os traumas que mulheres abusadas e que sofrem qualquer tipo de violência vão viver depois de passar por essas situações. Mostra como o patriarcado e a misoginia está extremamente infiltrada na sociedade. Ela também discute sobre que o violentador/ abusador nem sempre é aquele homem vendido como mal, ruim. Ele é, na maioria das vezes, apenas um homem comum e geralmente conhecido pela vítima. Não há porque criar um monstro quando são pessoas comuns que cometem atrocidades.

A violência de gênero está arraigada na misoginia. No ódio da sociedade perante as mulheres. Desconstruindo Una é um excelente conteúdo para fazer com que pessoas procurem entender o porquê desse tipo de violência, discutir e procurar mudar essa situação.

Recomendo.

Bem-vindos à Rua Maravilha é uma homenagem aos que sofrem com a síndrome do impostor. É uma história que conversa muito com os jovens da atualidade. E isso é incrível. No entanto, o protagonista Igor é 70% da história insuportável. É uma personagem egocêntrica que acredita que tudo que acontece no mundo de alguma forma vai chegar até ele ou é por causa dele. Devido a isso os personagens secundários crescem absurdamente. Tim, Jackie, Siena e até mesmo André extremamente bem conduzidos nessa jornada.

Acredito que o sucesso do livro se dê pela identificação dos leitores com o Igor. Quem não tem medo de falhar? Quem não acredita no próprio potencial? Há tantos casos por aí. Não é por acaso que inúmeras pessoas discutem sobre isso. Eu me identifiquei e ao mesmo tempo me questionava se seria tão insuportável quanto Igor. Espero que não.

O livro tem uma dinâmica muito rápida. Muitas coisas acontecem em um mesmo capítulo fazendo com que a história avance. O autor, Gabriel Mar, deixa isso claro logo no primeiro capítulo. Apesar de fazer com que a história não fique parada fico questionando o que poderia ter sido apresentado de outra forma se não houvesse essas passagens tão rápidas. Isso me leva a outra crítica, para mim, o livro ficaria muito mais grandioso se a história fosse escrita em terceira pessoa. Acompanharmos só a visão do Igor sobre tudo é chato. Os melhores momentos do livro é quando Igor para escutar os amigos que trabalham com ele na peça. O capítulo "Herói" em Jackie conta um pouco sobre a sua vida é um dos melhores.

Tudo que envolvia Igor era um pouco complicado de acompanhar. Muitas vezes ele só parecia mimado e irresponsável. Eu queria ter visto mais profundidade na família e na relação com o Gael. Mas quando isso começou acontecer já era tarde. Como disse antes a história cresce quando os personagens secundários possuem voz. No final quando o Igor começa a escutar os outros tudo fica mais agradável. Nesse momento a personagem principal melhora, entender os outros e a se entender. Já que essa era uma grande questão de toda a história. A evolução do personagem cresceu o enredo.

A escrita do Gabriel Mar é muito boa. Isso faz com que você fique na história. Alguma coisa você vai sentir e acho que isso é importante. Nem que seja raiva. O período em que os personagens ficam confinados ensaiando foi bem legal. Eu jurava que no final do livro teria algum capítulo com a peça Rua Maravilha. Eu fiquei com vontade de acompanhar as músicas, as falas e tudo mais. Essa parte me pegou.

A mensagem que o livro é positiva e isso conta muito. Maravilhas vão acontecer com todos nós. Acreditar em si mesmo e no seu potencial é importante para que haja transformação ao nosso redor e na nossa vida. É importante escutar e cuidar dos amigos. Da família. De você mesmo. Que sejamos maravilhosos.

Fofo e com uma mensagem bem bonita. No entanto, achei o enredo fraco. Poderia ter mais informações sobre os personagens. Um desenvolvimento maior. Mas ainda fofo.