fevi's Reviews (834)


Não curti muito os três contos desse livro. Talvez, o terceiro tenha sido o que mais ganhou a minha simpatia mesmo assim não é lá muito essas coisas. Também não curti a escrita. O segundo conto é desnecessário. Achei tudo muito qualquer coisa. Mas a minha opinião pelo jeito difere muito das outras resenhas. rs

#BingoLitNegra #LeiaNegros

O livro tem a abordagem diferente que eu imaginei que teria. O livro tem muito de memória e biografia. Acredito que Hart tenha utilizado essa abordagem para fazer com que o leitor ficasse mais próximo de um assunto que ele defende: a descriminalização das drogas hoje ditas ilegais nos EUA e o seu ponto de vista não tão estarrecedor sobre vício nessas drogas.

Carl Hart dá sempre um panorama sobre a sua vida no início de cada capítulo e mais para o final discute assuntos relacionados às drogas. Da infância pobre em Miami até professor-cientista em uma das universidades mais importantes e famosas do mundo. Ele também, como pessoa negra, faz inúmeros recortes de raça e mostra o quanto a justiça e a política americanas são racistas.

É um bom livro, só não é tão profundo como eu imaginei que poderia ser quanto a opinião do autor sobre a descriminalização. Mas é o suficiente para ser introduzidos ao assunto e ter uma visão diferente daquelas difundidas pela impressa e pelos governos e campanhas de tolerância zero às drogas.

Fica a recomendação, mas vá ciente que é um livro de memórias com discussões sobre drogas.

Valsa Brasileira é um livro que traz uma análise consciente e precisa das medidas econômicas que foram tomadas nos últimos governos pelos dois últimos presidentes eleitos pela população e pelo ilegítimo Michel Temer. Laura Carvalho mostra os acertos e erros de cada presidente.

Com argumentos sólidos, números e análises importantes acompanhamos o que fez o Brasil crescer e o que fez ele chegar no fundo do poço da recessão. Fica claro os erros da presidenta Dilma ao sucumbir as escolhas dos empresários e a pá de cal que Temer joga ao não fazer escolhas diferentes. Além de deixar claro que fatores internacionais ajudaram ou agravaram a situação do país. No final, a autora tenta nos mostrar medidas que podem ser tomadas pelos futuros governantes para que haja recuperação da economia brasileira. Spoiler: não vai ser fácil e vai demorar bastante.

Apesar de ser escrito em uma linguagem simples para que a maioria da população tenha acesso Valsa Brasileira possui muitos termos da Economia, portanto, quem não conhece o básico do assunto pode ficar perdido. Mas é uma leitura essencial. Recomendadíssimo para quem quer entender o buraco em que estamos e o que é necessário para sair dele.

Esse foi o meu primeiro contato com a obra da Hilda Hilst e estou simplesmente maravilhado.

Em Pornô Chic há a trilogia obscena da autora formada pelos livros "O caderno rosa de Lori Lamby", "Contos d'éscarnio - textos grotescos", "Cartas de um sedutor" além do livro de poesias "Bufólicas". De maneira geral eu gostei bastante da escrita da autora. Os livros que são uma mistura de estilos literários contendo poemas, peças teatrais, fluxo de consciência, contos são muito bem escritos. Mesmo tratando de um tema considerado chulo por muitos a pornografia descrita pela Hilda mesmo sendo desbocada tem muito pouco de uma sensualidade grotesca. Os textos são eruditos e rebuscados. Há uma mistura do simples e do rebuscado. Principalmente em muitas referências ao longo dos textos em que cita grandes autores reconhecidos tanto estrangeiros quanto nacionais. Toda trilogia obscena é uma metalinguagem.

O caderno rosa de Lori Lamby: cinco estrelas.
Esse foi feito com intuito de chocar. É desconfortável de se ler. É nojento, grotesco, impensável do que acontece durante toda a obra. No entanto, o plot do livro é incrível. É um livro que amei odiar. O ponto principal do livro é a pedofilia.

Contos d'éscarnio - textos grotescos: quatro estrelas
Um cara resolve contar suas diversões sexuais sem o menor pudor. Crasso, o personagem principal, foca principalmente na sua história com Clódia uma artista plástica.

Cartas de um sedutor: cinco estrelas
O tema chocante desse livro é o incesto. Há espaço também para a relação entre homens. É tudo tão bem escrito que você acaba focando na história sem se chocar tanto com o assunto principal.

Bufólicas: quatro estrelas
Poemas que são pequenas fábulas com uma moral no final de cada um. São engraçados.

Os textos de apoio no final do livro são ótimos para compreender os textos da autora e também conhecer um pouco sobre quem ela era. Hilda Hilst produz uma pornografia escrachada, mas de alta qualidade. Recomendo com ressalvas para os puritanos. Principalmente Lori Lamby por ser extremamente perturbador.

Finalmente terminei esse livro.

Eu gostei do que li, mas, infelizmente, chegou em determinado momento em que o livro ficou cansativo para mim. Nem mesmo as lutas e batalhas me animavam. Tanto que a batalha com os navios, para mim, foi uma das coisas mais confusas e chatas com aquele tanto de nome de barcos e pessoas.

George escreve super bem e é por isso que mesmo achando a leitura cansativa continuei. Não sei se por já ter assistido a série algo pode estar afetando o meu julgamento. Mas ainda assim acredito que Martin poderia diminuir no tamanho dos livros.

Os meus capítulos preferidos desse livro eram os que estavam ambientados em torno de Tyrion, da Sansa e da Catelyn Stark.

4,5

A amiga genial é a narração de fatos cotidianos sobre a amizade de duas garotas e o bairro em que elas moram. Não existem plot twists. Poderia ser um livro facilmente classificado de tedioso, não é bem isso que acontece. Todos os personagens (são muitos) são bem humanos. Tem os seus defeitos e suas qualidades. E isso é o ponto forte do livro.

O foco principal é na amizade de Lenu e Lila. Lenu é quem começa a contar a história de como elas se conheceram depois que Lila desaparece. As amigas não possuem quase nada em comum são bem diferentes. Lila é totalmente independente e altiva, Lenu é mais na dela e durante sua narração transparece o quanto ela é dependente da amiga e também o tanto que sente inveja por não ser/viver como a sua parceira. Ao meu ver isso se dá por um problema de autoestima. Além de ser o que leva a história acontecer.

Esse primeiro livro narra a infância e a adolescência das amigas nos 50/60. Eu meio que ficava encabulado com as coisas que aconteciam por achar que elas estavam com 18/19 anos quando na verdade tinham 12 ou 13. É uma realidade e um modo de viver bem diferente do que presenciei e vivi. Às vezes ficava com raiva da dependência que Lenu tinha de Lila, mas com o tempo acabei acostumando com a situação. Lenu tenta de várias maneira se livrar disso mesmo sem obter sucesso e Lila nem sempre se importa com a amiga. As relações e personagens secundários são tão maravilhosos quanto. As situações e acontecimentos não deixam a desejar.

A leitura é gostosa e rápida. É prazeroso acompanhar as histórias contadas por Lenu. A minha única dificuldade foi ambientar as situações por conhecer poucas coisas sobre a Itália, mais precisamente Nápoles, dos anos em que se passam a história. É um livro sobre amizade feminina. Se você é interessado pelo assunto vale a pena conhecer. E o final que termina com um pequeno detalhe te instiga a querer o próximo livro para saber o que está por traz de toda aquela situação. Para mim a resposta é TRETA PESADA.

#BingoLitNegra #LeiaNegros #LeiaMulheres #MulheresParaLer

Esse é o segundo livro da autora moçambicana, Paulina Chiziane, que leio e estou encantando ainda mais. A prosa poética já tinha me ganho em Ventos do Apocalipse, mas em O Alegre Canto da Perdiz só veio para confirmar o que tinha tocado na primeira obra que conheci da autora. Mas é preciso deixar claro que a história de O Alegre Canto da Perdiz não é tão bagunçada ou esquecida como em Ventos do Apocalipse.

O Alegre Canto da Perdiz começa depois que as mulheres de um vilarejo se assustam com uma mulher nua que aparece no rio. Elas acham que é uma maluca. Essa maluca é Maria das Dores filha de Delfina e José dos Montes. A partir disso Paulina começa a contar a história dessa família com enfoque em Delfina que é a nossa personagem principal. As mulheres, o matriarcado é o personagem principal. Delfina é o anti-herói dessa história que se passa no norte de Moçambique. É ela quem traz toda a desgraça que acontece dali em diante em sua família.

Enquanto narra as desgraças acometidas por Defilna, Chiziane, mostra as marcas que o período colonial deixou em terras moçambicanas. O racismo, a desvalorização do negro, o roubo das riquezas, os maus tratos. Chiziane mostra como os brancos marinheiros desgraçaram a terra, mas também insiste em mostrar que os negros também ajudaram nesse processo ao se tornarem assimilados e lutar contra a própria cultura e povo. Outro assunto analisado e demonstrado e a questão da mestiçagem, eugenia, melhoramento da raça. Delfina sempre diz que o negro é desgraça e só sofre e que o sonho dela é se casar com um marinheiro, colono branco para ter filhos mulatos e assim poder ascender na vida e fazer com que eles sofram menos. É uma realidade moçambicana que se confunde muito com a realidade brasileira.

Delfina consegue ter arrumar um homem branco para lhe dar filhos mulatos (termo que não gosto, mas a autora usa) e com isso surgem mais desgraças. Não só para ela, mas para a família toda. Quando estamos chegando ao fim a autora mostra uma solução meio deus ex-machina para juntar algumas pessoas e, com certeza, é meio forçado, mas nada que atrapalhe o enrendo. Até porque a literatura da Chiziane, ao meu ver, tem alguns recursos do realismo mágico. Posso estar enganado.

Para terminar tenho que destacar as fábulas intercaladas na parte final do livro em que Paulina Chiziane tenta mostrar o surgimento do mundo através das mulheres, o poder do matriarcado e como tudo foi por água abaixo quando os homens apareceram tomaram o poder das mulheres e as escravizaram. É fenomenal toda a discussão que Paulina propõe nesse livro partindo das mulheres e do colonização de Moçambique e portanto a ascensão do racismo e descaso com a população. É um livro grandioso e importantíssimo.

Super recomendo. É uma leitura maravilhosa, gostosa, poética. Vale super a pena conhecer a escrita da autora.

#MulheresParaLer #LeiaMulheres #LeiaAutorasNegras

Eu não achei a história empolgante, mas o aspecto social que a autora propôs é importante. Em As Alegrias da Maternidade Buchi Emecheta vai contar a história de Nnu Ego e o seu processo de ser mãe na Nigéria da década de 1930 em diante.

O título do livro é irônico e ao longo da história a gente vai entendendo o motivo. Além de lidar com os filhos, as gravidezes, Nnu Ego tem lida com o marido e sociedade e cultura nigeriana totalmente patriarcal e machista.

Na história a gente vai vendo que a parte do sofrimento e a ação de cuidar dos filhos é somente da mulher. Se ela faz direito e filhos dão orgulho para os pais os louros e as glórias vão para o pai se der errado a culpa é da mãe que não soube educar e passar a cultura de seu povo para os filhos direito.

A discussão sobre o papel da mulher na sociedade, a educação dos filhos, o machismo na sociedade é o que faz o livro valer a pena.

Que livro gostoso! É ótimo para quem está precisando ler algo leve é uma ótima pedida. Os meus contos preferidos foram o primeiro A coisa mais doce, Dear True Love e Quando Gira o Mundo.

Às vezes, a gente só precisa de um clichêzinho sobre o amores para aquecer o nosso coração.

Eu adorei ler O auto da Maga Josefa.

É um livro engraçado, leve e cheio de referências brasileiras, principalmente do Nordeste onde a história se passa. A escrita da Paola Siviero é bem gostosa. Isso faz com que a leitura seja fluida.

Posso estar enganado, mas acho que algumas referências de humor de O auto da Compadecida na história de Toninho e Josefa.

Fica a indicação para quem está procurando algo leve, engraçado e de rápida leitura.