fevi's Reviews (834)


Não fui fisgado pelo livro, mas também não posso dizer que ele é ruim. Tem umas partes bem legais. O conto que eu mais gostei foi o da pirata chinesa.

As ilustrações são maravilhosas. Gostei bastante. Já da história eu gostei médio. É bonita e tem a sua moral nas entrelinhas. Sobre sentimentos e como transmitimos isso adiante. O final é fofo.


4,5

Auto da Compadecida é uma obra maravilhosa do Ariano Suassuna. Eu adoro a adaptação feita para o cinema/TV. A leitura da peça só veio para confirmar o que eu sentia.

O texto do Ariano é leve e engraçado. De leitura rápida e extremamente prazerosa. Infelizmente, não tenho como deixar a comparação de lado. Guel Arraes e Adriana Falcão conseguiram captar perfeitamente a essência da obra de Suassuna. Fora o trabalho esplêndido de todos os atores. O livro é simples e possui menos personagens que a adaptação. Mas a mudança para a adaptação é perfeitamente aceitável.

Recomendo a leitura pra quem gosta do filme, para quem quer rir um pouco e para quem quer ver esse clássico por uma nova vertente. Tenho certeza que não irão se decepcionar. Só sei que foi assim uma leitura muito boa. Chicó <3 João Grilo (pena que é preconceituoso)

O Pintassilgo da Donna Tartt me conquistou logo no início. Duas características foram essenciais para isso. A primeira foi a escrita. Ela escreve e descreve de uma maneira muito clara que você construir a imagem daquilo em sua cabeça. Fora que isso é importante já que o livro é um camalhaço. Se não gostasse da escrita provavelmente não teria continuado. A segunda característica é a construção dos personagens. São personagens bem profundos e bem desenhados.

O livro é muito detalhado, mas por incrível que pareça eu não me senti cansado ou enjoado. Tartt conseguiu me segurar na medida. O Pintassilgo é um romance de formação portanto vamos acompanhar a vida inteira do personagem principal, Theo Decker. A fase adulta foi a que eu menos gostei. Depois que há uma revelação que muda o rumo da história que fiquei ao mesmo tempo chocado e injuriado. Sem esse detalhe não teria estória. hahahaha

Donna Tarrt não escreveu um livro com grandes reviravoltas ou acontecimentos. É algo mais para reflexão e acompanhamento do personagem principal mesmo. Se você gosta acompanhar a vida de uma personagem vale a pena ler o livro. O último capítulo é bem bonito e reflexivo. A leitura, com certeza, valeu a pena.

Hobie é o melhor personagem possível.

3,5

Se todas as coincidências desse livros forem verdades tudo será maravilhoso. Eu soltei uns três PUTA QUE PARIU ao final de algumas crônicas. Não tem como se sentir tocado ou maravilhado com as histórias narradas pelo João. Eu gostei bastante da crônica da viagem dele com o filho a Santiago de Compostela, a das primas e do tio e a do casal de amigos que se separou. São crônicas bem poéticas e gostosas de se ler. Super recomendo.

#MulheresParaLer

4,5

Que livro! Que porrada na nossa cara e no estômago. O livro da Ana Paula Maia é constituído de duas novelas que se interligam em determinado momento. A narração em Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos é direta, sem rodeios e floreios. É uma obra que, com certeza, te chocará. Eu fiquei chocado com a violência banal, mas o modo como a Ana Paula contou a história me pegou de jeito. Me peguei rindo, chocado e com nojo várias vezes. A história te provoca e te tira da zona de conforto.

O realismo nas histórias protagonizadas por homens que vivem à margem da sociedade é um balde de água fria. Como a mesma autora diz são histórias de homens que fazem aquilo que nós não gostaríamos de fazer e simplesmente temos nojo. Trabalhar com porcos, recolher lixo e limpar esgotos não é nada agradável.

O livro só narra o que de fato acontece na vida cotidiana. A segunda novela é mais crítica e menos violenta. A primeira é nojenta e violenta, mas tem os seus méritos. É um livro pesado. A leitura é rápida, mas é agradável. Recomendo pra quem quer sair da zona de conforto.

Se eu chegasse aqui e dissesse que o livro do Lázaro Ramos fosse mais do mesmo estaria sendo injusto. Além de apagar toda a sua história que aparece bastante no texto.

O livro do Lázaro é dividido em duas partes. A primeira ele foca na sua história e vivência como negro. Na segunda usa dados e faz um panorama geral de como é ser negro no Brasil. Isso tudo sempre com bons relatos e de fácil entendimento que faz com que o leitor se aproxime mais da experiência vivida pelo o autor e também dos assuntos que propõe uma reflexão.

Em nenhum momento Lázaro faz uso de um discurso agressivo sobre raça, aliás, não é uma abordagem que ele gosta ou costuma usar. Acho válida a forma como ele faz para contar tudo e sobre os diferentes assuntos. Seja educação, profissão, afetividade.

Muitos dos dados, exemplos e referências que Lázaro indica no livro eu já estava ciente por acompanhar muitas coisas relacionadas a raça. Isso é o ponto fraco somente para mim. No entanto, eu consigo ver, entender e considerar importante esse tipo de leitura para VÁRIAS pessoas, sejam elas brancas ou negras, como um primeiro contato com recorte de raça. Nem todas as pessoas estão engajadas e apresentar o básico é sempre essencial.

As histórias sobre a sua própria vida e pessoas que viviam ao seu redor são maravilhosas. É como acompanhar alguém mais velho contanto casos sobre a família. É um dos bons pontos do livro.

Na Minha Pele pode ser um primeiro passo para entrar em discussões mais profundas sobre raça. Eu indico a leitura para todo mundo. QUALQUER PESSOA. É preciso entender o apagamento da população negra, o racismo à brasileira. É importante que as pessoas saibam o que acontece com os negros no Brasil e ficarem cientes que não é mimimi. Lázaro fez a coisa certa em se colocar como personagem, mas também em deixar claro que nem todo negro é igual e terá vivências diferentes mesmo que sofram dos mesmos preconceitos. Além do mais o ator se tornou porta-voz das causas negras. Isso é extremamente importante para a nossa comunidade.

Fica a recomendação.

2,5

Amei os personagens e odiei a história.


3,5

Fantasma é uma história autêntica e incrível. Acompanhar a jornada do Castle com seus traumas e problemas de comportamento, mas com a vontade de mudar é de um prazer natural. Você torce e fica ao mesmo tempo irritado por ele tomar as decisões erradas.

O livro também mostra que é preciso dar uma segunda chance para as pessoas. Que não se pode abandoná-la somente por algum erro. Principalmente pessoas periféricas como é o caso do personagem com um plano de fundo assustador.

Misturar esporte com literatura foi magnífico. É uma leitura simples, mas extremamente agradável. Acho que é um ótimo livro para os pais darem para os filhos ou pra galera que quer começar a ler. É muito bom.

OBRA-PRIMA.

Um Defeito de Cor é um dos livros que eu sempre quis ler. O livro que narra com emoção, paixão, sofrimento, verdade sobre a situação dos africanos e negros brasileiros no período escravocrata que o nosso país viveu. Ana Maria Gonçalves vez um trabalho magnífico. Não tem como duvidar disso.

A história narra a vida da africana Kehinde que foi captura em Uidá e acabou tornando-se escrava no Brasil. Ela chega ainda criança e vai para uma fazenda de engenho em Itaparica na Bahia. E vamos acompanhando toda a sua vivência na Bahia e em vários outros locais do antigo império brasileiro. Kehinde é uma personagem forte, resistente. Uma mulher inteligente, sabia, bondosa. Não tem como não se apaixonar ou torcer por ela.

Um Defeito de Cor é um livro que narra a história do Brasil de maneia esplendorosa. Há inúmeras informações históricas presentes em todo o decorrer do livro. Acontecimentos ligados aos negros, aos brancos portugueses e outros estrangeiros. Há também inúmeras informações sobre as religiões africanas. Os seus costumes, os nomes, origens, rituais. É imensurável o quanto enriquecedora é a leitura dessa obra. Muito mais enriquecedora que aulas de História sobre o mesmo período ministrada nas nossas escolas.

Tudo é narrado de forma extremamente detalhista. Tanto a parte histórica até a ambientação de uma cozinha, por exemplo. Acredito que é uma forma da Ana Maria nos fazer sentir muito mais próximos do momento narrado. No entanto, creio que enumerar e identificar pratos e talheres muitas acaba de certa maçante. Mas apenas nesses momentos de ambientação porque o restante de cada momento é extremamente válido e necessário.

Os pontos altos dos livros, na minha opinião, são: a representação das várias origens e etnias dos negros que vieram ao Brasil para serem escravizados. A autora mostra de forma clara o que os identificava, as suas atitudes. É essencial frisar essa diferença e mostrar o quão diverso e rico é a cultura africana que recebemos. As religiões de matrizes africanas com seus orixás são bastante demonstrados e nesse momento vemos como surgiu o sincretismo no Brasil. É absurdo e fascinante ao mesmo tempo. Outro ponto alto é a importância dos negros em relação à luta pela liberdade que sempre esteve presente e que não foi um presente dado pela princesa. As revoltas populares na Bahia são provas disso tudo. Os momentos da volta para África e forma como os regressos se comportavam ao voltar para a terra mãe é interessantíssima. Eu mesmo não conhecia nada.

Um Defeito de Cor é a aula de História sobre o Brasil negro que eu nunca tive em nenhum lugar em toda a minha vida. Provavelmente nunca teria se não tivesse corrido atrás já que ainda temos um déficit em relação ao assunto nos currículos escolares. É uma história que não exagera e nem camufla nenhum dos lados. Há os problemas tribais e também os brancos que eram contra a escravidão.

A escrita da Ana Maria Gonçalves é simples e de fácil compreensão sem firulas, mas é de uma paixão e clareza impressionantes. Até mesmo essencial porque é um livro grande e com várias informações. Tantas que nem conseguir enumerá-las por aqui.

É mais um livro que eu gostaria que todas as pessoas lessem, que se tornasse obrigatório nas escolas e que virasse filme ou série. É uma obra-prima sobre o negro no Brasil. Essencial.