enbygojira's Reviews (815)


Foi um livro legal. Eu não esperava muito mais do que isso, na verdade, porque já tinha conversado com outras pessoas que tinham lido Over the Rainbow antes, então foi bem o que achei que seria, mesmo. Como os contos são de autores diferentes e bastante distintos entre si, estou dando uma nota que é meio que a uma média geral, mas vale deixar um grande destaque pro conto da Lorelay Fox, "A ressurreição de Júlia", que foi tudo o que eu queria ler num livro desses e foi o que fez com que OtR valesse a pena de verdade.

Um comentário sobre a organização do livro: queria que tivessem pegado autores mais diversos pra compôr a coletânea. Temos uma única autora mulher, lésbica, entre cinco autores no total — Lorelay é drag queen, não trans; homem gay, portanto. E, com cinco histórias, daria para ter feito, pelo menos, um conto para cada uma das letras da sigla LGBT, mais um extra — não tem 01 conto com personagens bissexuais, por exemplo. Além disso, Lorelay é a única que parece ter uma preocupação real e óbvia em fugir dos padrões.

O Vitor Martins fez uma resenha bem legal do livro, com a qual concordo em gênero, número e grau.

[b:A casa de vidro|31824852|A Casa de Vidro (As Estações, #1)|Anna Fagundes Martino|https://images.gr-assets.com/books/1472846413s/31824852.jpg|52482381] foi uma leitura deliciosa no ano passado, então não poderia esperar diferente de Um berço de heras, que faz parte da mesma série. Essa é mais uma história botânica (amo quando esse termo) da Anna Martino, que traz de volta alguns personagens do livro anterior: os descendentes de Eleanor. As fadas continuam misteriosas e incríveis, sendo que, desta vez, aparecem mais poderosas e em maior número.

Nota: 2.5. Conceito interessante — principalmente para o ano da primeira publicação, 1987 —, mas execução prejudicada por uma série de coisinhas. A terceira expedição conta a história da recuperação de um grupo de brasileiros em um cenário pós-apocalíptico, depois de uma guerra nuclear — na época do lançamento, acredito que a ameaça da Guerra Fria ainda estivesse bem forte. A história é contada por relatos de um sobrevivente intercalado com cartas e registros de outros personagens, e isso acaba sendo tanto um trunfo quanto um problema para a história. Explico: o relato do protagonista, por assim dizer, o Mané, é feito de forma bem verossímil, parece mesmo que é alguém contando uma história, mas, ao mesmo tempo, parece que é alguém contando uma história desinteressante... não existe uma identificação. As coisas acontecem, elas são descritas, a gente segue em frente, acaba o livro, pronto, feijoada. Além disso, fiquei profundamente incomodado com a falta de mulheres nesse livro. As poucas existentes são esposas, namoradas, filhas, interesses românticos. Nenhuma delas — nenhuma! — participa das três expedições descritas ou mesmo de, sei lá, UM DIÁLOGO.

Não é com orgulho que digo que esta foi minha primeira Trasgo, mesmo apoiando o projeto já há alguns meses — deveria ter começado muito, muito antes; prometo compensar. Fiquei surpreso. Já esperava uma certa qualidade, mas antologias de autores diferentes tendem a ser bem 8 ou 80, com contos bons, contos mais ou menos, contos razoáveis... e as notas acabam sendo ali, na metade, nas três estrelas. A Trasgo 12 ganha um 4/5 merecido. Todos os contos são, pelo menos, bons e competentes, e o que não me agradou ficou mais no tema do que na construção literária em si. Aliás, fica um destaque para Cirro, conto do Alaor Rocha, que me deixou com o coração apertado de tanto orgulho (que conto bom, pessoas).

Por bem ou por mal, coletâneas de autores diferentes acabam sendo um balaio de gatos. O segundo volume do Universo desconstruído é, no geral, mais fraco do que o primeiro, mas os pontos fortes desse livro são muito fortes. Esses pontos são, é claro, Corpo escuro, da Jarid Arraes, BSS Mariana, da organizadora Lady Sybylla, e Boneca, da Clara Madrigano.

Mas notas à parte, preciso dizer que a mera existência dessas coletâneas já me deixa muito feliz, e poder ler contos diversos e brasileiros de ficção científica é sempre válido. Fico no aguardo de uma terceira.

Spoilerme @ myself:

Dos quatro textos presentes na coletânea, gostei muito de dois, e esta nota é mais para esses do que pros outros. A escuridão, de André Carneiro, noveleta publicada 32 anos antes de Ensaio sobre a cegueira, já trata de uma forma bem legal sobre essa ideia da humanidade acometida por uma cegueira sem explicação, enquanto A nós o vosso reino, de Finisia Fideli, é um exemplar da ficção científica "mística" vista na produção brasileira do século XX (encontrei isso também em Comba Malina, de Dinah Silveira de Queiroz). Quanto às outras duas histórias, fiquei um pouco decepcionado, e não consegui nem terminar de ler uma delas, mas segue o baile. Recomendado para pessoas que querem conhecer mais sobre a FC nacional.