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fevi 's review for:
A beleza é uma ferida
by Eka Kurniawan
A Beleza é uma ferida tem todos os elementos de uma grande obra que permeia o realismo mágico e quem lê não pode negar. Essa parte da construção de Eka Kurniawan é fenomenal e foi o que me fez mantê-lo como um livro bom.
Com um início curioso e atrativo começamos a conhecer Dewi Ayu, a personagem que dá origem a história. Ao longo dos capítulos vamos entrando em contato com a história de outros personagens masculinos e outras mulheres, as filhas de Dewi Ayu entre elas, além de lendas e a história da Indonésia. Do seu período de colonizada pela Holanda, ascensão e queda do comunismo, inúmeros massacres, invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial entre tantos acontecimentos.
A história é bem construída e bem narrada, mas peca pelo excesso. Excesso de misoginia e excesso de construção de alguns personagens e passagens longas sobre os períodos. Há personagens femininas que são estupradas inúmeras vezes. Durante o primeiro estupro é no período da segunda guerra e você tem uma contextualização, mas os outros são apenas para mostrar o poder do patriarcado. Para mim, não havia necessidade de narrar ou mostrar isso mais de uma vez. O pior é perceber que o autor tinha consciência disso porque em outras passagens e até mesmo no início ele mostra que a pior coisa é colocar filhas mulheres no mundo por causa de homens. Além de colocar consciência em um personagem que casa com uma criança. Ele usa estupro como recurso narrativo quando não precisava porque o que ele construiu já era interessante o suficiente. Para além disso, há longas passagens sobre os períodos históricos que poderiam ser mais curtos.
A história não deixa de ser interessante, mas para mim, a construção e a misoginia tomaram um tamanho maior na minha percepção que influenciaram como eu a absorvi. Não é uma obra que eu recomendaria para quem já sofreu abuso sexual ou outros tipos de violência. Talvez para quem deseja fugir de literatura ocidental é uma boa pedida.
Com um início curioso e atrativo começamos a conhecer Dewi Ayu, a personagem que dá origem a história. Ao longo dos capítulos vamos entrando em contato com a história de outros personagens masculinos e outras mulheres, as filhas de Dewi Ayu entre elas, além de lendas e a história da Indonésia. Do seu período de colonizada pela Holanda, ascensão e queda do comunismo, inúmeros massacres, invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial entre tantos acontecimentos.
A história é bem construída e bem narrada, mas peca pelo excesso. Excesso de misoginia e excesso de construção de alguns personagens e passagens longas sobre os períodos. Há personagens femininas que são estupradas inúmeras vezes. Durante o primeiro estupro é no período da segunda guerra e você tem uma contextualização, mas os outros são apenas para mostrar o poder do patriarcado. Para mim, não havia necessidade de narrar ou mostrar isso mais de uma vez. O pior é perceber que o autor tinha consciência disso porque em outras passagens e até mesmo no início ele mostra que a pior coisa é colocar filhas mulheres no mundo por causa de homens. Além de colocar consciência em um personagem que casa com uma criança. Ele usa estupro como recurso narrativo quando não precisava porque o que ele construiu já era interessante o suficiente. Para além disso, há longas passagens sobre os períodos históricos que poderiam ser mais curtos.
A história não deixa de ser interessante, mas para mim, a construção e a misoginia tomaram um tamanho maior na minha percepção que influenciaram como eu a absorvi. Não é uma obra que eu recomendaria para quem já sofreu abuso sexual ou outros tipos de violência. Talvez para quem deseja fugir de literatura ocidental é uma boa pedida.