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"Uma estranha maldição pesava sobre mim. Eu era tutsi."
Baratas é, com certeza, um dos livros mais tristes e chocantes que li na minha vida inteira. As memórias de Scholastique Mukasonga mostram o quanto o povo da etnia Tustis sofreu nas mãos dos Hutus em Ruanda. A perseguição e violência que aconteceram durante vários anos culminaram no genocídio em 1994. Afirmam que em quanto se mantiveram no poder desde a década de 60 os Hutus mataram mais de 1 milhão de pessoas de etnia Tutsis.
Ao longo dos capítulos Mukasonga vai narrando períodos de sua vida desde o momento em que ela e os seus familiares, assim como outros tutsis, foram expulsos das cidades que moraram e foram viver em lugares afastados, mas ainda assim sob domínio dos Hutus. Era uma convivência amedrontada e violenta. Mukasonga afirma que eles viviam a espera da morte.
As poucas passagens que não rementem a violência ou ao sofrimento falam sobre a importância da educação na vida dessas pessoas, o acolhimento entre os vizinhos e pessoas próximas, além do amor entre os familiares. Nesses momentos acreditamos que o bem pode ser maior que o mal. Mas eles são raros.
A maior parte do livro é extremamente cruel. O genocídio é o seu ápice. As descrições das mortes que ocorreram violentamente são extremamente dolorosas. Os Hutus não pouparam ninguém nem homens nem mulheres nem idosos ou crianças. Nada. Scholastique Mukasonga só conseguiu sobreviver porque estava vivendo na França quando o massacre ocorreu. Praticamente todos os seus familiares morreram. A forma como sua irmã mais nova morreu é desumana demais. É um dos momentos mais tristes do livro. É de admirar-se que ela tenha conseguido escrever sobre uma ferida que provavelmente nunca será curada.
Recomendo para quem quer conhecer um pouco sobre a história de Ruanda e um pouco sobre o genocídio que lá aconteceu. No entanto, preciso alertar sobre a violência gráfica que há no texto.