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rolandosmedeiros 's review for:

The Shadow in the Rose Garden by D. H. Lawrence
4.0

"Ele não existia para ela, exceto como uma fonte de irritação."

Rico e obstinado, A Sombra no Roseiral é um pequeno conto quase místico, que se sobressai no simbolismo e na fluidez de seus acontecimentos. Quase nada sabemos de concreto do tempo anterior, e pouco podemos vislumbrar do tempo subsequente ao conto; no álbum imaginário do casal protagonista, o que vislumbramos é uma fotografia solta, nebulosa e embaçada, que o leitor deve tentar definir e acompanhar seus contornos e formas, claras, mas não unidimensionais.

Segue-se pelo caminho afastando brumas, através de um bonito encadeamento de frases, duma imagem mental bem construída de uma paisagem bucólica e retirante, cercada de símbolos (o mar, a rosa, o espinho, o jardim…), topetando no homem que numa manhã finge ler um jornal: ou seja, um homem incomodado, que coloca o conto em mote. Tudo tem significado; e nada é explicitado. Essa, para mim, é uma das grandes qualidades do Lawrence, ao menos em suas narrativas curtas.

A junção de tudo isso, com o diálogo final, caracteristicamente Lawrenceano, culmina num encerramento surpreendente, não por ser um mirabolante desfecho, mas por ser suscetivelmente humano. Uma frasezinha curta, que desmonta tanto o leitor, quanto as personagens — uma frase que abranda o paladar, mas não mata sede. Leia e você vai entender.

Pinceladas rápidas: fora do que é intrinsecamente qualidade literária-estética, temos a potencialidade de razões do casamento entre ambos. A mulher, sempre incomodada com a presença do marido, rica e bem de vida, se põe socialmente acima dele. É o que nos diz bem por alto o Lawrence; ou seja, qual a razão que teria para casar com um homem que sabia que a faria infeliz? Pressão familiar? Pressão social? Só o Lawrence, ou talvez um estudo minucioso desse conto, aproxime-se de responder. Mas despender muito tempo nisso também é desnecessário, em comparação com o mergulho que as palavras do Lawrence nos proporciona apenas com o fluir literário.

O final pode até ser visto como um catalisador de mudança, uma interpretação possível é de que quando ambos se colocam a falar e a se digladiar verbalmente, consequentemente, expressam tudo aquilo que sentem. E ao contrário do fechamento e desdém particular de um para o outro, — às vezes muito raramente, ditado da minha mãe — quando uma discussão se encerra, algo tenha sido minimamente resolvido.