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rolandosmedeiros 's review for:

Okruhliak na oblohe by Isaac Asimov
3.0

—Para o resto da Galáxia, se é que notam a nossa existência, a Terra é apenas uma pedra no céu. Para nós é o nosso lar, e o único que conhecemos. No entanto, não somos diferentes de vocês dos mundos siderais; somos apenas mais desafortunados. Estamos apinhados em um mundo morto, imersos entre paredes de radiação que nos prendem, cercados por uma imensa Galáxia que nos rejeita. O que podemos fazer contra o sentimento de frustração que nos consome?”


Honestamente, eu não faço ideia do motivo que me fez ler esse livro, ou até mesmo o que me fez chegar até ele. Não sabia sobre o nome-duplo (Era Galática ou A Pedra no Céu), nem que fazia parte de uma série de livros (#3 do Império Galático) ou, o principal, que tinha sido o primeiro livro escrito pelo Asimov. Por isso, talvez essa tenha sido uma das experiências literárias mais puras ― no quesito de não ser influenciado externamente ― que tive nos últimos tempos.

É um livro cafona, a trama é completamente: uns cientistas estão testando um negócio, e o laser deles atravessa a parede, acerta um cara passeando no parque, e o teletransporta para o futuro, onde ele vira cobaia e ganha superpoderes. Completamente, sim. E ele consegue, ainda, enfiar um romance e um final cafona nisso. E não sei como, mesmo querendo, não consigo não gostar do livro. Sendo justo, ele aborda diversos assuntos interessantes e pertinentes, pendendo entre o mediano e o bom ao longo de quase toda sua extensão.

Mâs... Não tem como negar que é um impressionante livro de estreia para o Asimov, bem escrito e altamente imaginativo, ainda não li as obras máximas do autor, mas imagino que esse seja um vislumbre do gigantesco potencial que ele mostraria nas décadas seguintes.

Apesar dos problemas, com certeza não falta entretenimento, até mesmo os acontecimentos mais imaginativos e improváveis são no mínimo divertidos. Há também muito conflito, de todos os tipos, desde o conflito interno quando Joseph, o protagonista, questiona sua própria sanidade repetidas vezes, até conflitos planetários, pessoais, e sociais. Isso tudo junto de ótimas pinceladas de construção de mundo feitas pelo Asimov alancavam a leitura e mantém o livro ainda atraente mesmo após quase setenta anos desde sua publicação.

Pedra no Céu, no entanto, é curto para o escopo que tenta abarcar, não tem a extensão necessária para fazer justiça às ideias jogadas no livro, que provavelmente serão expandidas em outros trabalhos do autor. Por exemplo, temos a questão da radioatividade que influenciou Asimov, permeou o livro e origina o seu título (a terra radioativa desprezada pelo vasto império galático); a teoria (esquecida no período que o livro se passa) de um arqueólogo do Império de que toda a vida se originou na terra; e até questões como discriminação, eutanásia, superpopulação, e velhice. Tudo isso é abordado muito por alto, de modo que não chega a ser um grande problema, mas é um tremendo desperdício de potencial.

Por fim, o livro não é uma experiência ruim, a primeira parte possui um tom de mistério que faz bem em prender o leitor, a escrita é bastante boa e divertida, e nem o final irritante e insosso consegue estragar a experiência totalitária do livro. No geral, demais novelesco, mas um bom livro.