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rolandosmedeiros 's review for:
The Long Walk
by Stephen King
Diferente do The Outsider, único outro livro que li inteiro do King (e decidi que deu de King para mim — pelo menos por uns anos), esse aqui pelo menos faz mais ou menos bem o jogo a que se propõe. Como é um livro que só funciona pela surpresa, vou me abster de comentar sobre trama. Basta dizer que a carne do livro é a longa caminhada do título: um evento esportivo, digamos, em uma América distópica onde o vencedor recebe o que ele quiser e o perdedor ganha um bilhete azul (que você deve ler para descobrir o que é).
Ganha quem caminhar tanto o mais que conseguir ao longo dos Estados Unidos, não pode parar ou diminuir o pace, três avisos e você está fora. Tudo é acompanhado por uma multidão, o evento é seguido de perto pelos militares (que dominam aquela América), e transmitido pela televisão, com patrocinadores, pay per view e etc. A violência vai escalando e é esse o ponto que eu quero chegar: eu entendo quem abandona o livro, entendo perfeitamente; mas, não entendo quem chega no final e fala mal do livro porque o cara cai justamente na crítica do livro: a fetichização e a nossa relação com a violência. Por que você continuou lendo? É a pergunta. Porque… a gente, como sociedade, é a mesma que acompanha aquela corrida brutal de perto, não por curiosidade mórbida (que é natural) mas por outra coisa; e isso é bem feito pelo King, não nego, apesar da prosa dele beirar o cômico (de um jeito ruim) nos diálogos entre os personagens. Tem horas que a simbiose entre a gente e a audiência daquela corrida é perfeita — e é um tapa na cara.
Além do mais, nunca vou esquecer desse livro porque eu li enquanto ouvia o novo álbum do Boogarins (Sombra ou Dúvida), e a música combinou tanto que agora eu acho que ela realmente tem aquele tom e atmosfera de distopia.
Enfim, dos dois livros e meio que li do King (The Long Walk, The Outsider, The Running Man) esse aqui é o meu favorito.
Ganha quem caminhar tanto o mais que conseguir ao longo dos Estados Unidos, não pode parar ou diminuir o pace, três avisos e você está fora. Tudo é acompanhado por uma multidão, o evento é seguido de perto pelos militares (que dominam aquela América), e transmitido pela televisão, com patrocinadores, pay per view e etc. A violência vai escalando e é esse o ponto que eu quero chegar: eu entendo quem abandona o livro, entendo perfeitamente; mas, não entendo quem chega no final e fala mal do livro porque o cara cai justamente na crítica do livro: a fetichização e a nossa relação com a violência. Por que você continuou lendo? É a pergunta. Porque… a gente, como sociedade, é a mesma que acompanha aquela corrida brutal de perto, não por curiosidade mórbida (que é natural) mas por outra coisa; e isso é bem feito pelo King, não nego, apesar da prosa dele beirar o cômico (de um jeito ruim) nos diálogos entre os personagens. Tem horas que a simbiose entre a gente e a audiência daquela corrida é perfeita — e é um tapa na cara.
Além do mais, nunca vou esquecer desse livro porque eu li enquanto ouvia o novo álbum do Boogarins (Sombra ou Dúvida), e a música combinou tanto que agora eu acho que ela realmente tem aquele tom e atmosfera de distopia.
Enfim, dos dois livros e meio que li do King (The Long Walk, The Outsider, The Running Man) esse aqui é o meu favorito.