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rolandosmedeiros 's review for:
"Pipipi popo não leio clássicos porque são chatos". Então tome um proto-romance espanhol de 1500 onde o protagonista casa com a amante de um padre que é virgem mas já têm três filhos.
Menos de duzentas páginas, escrito por um completo anônimo, e divido em pequenos tratados, Lazarillo de Tormes se apresenta como uma falsa-epístola — ou epístola falada, segundo a introdução —, que delineia mas não limita a narração a uma estreita primeira pessoa. O livro é, antes de tudo, uma narrativa ficcional aos moldes modernos: precursora do Quixote e do Romance, com uma forma intricada e talvez o primeiro narrador não-confiável da literatura. Ele coloca as cartas na mesa e deixa que o leitor tire suas próprias conclusões.
O anônimo-autor, astutamente, além de se diluir no próprio Lázaro — tanto por segurança (a crítica social é dura) como pela forma — salpica detalhes, usa de artifícios e escreve, há mais de quinhentos anos, de um ponto de vista social a ser retomado pelos autores da ascensão do gênero como conhecemos hoje.
Lázaro, como narrador-personagem, conta a sua conturbada história de vida, desde o seu nascimento, à beira do Rio Tormes, até o momento da escrita da carta, que é o livro que temos em mãos. Como mencionado, já nos tempos de publicação essa experimentação com a forma fez com que o povo acreditasse que o livro era uma verdadeira carta, uma denúncia verdadeira, e que o Lázaro era realmente uma pessoa de carne e osso e o escritor do livro. Fator que com certeza ajudou na fixação da história no imaginário do povo e na censura secular.
Mas esse artifício não é tudo. O livro se sustenta por si, como uma narrativa bastante agradável. Presumimos — erroneamente — pela idade do livro, que a linguagem seja densa, ou que o livro seja difícil, pelo contrário, o autor é bastante comedido, sabe como conduzir a história, com supressões engenhosas, pouca exposição e sem explicações desnecessárias. Ele mescla tudo e torna tudo crível: a narração em primeira pessoa, a memória do Lázaro, o tom da carta, e até os cortes e avanços no tempo são fluídos e bem amarrados com aquilo que se conta. Um exemplo da construção de cenas e da criação literária do autor: um desmaio — e por consequência o período de recuperação da personagem, por exemplo — serve como gancho para a passagem de diversos dias, uma mudança de cena e também uma acelerada no ritmo da história.
Um detalhe que me agradou, mas que na reta final vai se perdendo, é que ele não lhe entrega o ouro, mas o mantém lá para ser encontrado. Retoma passagens e temas anteriores conforme o Lázaro vai se tornando menos ingênuo e mais parecido com aqueles a quem crítica.
A paródia, a comédia e a sátira se fazem presentes, não é à toa que o Lazarillo é tido como, também, o precursor dos pícaros. Em mim, a comédia não bateu. Há uma dose de repetição que vai cansando conforme a narrativa vai afunilando, assim como a maioria dos problemas do livro decorrem da mesma raiz. Em contrapartida, na questão da crítica, há a boa justaposição da dicção religiosa com a crítica à própria decadência dos religiosos e da sociedade no geral, perdurando até a última palavra da narrativa.
O meu tratado-capítulo favorito, é quando o Lázaro vai fundo na psicologia do Escudeiro, com quem passou um tempo, passagem que representa um período de sua vida (cada tratado-capítulo se trata de um desses períodos), e o faz de certa maneira semelhante a um narrador mergulhando em uma personagem — e por isso disse inicialmente que não é o anônimo autor não faz uma primeira pessoa estrita. Este Escudeiro é um homem com delírio de honra e grandeza, dissociado com a realidade, pensando numa Era de Ouro que já não é mais: mora em uma casa completamente vazia, passa dias e dias faminto, mas toda manhã, lava o rosto, se arruma todo, põe a espada ao lado do corpo, e saí altivo pelas ruas, não suportando desaforos ou falta de respeito. Prefere passar fome do que revelar a sua pobreza.
Em questão do relacionamento e entre os dois, ele, curiosamente, é o que melhor se dá com o pequeno Lázaro: se nos compadecemos do garoto, no começo do livro, o garoto se compadece do Escudeiro — e também é dele que sai uma das melhores passagens do livro, ainda muitíssimo atual e por isso que é um clássico:
"Vim para esta cidade pensando que encontraria aqui melhores condições, mas não aconteceu como eu esperava. Cônegos e dignitários da igreja encontro muitos, mas é gente tão bitolada que nada no mundo poderia tirá-los de sua limitação. Cavalheiros de meia-tigela também me solicitam, mas dá muito trabalho servi-los como escudeiro. Porque é preciso virar coringa e, senão, dizem: “Vá com Deus”. Geralmente, os salários são pagos atrasados e o mais certo é que trabalhe apenas em troca de comida. Já quando querem ficar em paz com sua consciência e pagar o nosso suor, chamam-nos à antecâmara e oferecemnos um suado gibão, ou uma capa ou um saio surrados. Até quando um homem se põe a serviço de um senhor de título, também passa necessidades. Mas, porventura, não terei eu aptidões para servir e contentar a um desses? Por Deus, se topasse com um, penso que cativaria a sua maior confiança e que lhe prestaria mil serviços. Porque eu saberia mentir-lhe tão bem como qualquer outro e agradá-lo às mil maravilhas. Haveria de rir muito com as suas graças e hábitos, ainda que nada valessem. Nunca lhe diria palavra que o desgostasse, mesmo que fosse necessário para seu bem; seria muito diligente na sua presença, em palavras e atos. Não me mataria em fazer bem aquilo que ele não visse. Eu ralharia com os criados, onde pudesse ouvir-me, para que ele pensasse que eu zelava por seus interesses. Se ele repreendesse algum criado, eu atiçaria a sua ira com agudas alfinetadas, que parecessem em favor do culpado. Falaria bem do que para ele estivesse bem e, ao contrário, seria malicioso, mofador; e delataria as pessoas da casa e os de fora dela. Bisbilhotaria e procuraria saber da vida alheia, para lhe contar tudo, e teria muitos outros dotes semelhantes, que atualmente se usam nos palácios e que muito agradam aos senhores. Eles não querem ver em suas casas homens virtuosos, pelo contrário, detestam-nos e os menosprezam. Chamam-nos de tolos e dizem que não são pessoas de negócios, nem merecem a confiança do senhor. É assim que, hoje em dia, procedem os astutos, conforme digo, como eu procederia no lugar deles (...)"
De outro lado, um dos pontos a criticar, cuidadosamente, é o caráter panfletário-ideológico da história, feita justamente para correr de mãos em mãos, o que pelo conteúdo, mais a disseminação na Inquisição Espanhola, deu vazão para a censura (de centenas de anos!). Também é este caráter da história uma das razões para o escritor ter preferido o anonimato. O personagem-narrador faz duras críticas ao clero e à "baixa sociedade" religiosa espanhola, mediante eclesiásticos avarentos, falsos pastores e falsos milagres; em relação a esse último, com todo um teatro intricado e elaborado, para fazer parecer que uma falsa punição divina havia tornado-se real, com fins — para surpresa de um total de zero pessoas — comerciais. Bem boa essa cena.
No fim, quando a crítica está feita, o narrador amarra tudo muito frouxamente, e no final a boa, divertida e engenhosa narração fica como plano de fundo dessa crítica à religiosidade; soou para mim como se a história tivesse sido abandonada, como se o autor tivesse desanimado. Ou algo da vida pessoal o atrapalhou a continuar, não sei.
Mas, até nas partes ruins, há partes boas. É também no final que culmina todo o foreshadowing deixado pelo velho-cego, e também é onde o narrador “se desprende” do Lázaro — não literalmente — com um tom meio naturalista/determinista, que o mostra resignado, quando o rapaz já crescido, escolhe a ignorância, o conformismo, para conseguir se encaixar na sociedade que criticava (ou justificava, a depender do seu ponto de vista). Apesar do final apressado, a conclusão ainda é notável pois a pintura da vida do Lázaro é tão interessante, e acostumamo-nos tanto com a voz sarcástica e pueril do garoto, que, pelo menos no meu caso, me fez me apiedar dele até nessa má decisão, a escolha da ignorância, em vez de terminar o livro incomodado.
Talvez o Lazarillo não só inaugure o narrador não confiável, como também plante a semente de aquilo que implica deste ponto de vista e jeito de contar uma história.
Notas aleatórias
— Um caso onde o clássico literário se integra com a cultura; por exemplo: até hoje há uma estátua em Tormes de Lázaro e o o Velho Cego; na mesma linha, Lazarillo, entrou no dicionário espanhol, significando um "guia de cegos".
— Também uma pedra basilar no gênero romanesco, com meio milênio de idade; e, digno de nota, uma leitura fluída, ainda atual, que pode ser despachado numa assentada, com o acompanhamento que quiser. Sinceramente, não vejo razões para não lê-lo.
— Além de ser uma das primeiras manifestações do gênero romanesco, inaugura também o gênero picaresco, precedendo o grande Quixote, que pisa sob as fundações do nosso anônimo-narrador; há uma suposição de que o adjetivo pejorativo "picareta" do nosso idioma, tenha surgido daí, do pícaro. Porém, como sabemos, são muitos anos e uma travessia idiomática conturbada a mutou; Lázaro não é bem o "picareta", no sentido que concebemos hoje em dia, ele é astuto, irônico, bem humorado, que só quer encher a barriga; não o faz por maldade ou ganância.
— O anônimo-autor, supõe-se, era da elite espanhola e por isso escolheu o anonimato; demonstra ser bastante culto, há muito dos clássicos gregos, romanos e até hebraicos em sua escrita. Ou, ainda que do povão, mantinha relações estreitas com o clero.
Menos de duzentas páginas, escrito por um completo anônimo, e divido em pequenos tratados, Lazarillo de Tormes se apresenta como uma falsa-epístola — ou epístola falada, segundo a introdução —, que delineia mas não limita a narração a uma estreita primeira pessoa. O livro é, antes de tudo, uma narrativa ficcional aos moldes modernos: precursora do Quixote e do Romance, com uma forma intricada e talvez o primeiro narrador não-confiável da literatura. Ele coloca as cartas na mesa e deixa que o leitor tire suas próprias conclusões.
O anônimo-autor, astutamente, além de se diluir no próprio Lázaro — tanto por segurança (a crítica social é dura) como pela forma — salpica detalhes, usa de artifícios e escreve, há mais de quinhentos anos, de um ponto de vista social a ser retomado pelos autores da ascensão do gênero como conhecemos hoje.
Lázaro, como narrador-personagem, conta a sua conturbada história de vida, desde o seu nascimento, à beira do Rio Tormes, até o momento da escrita da carta, que é o livro que temos em mãos. Como mencionado, já nos tempos de publicação essa experimentação com a forma fez com que o povo acreditasse que o livro era uma verdadeira carta, uma denúncia verdadeira, e que o Lázaro era realmente uma pessoa de carne e osso e o escritor do livro. Fator que com certeza ajudou na fixação da história no imaginário do povo e na censura secular.
Mas esse artifício não é tudo. O livro se sustenta por si, como uma narrativa bastante agradável. Presumimos — erroneamente — pela idade do livro, que a linguagem seja densa, ou que o livro seja difícil, pelo contrário, o autor é bastante comedido, sabe como conduzir a história, com supressões engenhosas, pouca exposição e sem explicações desnecessárias. Ele mescla tudo e torna tudo crível: a narração em primeira pessoa, a memória do Lázaro, o tom da carta, e até os cortes e avanços no tempo são fluídos e bem amarrados com aquilo que se conta. Um exemplo da construção de cenas e da criação literária do autor: um desmaio — e por consequência o período de recuperação da personagem, por exemplo — serve como gancho para a passagem de diversos dias, uma mudança de cena e também uma acelerada no ritmo da história.
Um detalhe que me agradou, mas que na reta final vai se perdendo, é que ele não lhe entrega o ouro, mas o mantém lá para ser encontrado. Retoma passagens e temas anteriores conforme o Lázaro vai se tornando menos ingênuo e mais parecido com aqueles a quem crítica.
A paródia, a comédia e a sátira se fazem presentes, não é à toa que o Lazarillo é tido como, também, o precursor dos pícaros. Em mim, a comédia não bateu. Há uma dose de repetição que vai cansando conforme a narrativa vai afunilando, assim como a maioria dos problemas do livro decorrem da mesma raiz. Em contrapartida, na questão da crítica, há a boa justaposição da dicção religiosa com a crítica à própria decadência dos religiosos e da sociedade no geral, perdurando até a última palavra da narrativa.
O meu tratado-capítulo favorito, é quando o Lázaro vai fundo na psicologia do Escudeiro, com quem passou um tempo, passagem que representa um período de sua vida (cada tratado-capítulo se trata de um desses períodos), e o faz de certa maneira semelhante a um narrador mergulhando em uma personagem — e por isso disse inicialmente que não é o anônimo autor não faz uma primeira pessoa estrita. Este Escudeiro é um homem com delírio de honra e grandeza, dissociado com a realidade, pensando numa Era de Ouro que já não é mais: mora em uma casa completamente vazia, passa dias e dias faminto, mas toda manhã, lava o rosto, se arruma todo, põe a espada ao lado do corpo, e saí altivo pelas ruas, não suportando desaforos ou falta de respeito. Prefere passar fome do que revelar a sua pobreza.
Em questão do relacionamento e entre os dois, ele, curiosamente, é o que melhor se dá com o pequeno Lázaro: se nos compadecemos do garoto, no começo do livro, o garoto se compadece do Escudeiro — e também é dele que sai uma das melhores passagens do livro, ainda muitíssimo atual e por isso que é um clássico:
"Vim para esta cidade pensando que encontraria aqui melhores condições, mas não aconteceu como eu esperava. Cônegos e dignitários da igreja encontro muitos, mas é gente tão bitolada que nada no mundo poderia tirá-los de sua limitação. Cavalheiros de meia-tigela também me solicitam, mas dá muito trabalho servi-los como escudeiro. Porque é preciso virar coringa e, senão, dizem: “Vá com Deus”. Geralmente, os salários são pagos atrasados e o mais certo é que trabalhe apenas em troca de comida. Já quando querem ficar em paz com sua consciência e pagar o nosso suor, chamam-nos à antecâmara e oferecemnos um suado gibão, ou uma capa ou um saio surrados. Até quando um homem se põe a serviço de um senhor de título, também passa necessidades. Mas, porventura, não terei eu aptidões para servir e contentar a um desses? Por Deus, se topasse com um, penso que cativaria a sua maior confiança e que lhe prestaria mil serviços. Porque eu saberia mentir-lhe tão bem como qualquer outro e agradá-lo às mil maravilhas. Haveria de rir muito com as suas graças e hábitos, ainda que nada valessem. Nunca lhe diria palavra que o desgostasse, mesmo que fosse necessário para seu bem; seria muito diligente na sua presença, em palavras e atos. Não me mataria em fazer bem aquilo que ele não visse. Eu ralharia com os criados, onde pudesse ouvir-me, para que ele pensasse que eu zelava por seus interesses. Se ele repreendesse algum criado, eu atiçaria a sua ira com agudas alfinetadas, que parecessem em favor do culpado. Falaria bem do que para ele estivesse bem e, ao contrário, seria malicioso, mofador; e delataria as pessoas da casa e os de fora dela. Bisbilhotaria e procuraria saber da vida alheia, para lhe contar tudo, e teria muitos outros dotes semelhantes, que atualmente se usam nos palácios e que muito agradam aos senhores. Eles não querem ver em suas casas homens virtuosos, pelo contrário, detestam-nos e os menosprezam. Chamam-nos de tolos e dizem que não são pessoas de negócios, nem merecem a confiança do senhor. É assim que, hoje em dia, procedem os astutos, conforme digo, como eu procederia no lugar deles (...)"
De outro lado, um dos pontos a criticar, cuidadosamente, é o caráter panfletário-ideológico da história, feita justamente para correr de mãos em mãos, o que pelo conteúdo, mais a disseminação na Inquisição Espanhola, deu vazão para a censura (de centenas de anos!). Também é este caráter da história uma das razões para o escritor ter preferido o anonimato. O personagem-narrador faz duras críticas ao clero e à "baixa sociedade" religiosa espanhola, mediante eclesiásticos avarentos, falsos pastores e falsos milagres; em relação a esse último, com todo um teatro intricado e elaborado, para fazer parecer que uma falsa punição divina havia tornado-se real, com fins — para surpresa de um total de zero pessoas — comerciais. Bem boa essa cena.
No fim, quando a crítica está feita, o narrador amarra tudo muito frouxamente, e no final a boa, divertida e engenhosa narração fica como plano de fundo dessa crítica à religiosidade; soou para mim como se a história tivesse sido abandonada, como se o autor tivesse desanimado. Ou algo da vida pessoal o atrapalhou a continuar, não sei.
Mas, até nas partes ruins, há partes boas. É também no final que culmina todo o foreshadowing deixado pelo velho-cego, e também é onde o narrador “se desprende” do Lázaro — não literalmente — com um tom meio naturalista/determinista, que o mostra resignado, quando o rapaz já crescido, escolhe a ignorância, o conformismo, para conseguir se encaixar na sociedade que criticava (ou justificava, a depender do seu ponto de vista). Apesar do final apressado, a conclusão ainda é notável pois a pintura da vida do Lázaro é tão interessante, e acostumamo-nos tanto com a voz sarcástica e pueril do garoto, que, pelo menos no meu caso, me fez me apiedar dele até nessa má decisão, a escolha da ignorância, em vez de terminar o livro incomodado.
Talvez o Lazarillo não só inaugure o narrador não confiável, como também plante a semente de aquilo que implica deste ponto de vista e jeito de contar uma história.
Notas aleatórias
— Um caso onde o clássico literário se integra com a cultura; por exemplo: até hoje há uma estátua em Tormes de Lázaro e o o Velho Cego; na mesma linha, Lazarillo, entrou no dicionário espanhol, significando um "guia de cegos".
— Também uma pedra basilar no gênero romanesco, com meio milênio de idade; e, digno de nota, uma leitura fluída, ainda atual, que pode ser despachado numa assentada, com o acompanhamento que quiser. Sinceramente, não vejo razões para não lê-lo.
— Além de ser uma das primeiras manifestações do gênero romanesco, inaugura também o gênero picaresco, precedendo o grande Quixote, que pisa sob as fundações do nosso anônimo-narrador; há uma suposição de que o adjetivo pejorativo "picareta" do nosso idioma, tenha surgido daí, do pícaro. Porém, como sabemos, são muitos anos e uma travessia idiomática conturbada a mutou; Lázaro não é bem o "picareta", no sentido que concebemos hoje em dia, ele é astuto, irônico, bem humorado, que só quer encher a barriga; não o faz por maldade ou ganância.
— O anônimo-autor, supõe-se, era da elite espanhola e por isso escolheu o anonimato; demonstra ser bastante culto, há muito dos clássicos gregos, romanos e até hebraicos em sua escrita. Ou, ainda que do povão, mantinha relações estreitas com o clero.
Lazarillo de Tormes
Romance/Novela
Lido na antiga edição da Collecion Orellana. Trad e Nots. de Pedro Câncio da Silva.
176pp — ✲ 4.0/5.0
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