3.0

''— Meu caro amigo — disse Sherlock Holmes enquanto nos sentávamos um de cada lado da lareira em seu apartamento da Baker Street —, a vida é infinitamente mais estranha do que qualquer outra coisa que a mente humana possa arquitetar. Não ousaríamos imaginar aquilo que é verdadeiramente corriqueiro na existência. ''


Não estou lendo os causos do Sherlock Holmes e do Dr. Watson cronologicamente, apenas pego algum conto quando dá na telha. Quero experimentar as histórias do detetive mais famoso do mundo direto na fonte. Antes, só o conhecia pelo cinema e televisão.

O fio narrativo dessa história vem daquela citação acima, a discussão entre Sherlock e Watson. O detetive acredita que a vida real revela fatos mais estranhos que a ficção, enquanto o médico e amigo discorda e diz que os acontecimentos corriqueiros que figuram os jornais são todos estúpidos e facilmente dedutíveis.

Holmes usa, com astúcia, o exemplo um caso de divórcio que encontra aleatoriamente no jornal, pedindo para que Watson desvende o motivo da separação. Watson conclui imediatamente que a causa do divórcio é a traição, embriaguez, agressão física ou algo próximo. Mas Holmes lhe refuta e esclarece que o motivo do divórcio é que o homem tinha o estranho hábito de, após terminar sua refeição, arremessar sua dentadura na esposa.

Voltando ao acontecimento central do conto, "O Caso de Identidade", ele trata sobre uma jovem moça que procura por seu noivo que desapareceu da carruagem no dia do casamento. O caso é demasiadamente simples, não tão interessante assim nem nos meios nem nos modos em como o Sherlock chega à resolução, mas a conclusão fica bem amarrada quando ela retoma a discussão inicial: de que um caso aparentemente corriqueiro, pode trazer consigo uma resolução fora do normal.

No geral, tem uma ótima abertura, mas um desenrolar razoável.