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rolandosmedeiros 's review for:

2001: A Space Odyssey by Arthur C. Clarke
4.0

Eu cataloguei o livro aqui no ano passado, mas a nota reflete mais a sensação que tive ao rememorar a leitura do que um juízo sobre suas qualidades concretas: o li por volta de 2016, com meus dezesseis anos (que já parecem tão distantes), na época que nos grupos que eu particpava para parecer cult você deveria dizer que assistiu completo (e sem dormir) 2001.

E pior que, assistindo com essas péssimas intenções, o filme acabou sendo um marco para mim. O único contato que tinha tido com ficção científica antes do filme era a ficção científica com toques japoneses: Sidonia no Kishi, Gurenm Lagann, Planetes, já que odiava a FC americana/britânica que passava na TV a cabo: Star Wars, Jornada nas Estrelas, Doctor Who… para mim o nome FC se resumia a coisa do tipo e que tudo era parecido com Star Wars ou Star Trek (antes, eu odiava, hoje em dia sou mais educado e digo apenas não gostar).

Depois de assistir duas horas e vinte minutos vidrado, o final do filme me marcou tanto que me fez ir atrás do livro, e olha que eu não tinha costume de ler. Queria saber o significado daquele final: e não tive uma surpresa negativa quando cheguei no final do livro e vi que era tão diferente. Gostei mais do final do livro, até. Enganchava com o 2010 que emendei na sequência (esse sim, muito doido, por sinal. Lembro até hoje da cena do cara em espírito incorporando na TV. Não esperava isso no meio de uma space-opera).

O livro, portanto, tem um lugarzinho especial em mim. (Lembre-se, eu só lia imagens). E acabei gostando mais do livro que do filme, sei que, nesse caso, a opinião popular é geralmente inversa. Achei a relação entre os tripulantes uns com os outros, e do tripulantes com o HAL, cheio de opressão e suspense, funcionou melhor no livro, além de que a estrutura em capítulos curtos e diálogos legais de se ler ajudaram este ex-analfabeto funcional que vos fala. Não me lembro de me incomodar uma única vez com a exposição exagerada do Clarke.

Dei essa volta toda para dizer que devo fazer uma releitura. Li recentemente Blindsight (https://www.youtube.com/watch?v=VkR2hnXR0SM), um sci-fi moderno, denso, que bebe muito de 2001, trazendo muitos outros temas interessantes e atuais, sobre consciência, livre arbítrio, linguagem, neurociência e um outro tipo de primeiro contato. Acerta em certos pontos, e erra grosseiramente em outros. O Arthur C. Clarke dá um banho, com folga, na questão relacionamento entre a tripulação, enquanto o Hard Sci-Fi premiado de 2010 do Watts, com toda a sua profundidade, luta para fazer um diálogo que não seja duro e artificial. Mas, o homem acerta, como disse, em outros pontos e compensa. O primeiro contato lá é muito mais interessante; mas, enfim, divaguei. Conclusão: 2001, filme, livro, analfabetismo, Clarke incontornável, releitura.