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rolandosmedeiros 's review for:
Julian and Maddalo: A Conversation
by Percy Bysshe Shelley
Não creio no fenômeno, que volta e meia aparece nos grupos de literatura, da ressaca literária. Acho, e é o meu caso, que tem muito mais a ver com o quão ocupado você está no momento com outras coisas — físico, psicologicamente, ou ambos. Nesses últimos dois meses li pelas beiradas, sempre que tinha oportunidade, dando sequência a algumas leituras em progresso, mas avançando pouco, e não terminando nada. Ainda sim, me mantive lendo; nada de ressaca.
Agora que tudo voltou, mais ou menos, aos trilhos no meu cotidiano, a provação que tive de passar — um pouco de exagero de minha parte, porque foi menos exigente do que pensava —, para coroar tudo, foi esse poema narrativo do Shelley, setecentos versos, e trinta e duas páginas, na minha edição. Eu tinha ele salvo aqui (um poema legalzinho do Thomas Wade [1805-1875] apontava para cá, e eu já tinha lido os dois famigerados poemas do Shelley: Ode to the West Wind e Ozymandias) e o considerava um desafio que valia a pena enfrentar; desafio para mim, especialmente, que leio pouca poesia.
Digo, logo, que foi bastante agradável; e acabou que o teste foi menos pelo conteúdo e mais para o meu inglês, esse longo poema de dezenove.
O cenário do Poema é a Veneza, em meio a vias aquáticas, vilarejos de pescadores, mansões, viagens de gôndola e pores do sol. A narração acompanha o encontro entre dois amigos (Julian e Maddalo — que representam, respectivamente, Shelley e Lord Byron), dois ingleses, de opiniões diferentes e diferentes maneiras de encarar a vida. O primeiro é o visitante, o segundo é o conde que adotou a Itália como lar e recebe, sempre que pode, o amigo Julian por lá.
O ponto central, como o título indica, é a conversa entre os dois, que passa por temas como o amor, a filosofia, a moral e a loucura. Mesmo feito só de conversa e descrição, nunca chega a entediar porque, a forma do poema, com todos os seus setecentos versos em dísticos rimados, mantêm um ritmo e um fluxo de leitura agradável. Exemplo de uma seção que gostei muito, é a primeira visita do Julian e o encontro com a filha, uma menina pequena, do amigo. Ela, primeiro com uma vergonha inicial de tentar qualquer brincadeira com ele, por não o vê há muito, e depois "cansando a timidez inicial", percebendo que os seis meses que passaram sem se ver mudou muito mais ela do que ele. Toda a cena desenrolada pela voz interessante do narrador e pelas rimas e ritmo imprimidos pelo Shelley:
A parte narrativa do poema é levada bem a sério, e há muitas descrições da Veneza naquele tempo (1800~1815). O que é agradável e legal de ler. A metade final do poema, porém, não me pegou. É a visita dos dois amigos a um antigo poeta e homem bem-sucedido que agora, louco, está internado em algum tipo de asilo. A atmosfera e o cenário é até que interessante: Julian e Maddalo, pela Veneza agora chuvosa, viajam até a mansão imponente que abriga o louco, e a conversa vai longe, dando voz ao homem para contar sua história: de como o amor o pôs na miséria, e como só o caminho da verdade é o que vale a pena ser seguido. O homem possibilita mostrar aos dois amigos uma terceira visão do amor e do que ele é capaz, remetendo a uma discussão que ocorre antes no poema.
A gente avança no tempo, até uma outra visita do Julian ao amigo, que dessa vez está de viagem. A filha, agora crescida, é quem dá a notícia de que Maddalo não está. É ela, agora, quem toma conta da mansão e abriga o Julian. É ela, também, quem conta o desfecho da história do homem louco, e o poema termina nesse momento. Com um desfecho enigmático; um final aberto.
Sinceramente, eu não consigo apontar para um tema ou um argumento forte e central do poema, além da questão do amor, da racionalidade e da irracionalidade; aliás, nenhuma posição me ficou muito clara e nem a conclusão com relação ao velho. Se a intenção era só essa, mostrar os três pontos de vista, ele fez bem. Foi, no fim, uma boa experiência, e me deu fôlego para voltar a ler umas coisitas novas.
Agora que tudo voltou, mais ou menos, aos trilhos no meu cotidiano, a provação que tive de passar — um pouco de exagero de minha parte, porque foi menos exigente do que pensava —, para coroar tudo, foi esse poema narrativo do Shelley, setecentos versos, e trinta e duas páginas, na minha edição. Eu tinha ele salvo aqui (um poema legalzinho do Thomas Wade [1805-1875] apontava para cá, e eu já tinha lido os dois famigerados poemas do Shelley: Ode to the West Wind e Ozymandias) e o considerava um desafio que valia a pena enfrentar; desafio para mim, especialmente, que leio pouca poesia.
Digo, logo, que foi bastante agradável; e acabou que o teste foi menos pelo conteúdo e mais para o meu inglês, esse longo poema de dezenove.
O cenário do Poema é a Veneza, em meio a vias aquáticas, vilarejos de pescadores, mansões, viagens de gôndola e pores do sol. A narração acompanha o encontro entre dois amigos (Julian e Maddalo — que representam, respectivamente, Shelley e Lord Byron), dois ingleses, de opiniões diferentes e diferentes maneiras de encarar a vida. O primeiro é o visitante, o segundo é o conde que adotou a Itália como lar e recebe, sempre que pode, o amigo Julian por lá.
O ponto central, como o título indica, é a conversa entre os dois, que passa por temas como o amor, a filosofia, a moral e a loucura. Mesmo feito só de conversa e descrição, nunca chega a entediar porque, a forma do poema, com todos os seus setecentos versos em dísticos rimados, mantêm um ritmo e um fluxo de leitura agradável. Exemplo de uma seção que gostei muito, é a primeira visita do Julian e o encontro com a filha, uma menina pequena, do amigo. Ela, primeiro com uma vergonha inicial de tentar qualquer brincadeira com ele, por não o vê há muito, e depois "cansando a timidez inicial", percebendo que os seis meses que passaram sem se ver mudou muito mais ela do que ele. Toda a cena desenrolada pela voz interessante do narrador e pelas rimas e ritmo imprimidos pelo Shelley:
The following morn was rainy, cold and dim:
Ere Maddalo arose, I called on him,
And whilst I waited with his child I played;
A lovelier toy sweet Nature never made,
A serious, subtle, wild, yet gentle being,
Graceful without design and unforeseeing,
With eyes -- Oh speak not of her eyes! -- which seem
Twin mirrors of Italian Heaven, yet gleam
With such deep meaning, as we never see
But in the human countenance: with me
She was a special favourite: I had nursed
Her fine and feeble limbs when she came first
To this bleak world; and she yet seemed to know
On second sight her ancient playfellow,
Less changed than she was by six months or so;
For after her first shyness was worn out
We sate there, rolling billiard balls about (…)
A parte narrativa do poema é levada bem a sério, e há muitas descrições da Veneza naquele tempo (1800~1815). O que é agradável e legal de ler. A metade final do poema, porém, não me pegou. É a visita dos dois amigos a um antigo poeta e homem bem-sucedido que agora, louco, está internado em algum tipo de asilo. A atmosfera e o cenário é até que interessante: Julian e Maddalo, pela Veneza agora chuvosa, viajam até a mansão imponente que abriga o louco, e a conversa vai longe, dando voz ao homem para contar sua história: de como o amor o pôs na miséria, e como só o caminho da verdade é o que vale a pena ser seguido. O homem possibilita mostrar aos dois amigos uma terceira visão do amor e do que ele é capaz, remetendo a uma discussão que ocorre antes no poema.
A gente avança no tempo, até uma outra visita do Julian ao amigo, que dessa vez está de viagem. A filha, agora crescida, é quem dá a notícia de que Maddalo não está. É ela, agora, quem toma conta da mansão e abriga o Julian. É ela, também, quem conta o desfecho da história do homem louco, e o poema termina nesse momento. Com um desfecho enigmático; um final aberto.
Sinceramente, eu não consigo apontar para um tema ou um argumento forte e central do poema, além da questão do amor, da racionalidade e da irracionalidade; aliás, nenhuma posição me ficou muito clara e nem a conclusão com relação ao velho. Se a intenção era só essa, mostrar os três pontos de vista, ele fez bem. Foi, no fim, uma boa experiência, e me deu fôlego para voltar a ler umas coisitas novas.