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rolandosmedeiros 's review for:
The Colour Of Magic
by Terry Pratchett
Os primeiros dois livros da série Discworld, ambos romances do Rincewind (A Cor da Magia e A Luz Fantástica) são do tipo ame ou odeie; pelas palavras do próprio autor, o leitor que pega para ler o livro hoje já tem uma boa chance de saber mais sobre o Discworld do que ele quando o escreveu. Não é nem, tomando como base o site da editora atual, incluído na prateleira de introdução à série — mesmo tendo sido o primeiro dela — dando lugar a "Mort!", "Guardas, Guardas" e outros mais populares.
Mas, mesmo em meio a problemas e virtudes, tenho um carinho especial por estes dois livros. É uma das poucas obras que me passam a mesma sensação de quando, lá pelos meus onze ou doze anos, assistia Adventure Time, com a mesma mistura entre fantasia, humor e total liberdade criativa com a criação de mundo.
A Cor da Magia leva ao extremo o tropo do turista ingênuo com o Duasflor, junto de um protagonista de fantasia totalmente não-convencional, o Rincewind, que é fujão, cínico, e um mago fracassado. Ele vive um mundo totalmente sem sentido — mais do que a nossa bola giratória em um ponto incidental no universo — e não quer nada mais do que uma vida simples e comum, onde realize seus sonhos humildes de trabalhador humilde; e que nada adianta, o mundo gira — ou melhor, a tartaruga que leva o disco nas costas através do universo, segue o seu curso — e o Rincewind é jogado no caos e na loucura, com seu senso de autopreservação de mago fajuto aguçado, senso de humor irônico e cinismo inerente, abrindo o livro com a cidade de Morporkok sendo consumida pelo fogo por conta de uma briga causado por conta do turista de quem lhe fora incluído a tarefa de proteger.
Discworld é uma série predominantemente de comédia e de paródia. Mas vos digo que não é esse o principal ponto que me atrai. Acho que os pontos onde Pratchett deixa a sua imaginação correr livre, abarca o nonsense, o imaginativo e o surreal em seus conceitos e ideias, que me prendem mais.
O nome já entrega: o mundo, aqui, é o mundo do Sword'n'Sorcery, só que tem formato de disco e não de esfera e, além disso, é sustentado por quatro elefantes de proporções continentais (Berilia, Tubul, Grande T’Phon e Jerakeen), que por sua vez, estão de pé sobre o casco de uma tartaruga gigante estelar (a Grande A’Tuin) que nada através do espaço. Sabe-se lá para onde.
A Cor da Magia meio que não tem um enredo, a não ser a cena final que amarra tudo para o segundo livro. O livro é dividido em partes e está mais preocupado, em cada um delas, de trazer um cenário e um rol de personagens, lugares e entidades para parodiar e brincar comelas. Tolkien, Lovecraft, Howard, até RPGS antigos.
Os personagens vão desde a personificação da Morte e do Destino, uma entidade lovecraftiana Bel-Shamharoth, indo até arquétipos clássicos da fantasia parodiados e renovados, como o Hrun o Bárbaro, e os próprios Rincewind e Duasflor. Há as Dríades que diferem totalmente da maneira como as imaginamos, a espada mágica falante do Hrun cuja única propriedade que a distingue das outras espadas convencionais é o ato de falar e cantar, e outros. O mesmo trato é dado à geografia do mundo: uma área com um campo mágico altamente elevado, notado pela tendência que os arbustos tinham de andar e falar; uma gigantesca montanha de ponta cabeça, a Wyrmberg, lar de dragões, porém, dragões translúcidos, que só existem se você acreditar neles.
O intenso campo mágico mostra diversos de seus efeitos bizarros, um deles é quando após a queda de um dos dragões, Rincewind e Duasflor rasgam um buraco no tecido da realidade e são sugados para dentro. Rincewind acorda dentro de um avião (algo que faz mais sentido em inglês, eles atravessam de plano, atravessam de plane) que foi sequestrado, e por fim cai em algum lugar do Mar Círculo, o mar do disco, que literalmente tem uma beira, e a água derrama para o universo (de novo, em inglês, tem a ver com a circumference)
Os mais de quarenta livros da série de Discworld são divididos entre vários "ciclos" diferentes, portanto a ordem de leitura é totalmente misturada, dando ao leitor a opção de escolher o núcleo que mais o agrada e começar por ali.
E após passar pelos dois primeiros (A Cor da Magia e A Luz Fantástica), entendi o motivo de alguns leitores da série aconselharem a não começar por eles. Apesar de possuir apenas 152 páginas, ele não é uma leitura tão fluída assim, e a escolha narrativa de ir abordando pequenos arcos diferentes, e de deixar o final aberto para o próximo (é o único de toda a série a ser sequencial) não funcionou tão bem.
No geral, A Cor da Magia tem um humor bastante característico, que se sustenta pelas diversas críticas e sátiras a outras obras de fantasia, e que cortam também por aspectos da nossa sociedade, que criou tais obras de fantasia, é recheado de sarcasmo, com doses equânimes de ideias inteligentes e caóticas, ainda que com seus altos e baixos, já no primeiro livro da longa série.
Mas, mesmo em meio a problemas e virtudes, tenho um carinho especial por estes dois livros. É uma das poucas obras que me passam a mesma sensação de quando, lá pelos meus onze ou doze anos, assistia Adventure Time, com a mesma mistura entre fantasia, humor e total liberdade criativa com a criação de mundo.
A Cor da Magia leva ao extremo o tropo do turista ingênuo com o Duasflor, junto de um protagonista de fantasia totalmente não-convencional, o Rincewind, que é fujão, cínico, e um mago fracassado. Ele vive um mundo totalmente sem sentido — mais do que a nossa bola giratória em um ponto incidental no universo — e não quer nada mais do que uma vida simples e comum, onde realize seus sonhos humildes de trabalhador humilde; e que nada adianta, o mundo gira — ou melhor, a tartaruga que leva o disco nas costas através do universo, segue o seu curso — e o Rincewind é jogado no caos e na loucura, com seu senso de autopreservação de mago fajuto aguçado, senso de humor irônico e cinismo inerente, abrindo o livro com a cidade de Morporkok sendo consumida pelo fogo por conta de uma briga causado por conta do turista de quem lhe fora incluído a tarefa de proteger.
Discworld é uma série predominantemente de comédia e de paródia. Mas vos digo que não é esse o principal ponto que me atrai. Acho que os pontos onde Pratchett deixa a sua imaginação correr livre, abarca o nonsense, o imaginativo e o surreal em seus conceitos e ideias, que me prendem mais.
As plantas do Discworld, embora incluíssem as categorias em geral chamadas de anuais, semeadas para nascer no mesmo ano, bienais, semeadas para crescer no ano seguinte, eperenes, semeadas para nascer sabe-se lá quando, também abrangiam algumas raras reanuais, que, por causa de um incomum desvio quadridimensional em seus genes, podiam ser plantadas no ano corrente para dar no ano passado. A noz vul era excepcional nesse sentido, porque chegava a florescer até oito anos antes de ser plantada. Seu vinho tinha fama de dar a certas pessoas uma visão do futuro — que, do ponto de vista da noz, era o passado. Estranho, mas verdadeiro."
O nome já entrega: o mundo, aqui, é o mundo do Sword'n'Sorcery, só que tem formato de disco e não de esfera e, além disso, é sustentado por quatro elefantes de proporções continentais (Berilia, Tubul, Grande T’Phon e Jerakeen), que por sua vez, estão de pé sobre o casco de uma tartaruga gigante estelar (a Grande A’Tuin) que nada através do espaço. Sabe-se lá para onde.
''O motivo exato do que foi dito acima ser dessa forma não está claro, mas explica um pouco por quê, no Discworld, os Deuses são mais criticados do que venerados.''
A Cor da Magia meio que não tem um enredo, a não ser a cena final que amarra tudo para o segundo livro. O livro é dividido em partes e está mais preocupado, em cada um delas, de trazer um cenário e um rol de personagens, lugares e entidades para parodiar e brincar comelas. Tolkien, Lovecraft, Howard, até RPGS antigos.
Os personagens vão desde a personificação da Morte e do Destino, uma entidade lovecraftiana Bel-Shamharoth, indo até arquétipos clássicos da fantasia parodiados e renovados, como o Hrun o Bárbaro, e os próprios Rincewind e Duasflor. Há as Dríades que diferem totalmente da maneira como as imaginamos, a espada mágica falante do Hrun cuja única propriedade que a distingue das outras espadas convencionais é o ato de falar e cantar, e outros. O mesmo trato é dado à geografia do mundo: uma área com um campo mágico altamente elevado, notado pela tendência que os arbustos tinham de andar e falar; uma gigantesca montanha de ponta cabeça, a Wyrmberg, lar de dragões, porém, dragões translúcidos, que só existem se você acreditar neles.
O intenso campo mágico mostra diversos de seus efeitos bizarros, um deles é quando após a queda de um dos dragões, Rincewind e Duasflor rasgam um buraco no tecido da realidade e são sugados para dentro. Rincewind acorda dentro de um avião (algo que faz mais sentido em inglês, eles atravessam de plano, atravessam de plane) que foi sequestrado, e por fim cai em algum lugar do Mar Círculo, o mar do disco, que literalmente tem uma beira, e a água derrama para o universo (de novo, em inglês, tem a ver com a circumference)
Os mais de quarenta livros da série de Discworld são divididos entre vários "ciclos" diferentes, portanto a ordem de leitura é totalmente misturada, dando ao leitor a opção de escolher o núcleo que mais o agrada e começar por ali.
E após passar pelos dois primeiros (A Cor da Magia e A Luz Fantástica), entendi o motivo de alguns leitores da série aconselharem a não começar por eles. Apesar de possuir apenas 152 páginas, ele não é uma leitura tão fluída assim, e a escolha narrativa de ir abordando pequenos arcos diferentes, e de deixar o final aberto para o próximo (é o único de toda a série a ser sequencial) não funcionou tão bem.
No geral, A Cor da Magia tem um humor bastante característico, que se sustenta pelas diversas críticas e sátiras a outras obras de fantasia, e que cortam também por aspectos da nossa sociedade, que criou tais obras de fantasia, é recheado de sarcasmo, com doses equânimes de ideias inteligentes e caóticas, ainda que com seus altos e baixos, já no primeiro livro da longa série.
Fantasia/Comédia
152pp — ✲ 3.0/5.0
Outros Comentários: The Light Fantastic