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Caesar and Christ by Will Durant

[Lucrécio] "Tantum religio potuit suadere malorum — “a tantos males a religião persuadiu o homem”. Refere ele a história de Ifigênia em Áulis, os inumeráveis sacrifícios humanos, as hecatombes aos deuses concebidos à imagem da voracidade humana; recorda o terror da simplicidade e juventude perdidas numa congérie de divindades vingativas, o medo ao raio e ao trovão, à morte e ao inferno, e os terrores subterrâneos descritos na arte etrusca e nos mistérios orientais. Incrimina a humanidade por preferir os sacrifícios rituais à compreensão filosófica: “Ó miserável raça humana, que imputas aos deuses atos tais e lhes atribui tamanha ira! Quanto sofrimento (por meio de tais credos) os homens preparam para si mesmos, que feridas para todos nós, quantas lágrimas para nossos filhos! Porque a devoção não consiste em voltar para as pedras um rosto velado, nem em aproximar-se de cada altar, nem em se prostrar diante dos templos dos deuses, nem em espargi-los com o sangue de animais… mas na capacidade de olhar para todas as coisas com paz de espírito.”"

SpoilerComentário inicial:

O Will e a Ariel possuem uma prosa e uma habilidade para escrever história que mesmo depois de duas mil páginas (Nossa Herança Oriental e Nossa Herança Clássica) eu ainda me sinto disposto de encarar mais outras mil. Olha que sou um leitor de pouco fôlego, e que história seja talvez um interesse menor meu, em comparação com ficção e outras coisas.

É, sobretudo, a personalidade deles, o método e a maneira de avançar nos tópicos que faz um livro de história de 1940 ter tanto frescor. O Will com certeza se inspira nos historiadores antigos — Heródoto, Tucídides e outros —, e a ajuda da Ariel faz com que ele não caia em muito dos problemas de outros historiadores antigos no trato das raças, do gênero, da sexualidade e, principalmente, do papel feminino na história. Desde o primeiro livro isso fica claro.

Para fazer A História da Civilização, por exemplo, "o casal Durant empregou a maior parte de seu tempo de trabalho (oito a quatorze horas diárias) ao livro ", e a dedicação foi tanta que "Para se prepararem melhor para a obra, Will Durant e a mulher viajaram pela Europa em 1927, deram a volta ao mundo em 1930, para estudar o Egito, o Oriente Próximo, índia, China e Japão, e novamente circularam a Terra em 1932, para visitar o Japão, a Manchúria, Sibéria, Rússia Europeia e Polônia.

Outro ponto que talvez me faça lê-los com tanto vigor é o método e o objetivo que eles possuem. O primeiro: escrever a história como "o estudo das principais fases da vida, do trabalho, da cultura [e da arte] de um povo, entrosadamente." Isso pauta muito do conteúdo. A gente lê muito sobre todo tipo de arte, trechos de literatura, referências a estatuária e a pintura, juízos diversos entre outras coisas. Não trata, aliás, a história como linha de desenvolvimento linear. O segundo ponto: eles enxergam o estudo da história como uma iluminação dos dias de hoje "[Will] nos recorda que os ditadores sempre usaram o mesmo métodos" e que fenômenos e acontecimentos atuais como "agências bancárias, de fundos destinados a melhoramentos com fins políticos, depressão econômica, projetos e regulamentações governamentais, socialismo do Estado, planos prioritários de tempo de guerra, corrupção eleitoral, grupos de pressão, associações de classe e outros (...) existem há pelo menos dois mil anos.

Agora, nesta entrada da série: a história de Roma e Cristo. O drama do maior império da história, que nenhum poeta conseguiria replicar ou fabricar. De uma aldeia de encruzilhada à dominação do mundo; e, então, a queda.