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rolandosmedeiros 's review for:
An Odyssey: A Father, a Son, and an Epic
by Daniel Mendelsohn
Primeiro, esse livro me despertou curiosidade, depois, me aborreceu, se arrastou, massou no prólogo, parecia não ir para um lugar, nem outro; então… então… me fez rir, me encantou, me prendeu, e, perto do fim, num episódio da vida real de um anagnorisis aristotélico, me arrepiou da cabeça aos pés…
Num misto de autoficção/ensaio pessoal, acompanhamos, pelas palavras do próprio, o curso completo do Professor Daniel Mendelsohn"Classics 125: The Odyssey" que ocorreu alguns meses antes deste livro ter sido colocado no papel. Completo apenas no quesito de extensão, mas em tudo que envolve um curso acadêmico: criticismo inteligente, leitura, tradução e contextualização direto grego, toda uma questão pedagógica e relacional: as opiniões dos alunos em confronto com o Professor, a tentativa falha de colocá-los nos trilhos, a interpretação de séculos em embate com as opiniões dos alunos, a tentativa - que será muito significativa - do Professor de iluminar certos aspectos da Odisséia que torna Homero ainda nosso contempoeraneo, e mais. No entanto, o melhor do curso se dá na partipação do Sr. Mendelsohn, o pai idoso do Professor, que com oitenta anos, um matématico que decide por fim ler a Odisséia, e se inscreve no curso do filho e se presta a participar ativamente das discussões.
O melhor de tudo: ele odeia o Odisseu; e suas opiniões ácidas, fortes, vão cada vez ficando mais deleitosas conforme o conhecemos melhor, e não é surpresa que os alunos o adorem.
Mas é claro, o livro não é só isso. O Daniel faz essa rememoração do Curso que seu pai participou para mergulhar de verdade no passado: desvelando lentamente esse personagem único, interessantíssimo, e a relação pai e filho: a Odisseia se dissolvendo e se misturando com a vida de todos os pais e de todos os filhos; principalmente na vida desses dois.
A escrita é quase fria, ele arrisca muitas símiles, numa imitação do Homero, algumas dão certo, a maioria não; o ponto é que esse estilo, quase pedagógico, funciona bastante que bem quando vamos então, para as aulas, aprende-se muito sobre a Odisseia, sobre o Grego antigo, sobre como foi composta, mas é preciso saber que não é a linguagem que de alguma forma alavanca o livro, a narrativa e a autobiografia quasi-ficcionalizada é o que o sustentam.
Fica sempre aquela pergunta quando vai se falar de literatura clássica, ou mesmo da literatura como um todo: "para que serve?" E apesar de não tocar acho que nenhuma vez nesse assunto, a obra do Daniel, por si só, a responder essa pergunta. Por que ler a Odisseia? Bem, pela sua beleza, pela sua dimensão psicológica, pela inteligência do Homero, e por continuar contemporânea após praticamente quatro mil anos. E ele prova isso, em episódios da vida dele e de seu pai que acontecem logo após o Curso e o Cruzeiro que fazem retraçando a Odisseia, que são extremamente impactantes, e remetem diretamente à obra do Homero.
E cada parte da Odisseia, como perceberemos ao longo desse pequeno vislumbre na vida dos Mendelsohns, é real, é palpável: a Telemaquia (Educação), a Paideusis (Pais e Filhos), a Homophrosynê (Maridos e Mulheres; melhor, o encaixe entre Maridos e Mulheres), o Apologoi (as aventuras), o Nostos (o retorno para casa), Anagnorisis (o Reconhecimento), e enfim, Sêma (Sinal) que grego, não por coincidência, também significa "túmulo" ou "tumba".
Em conclusão, se você enfrentar um leve arraste, de uma introdução ligeiramente maçante, você será recompensado; de um lado, por ser apresentado de uma maneira bastante receptiva à Odisseia do Homero, do outro, pelo impacto da história, da biografia, da narrativa, chame como quiser, do Daniel Mendelsohn e de seu pai, entrelaçados pela Odisséia, e entreleçados pelo mistério de um filho nunca, em sua totalidade, conhecer o seu pai. Impactante, revelador e crítico; grande livro.
Num misto de autoficção/ensaio pessoal, acompanhamos, pelas palavras do próprio, o curso completo do Professor Daniel Mendelsohn"Classics 125: The Odyssey" que ocorreu alguns meses antes deste livro ter sido colocado no papel. Completo apenas no quesito de extensão, mas em tudo que envolve um curso acadêmico: criticismo inteligente, leitura, tradução e contextualização direto grego, toda uma questão pedagógica e relacional: as opiniões dos alunos em confronto com o Professor, a tentativa falha de colocá-los nos trilhos, a interpretação de séculos em embate com as opiniões dos alunos, a tentativa - que será muito significativa - do Professor de iluminar certos aspectos da Odisséia que torna Homero ainda nosso contempoeraneo, e mais. No entanto, o melhor do curso se dá na partipação do Sr. Mendelsohn, o pai idoso do Professor, que com oitenta anos, um matématico que decide por fim ler a Odisséia, e se inscreve no curso do filho e se presta a participar ativamente das discussões.
O melhor de tudo: ele odeia o Odisseu; e suas opiniões ácidas, fortes, vão cada vez ficando mais deleitosas conforme o conhecemos melhor, e não é surpresa que os alunos o adorem.
Mas é claro, o livro não é só isso. O Daniel faz essa rememoração do Curso que seu pai participou para mergulhar de verdade no passado: desvelando lentamente esse personagem único, interessantíssimo, e a relação pai e filho: a Odisseia se dissolvendo e se misturando com a vida de todos os pais e de todos os filhos; principalmente na vida desses dois.
A escrita é quase fria, ele arrisca muitas símiles, numa imitação do Homero, algumas dão certo, a maioria não; o ponto é que esse estilo, quase pedagógico, funciona bastante que bem quando vamos então, para as aulas, aprende-se muito sobre a Odisseia, sobre o Grego antigo, sobre como foi composta, mas é preciso saber que não é a linguagem que de alguma forma alavanca o livro, a narrativa e a autobiografia quasi-ficcionalizada é o que o sustentam.
Fica sempre aquela pergunta quando vai se falar de literatura clássica, ou mesmo da literatura como um todo: "para que serve?" E apesar de não tocar acho que nenhuma vez nesse assunto, a obra do Daniel, por si só, a responder essa pergunta. Por que ler a Odisseia? Bem, pela sua beleza, pela sua dimensão psicológica, pela inteligência do Homero, e por continuar contemporânea após praticamente quatro mil anos. E ele prova isso, em episódios da vida dele e de seu pai que acontecem logo após o Curso e o Cruzeiro que fazem retraçando a Odisseia, que são extremamente impactantes, e remetem diretamente à obra do Homero.
E cada parte da Odisseia, como perceberemos ao longo desse pequeno vislumbre na vida dos Mendelsohns, é real, é palpável: a Telemaquia (Educação), a Paideusis (Pais e Filhos), a Homophrosynê (Maridos e Mulheres; melhor, o encaixe entre Maridos e Mulheres), o Apologoi (as aventuras), o Nostos (o retorno para casa), Anagnorisis (o Reconhecimento), e enfim, Sêma (Sinal) que grego, não por coincidência, também significa "túmulo" ou "tumba".
Em conclusão, se você enfrentar um leve arraste, de uma introdução ligeiramente maçante, você será recompensado; de um lado, por ser apresentado de uma maneira bastante receptiva à Odisseia do Homero, do outro, pelo impacto da história, da biografia, da narrativa, chame como quiser, do Daniel Mendelsohn e de seu pai, entrelaçados pela Odisséia, e entreleçados pelo mistério de um filho nunca, em sua totalidade, conhecer o seu pai. Impactante, revelador e crítico; grande livro.