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rolandosmedeiros 's review for:
Ao Sul de Lugar Nenhum
by Charles Bukowski
Nenhum Caminho para o Paraíso — 2.0/5.0
Bukowski é um autor que de uns tempos para cá, principalmente através dos fanclubes das redes-sociais, tem se tornado difícil de evitar. Tanto o lado dos perfis com fotos preto & branco (alguns estranhamente pelados) que o endeusam, como o dos eruditos que o pisoteiam, são dois lados numerosos e eloquentes, que provavelmente influenciarão as primeiras leituras que alguém poderá fazer deste autor. Um primeiro contato puro (do tipo que eu gosto — idealizado, eu sei — e que fiz recentemente com o D.H Lawrence) não existe com o velho Buk. Seus temas já são esperados, e sua linguagem conhecida: xingamentos, sexo, bebida e cigarro. Tudo isso, por exemplo, já imbuído no meu imaginário por osmose, se mostra factual aqui, a ponto de se aproximar da caricatura.
Mas, mesmo assim, me esforcei o máximo para olhar esse conto de um ponto de vista afastado, longe dos que imediatamente caracterizam o Bukowski como porcaria, e também dos que o elevam ao patamar de arauto de todos os homens.
Lido, pois, Nenhum Caminho para o Paraíso é ligeiramente decepcionante.
Tem um início muito promissor, com a inserção de um caráter fantasioso no meio de um hiper-realismo de bar escuro e esfumaçado de cigarro, justapostos, fazendo um contraste interessante. Uma mulher é apresentada, e tira da bolsa homúnculos — pequenos homenzinhos — que vivem suas próprias vidas quando colocados na mesa do bar, e as personagens ali, como se fosse a coisa mais normal do mundo, num estranho voyeur.
O conto desenvolve então narrando a vida e amorios daqueles homúnculos, um duplo casal em miniatura, na mesa do bar; um influciando o outro — humanos no bar, e homúnculos na mesa — a coisa esquenta no motel rodeado de gigantes copos. É inteligente a utilização dos homúnculos para falar sobre voyeurismo, motif central; e, pela parte da mulher protagonista que observa aquilo, vê-se uma espécie de afastamento das relações “táteis”, para se imergir e escapar dentro das mesmíssimas relações, só que sob outra ótica, a partir da observação. Vemos isso hoje, por exemplo, no alto consumo da pornografia visual e literária.
É verdadeiramente interessante, mas a escrita do Bukowski não desenvolve nada, e não ajuda em nada, parece que não há esforço algum para deixar o conto palatável. Os comentários do narrador/personagem então, nem se fala, a linguagem chula soa muito deslocada, forçada, principalmente neste conto que exigiria mais afinação para tratar dos temas. A sensação que fica do encerramento, é que o Buk ficou no limiar entre o “se levar a sério demais” e o “não se levar a sério absolutamente”. Um exemplo explícito para mim, da falha de construção, é que ele tenta propositalmente engessar e planificar o diálogo dos homúnculos, mas o tiro sai pela culatra quando seus próprios diálogos "sérios" soam do mesmo modo; parece tudo uma grandiosíssima caricatura.
Eu não gosto dos se's — se minha mãe fosse homem, seria meu pai; ditado do meu irmão — mas, se o Bukowski tivesse investido um pouco mais de esforço nesse conto, e o construísse com um pouco mais de apuro, teria saído daqui um bom relato fantástico ou meio hiper-realista; um misto da sujeira característica do autor, com uma inserção "estranha", para tratar de temas próprios e caros dele: fetiches, relacionamentos, e sexo.
Curiosamente, e, criminosamente, encontrei esse conto numa lista dos cem melhores da literatura universal, o que é loucura. Deixe-me dar estrelinhas, gosto de estrelinhas: duas, forçando um pouco.
(Nota Ulterior: sei lá porque cliquei nessa resenha de novo, mas quando me dei por conta já estava editando os erros; agora, a nota: não sei se é porque parei de usar o facebook, mas faz tempo que não vejo esses homens bukowskianos; acho, espero, que entraram em extinção)
Bukowski é um autor que de uns tempos para cá, principalmente através dos fanclubes das redes-sociais, tem se tornado difícil de evitar. Tanto o lado dos perfis com fotos preto & branco (alguns estranhamente pelados) que o endeusam, como o dos eruditos que o pisoteiam, são dois lados numerosos e eloquentes, que provavelmente influenciarão as primeiras leituras que alguém poderá fazer deste autor. Um primeiro contato puro (do tipo que eu gosto — idealizado, eu sei — e que fiz recentemente com o D.H Lawrence) não existe com o velho Buk. Seus temas já são esperados, e sua linguagem conhecida: xingamentos, sexo, bebida e cigarro. Tudo isso, por exemplo, já imbuído no meu imaginário por osmose, se mostra factual aqui, a ponto de se aproximar da caricatura.
Mas, mesmo assim, me esforcei o máximo para olhar esse conto de um ponto de vista afastado, longe dos que imediatamente caracterizam o Bukowski como porcaria, e também dos que o elevam ao patamar de arauto de todos os homens.
Lido, pois, Nenhum Caminho para o Paraíso é ligeiramente decepcionante.
Tem um início muito promissor, com a inserção de um caráter fantasioso no meio de um hiper-realismo de bar escuro e esfumaçado de cigarro, justapostos, fazendo um contraste interessante. Uma mulher é apresentada, e tira da bolsa homúnculos — pequenos homenzinhos — que vivem suas próprias vidas quando colocados na mesa do bar, e as personagens ali, como se fosse a coisa mais normal do mundo, num estranho voyeur.
O conto desenvolve então narrando a vida e amorios daqueles homúnculos, um duplo casal em miniatura, na mesa do bar; um influciando o outro — humanos no bar, e homúnculos na mesa — a coisa esquenta no motel rodeado de gigantes copos. É inteligente a utilização dos homúnculos para falar sobre voyeurismo, motif central; e, pela parte da mulher protagonista que observa aquilo, vê-se uma espécie de afastamento das relações “táteis”, para se imergir e escapar dentro das mesmíssimas relações, só que sob outra ótica, a partir da observação. Vemos isso hoje, por exemplo, no alto consumo da pornografia visual e literária.
É verdadeiramente interessante, mas a escrita do Bukowski não desenvolve nada, e não ajuda em nada, parece que não há esforço algum para deixar o conto palatável. Os comentários do narrador/personagem então, nem se fala, a linguagem chula soa muito deslocada, forçada, principalmente neste conto que exigiria mais afinação para tratar dos temas. A sensação que fica do encerramento, é que o Buk ficou no limiar entre o “se levar a sério demais” e o “não se levar a sério absolutamente”. Um exemplo explícito para mim, da falha de construção, é que ele tenta propositalmente engessar e planificar o diálogo dos homúnculos, mas o tiro sai pela culatra quando seus próprios diálogos "sérios" soam do mesmo modo; parece tudo uma grandiosíssima caricatura.
Eu não gosto dos se's — se minha mãe fosse homem, seria meu pai; ditado do meu irmão — mas, se o Bukowski tivesse investido um pouco mais de esforço nesse conto, e o construísse com um pouco mais de apuro, teria saído daqui um bom relato fantástico ou meio hiper-realista; um misto da sujeira característica do autor, com uma inserção "estranha", para tratar de temas próprios e caros dele: fetiches, relacionamentos, e sexo.
Curiosamente, e, criminosamente, encontrei esse conto numa lista dos cem melhores da literatura universal, o que é loucura. Deixe-me dar estrelinhas, gosto de estrelinhas: duas, forçando um pouco.
(Nota Ulterior: sei lá porque cliquei nessa resenha de novo, mas quando me dei por conta já estava editando os erros; agora, a nota: não sei se é porque parei de usar o facebook, mas faz tempo que não vejo esses homens bukowskianos; acho, espero, que entraram em extinção)