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rolandosmedeiros 's review for:
The Collectors
by Philip Pullman
Bingo de Ficção Especulativa do Reddit 2024~2025
First in a Series: Read the first book in a series 1/2 [Modo Fácil: Série de Três Livros ou Menos]
Para alguém como eu, ser forçado, por forças externas, a mudar a rotina significa abandonar um monte de coisa e atividade (quem mais sofreu foi, justamente, meu sono e as leituras) até que tudo esteja encaixadinho, cada qual em sua prateleira, a fim de que eu consiga fazer um pouco de tudo. E esse desafio de leitura que me meti até que ajudou no processo, porque há categorias com livros que não exigem tanto assim do leitor, e eu leio no meio tempo que tenho entre o dia-a-dia corrido sem medo de estar deixando passar muita coisa. No caso da Bússola de Ouro, o livro foi bem mais prazeroso do que eu esperava, ao contrário das prequels (que também decidi encarar) Once Upon a Time in the North e The Imaginary Chamber, sem vergonha lançados, certamente, para vender: essa entrada as representa todas.
Once Upon a Time in the North uma novelinha que tenta fazer comédia com o Lee (personagem bastante interessante do Northern Lights). Ele faz um pouso forçado com seu balão em uma cidade quieta e gelada próxima dos polos que está no meio de uma eleição municipal e de uma recém-descoberta jazida de petróleo. Você consegue imaginar a trama: um político mau, o nosso anti-herói, a filha do tal político que é bonita e meio burrinha, etc. Não senti vontade de continuar, porque o humor é bem ruim, e a prosa sem enfeites ou adornos, então nunca saberei qual a virada (ou se há virada) na trama. The Imaginary Chamber são pequenas vignettes do mundo da Lyra, demasiado simples para que sejam interessantes ou incisivos (penso nas vignettes do Bradbury em Crônicas Marcianas), e muito curtos para que nos forneça boas pepitas de Worldbuilding.
Das três prequels, esta, The Collectors é a melhor, e tem uma razão: era um conto normal que (novamente, dinheiro) os editores forçaram o Pullman a transformar em uma história de dentro do universo. E calhou de ficar bom.
Pullman faz aqui uma mistura de A Pata do Macaco (o conto famoso), um tipo de Monalisa e os daemons de seu universo. Funciona bem como uma narrativa fantástica solta, porque o que é necessário saber desse universo para o conto funcionar é exposto em um diálogo no meio do conto. Ademais, é uma narrativa fantástica bem feita, ainda que bem seca e direta ao ponto.
Dois interessados em artes plásticas, um deles um vendedor, em um encontro numa universidade conversam e comentam seus atuais interesses e negócios; o do vendedor: um quadro genial de um pintor obscuro, a figura de uma pálida e bonita mulher com um olhar enigmático, e mais: acompanhado do quadro vem uma pequena escultura de um macaco raivoso. Segundo o vendedor, são inseparáveis. E mesmo que algum possível comprador resolva não adquirir o macaco junto, ele dará um jeito de aparecer no inventário do comprador — dobrando, no caminho, uma série de acontecimentos para que tenha sucesso. Aquele que conta essa história acredita porque o mesmo se passou com ele depois de comprar o quadro. Daí o conto se desenrola, os dois sobem até o quarto para olharem e comentarem o quadro e a escultura do macaco, e entre descrições, vinhos e estranhas coincidência, perpassa um mistério e um assassinato; há uma ótima virada narrativa final que não explica nem subestima o leitor. É um conto redondinho.
E como eles não conseguiriam vender muito bem só um continho que nem é lá tão bem amarrado na famosa trilogia do Pullman, vem com uma notinha final dele sobre a criação literária:
"A coisa mais valiosa que aprendi sobre escrever é que você deve continuar mesmo quando está difícil e complicado (...) Você já ouviu falar de algum pedreiro que parou de trabalhar porque está com bloqueio? Ou um gari, um médico? É claro que não. Eles são obrigados a trabalhar mesmo quando não querem." E, segundo o Pullman, são três as leis universais de uma narrativa. Elas nada tem a ver com regras do universos, apesar de serem chamadas leis, são exemplos alá um ‘‘permitido fumar’’ que pode virar um ‘‘proibido fumar’’, não algo como a lei da gravidade:
I. Uma narrativa que não se resolve é insatisfatória;
II. Uma cena que não avança a história, hora ou outra a atrapalhará;
III. Há de se saber exatamente onde começar.
First in a Series: Read the first book in a series 1/2 [Modo Fácil: Série de Três Livros ou Menos]
Para alguém como eu, ser forçado, por forças externas, a mudar a rotina significa abandonar um monte de coisa e atividade (quem mais sofreu foi, justamente, meu sono e as leituras) até que tudo esteja encaixadinho, cada qual em sua prateleira, a fim de que eu consiga fazer um pouco de tudo. E esse desafio de leitura que me meti até que ajudou no processo, porque há categorias com livros que não exigem tanto assim do leitor, e eu leio no meio tempo que tenho entre o dia-a-dia corrido sem medo de estar deixando passar muita coisa. No caso da Bússola de Ouro, o livro foi bem mais prazeroso do que eu esperava, ao contrário das prequels (que também decidi encarar) Once Upon a Time in the North e The Imaginary Chamber, sem vergonha lançados, certamente, para vender: essa entrada as representa todas.
Once Upon a Time in the North uma novelinha que tenta fazer comédia com o Lee (personagem bastante interessante do Northern Lights). Ele faz um pouso forçado com seu balão em uma cidade quieta e gelada próxima dos polos que está no meio de uma eleição municipal e de uma recém-descoberta jazida de petróleo. Você consegue imaginar a trama: um político mau, o nosso anti-herói, a filha do tal político que é bonita e meio burrinha, etc. Não senti vontade de continuar, porque o humor é bem ruim, e a prosa sem enfeites ou adornos, então nunca saberei qual a virada (ou se há virada) na trama. The Imaginary Chamber são pequenas vignettes do mundo da Lyra, demasiado simples para que sejam interessantes ou incisivos (penso nas vignettes do Bradbury em Crônicas Marcianas), e muito curtos para que nos forneça boas pepitas de Worldbuilding.
Das três prequels, esta, The Collectors é a melhor, e tem uma razão: era um conto normal que (novamente, dinheiro) os editores forçaram o Pullman a transformar em uma história de dentro do universo. E calhou de ficar bom.
Pullman faz aqui uma mistura de A Pata do Macaco (o conto famoso), um tipo de Monalisa e os daemons de seu universo. Funciona bem como uma narrativa fantástica solta, porque o que é necessário saber desse universo para o conto funcionar é exposto em um diálogo no meio do conto. Ademais, é uma narrativa fantástica bem feita, ainda que bem seca e direta ao ponto.
Dois interessados em artes plásticas, um deles um vendedor, em um encontro numa universidade conversam e comentam seus atuais interesses e negócios; o do vendedor: um quadro genial de um pintor obscuro, a figura de uma pálida e bonita mulher com um olhar enigmático, e mais: acompanhado do quadro vem uma pequena escultura de um macaco raivoso. Segundo o vendedor, são inseparáveis. E mesmo que algum possível comprador resolva não adquirir o macaco junto, ele dará um jeito de aparecer no inventário do comprador — dobrando, no caminho, uma série de acontecimentos para que tenha sucesso. Aquele que conta essa história acredita porque o mesmo se passou com ele depois de comprar o quadro. Daí o conto se desenrola, os dois sobem até o quarto para olharem e comentarem o quadro e a escultura do macaco, e entre descrições, vinhos e estranhas coincidência, perpassa um mistério e um assassinato; há uma ótima virada narrativa final que não explica nem subestima o leitor. É um conto redondinho.
“What a very pretty girl. D’you know who she is?”
“No idea,” said the bursar, “but she looks mighty pleased with herself.”
E como eles não conseguiriam vender muito bem só um continho que nem é lá tão bem amarrado na famosa trilogia do Pullman, vem com uma notinha final dele sobre a criação literária:
"A coisa mais valiosa que aprendi sobre escrever é que você deve continuar mesmo quando está difícil e complicado (...) Você já ouviu falar de algum pedreiro que parou de trabalhar porque está com bloqueio? Ou um gari, um médico? É claro que não. Eles são obrigados a trabalhar mesmo quando não querem." E, segundo o Pullman, são três as leis universais de uma narrativa. Elas nada tem a ver com regras do universos, apesar de serem chamadas leis, são exemplos alá um ‘‘permitido fumar’’ que pode virar um ‘‘proibido fumar’’, não algo como a lei da gravidade:
I. Uma narrativa que não se resolve é insatisfatória;
II. Uma cena que não avança a história, hora ou outra a atrapalhará;
III. Há de se saber exatamente onde começar.
Once Upon a Time in the North;
Imaginary Chamber; The Collectors
Novela, Vignnetes e Conto
2008s/2014s
✲ 2.5/5.0 —✲ 3.0/5.0
Outros Comentários: A Bússola de Ouro (mais tarde)