Take a photo of a barcode or cover
fevi 's review for:
O avesso da pele
by Jeferson Tenório
#BingoLitNegra #LeiaNegros
Jeferson Tenório construiu uma síntese de como é ser negro em território brasileiro. Está no texto de forma escancarada e cristalina os racismos cotidianos sejam eles disfarçados, recreativos ou intencionais. Está uma forma simples seja na escrita ou na escolha do enredo, das cenas ou do sentimento em que o autor deseja transmitir. Nós negros não possuímos as mesmas vivências, mas muito dos nossos sofrimentos são compartilhados. Para mim, O Avesso da Pele é quase uma cartilha em que mostra as formas de homens e mulheres negras sofrem todos os dias em intensidades diferentes. O texto não é didático ele só não esconde a realidade.
Para além do excitante relato da existência negra, o autor também trabalha de forma bastante interessante as construções das relações amorosas e como o passado, as dores antigas influenciam a forma das pessoas se relacionarem. Há uma discussão por todo o livro sobre afeto e amor e como as negras, principalmente, aceitam qualquer forma de demonstração de carinho para não se sentirem sozinhas. É um ponto do livro que me chamou bastante atenção.
Tenório ainda denúncia a precarização do profissional da educação de forma recorrente. A falta de incentivo aos educadores, escolas despreparadas e desconhecimento da realidade que afetam de inúmeras formas a educação brasileira. Não há como transformar um país se não existem professores motivados e escolas estruturadas para mostrar um mundo de possibilidades para os estudantes. Mais uma vez o Brasil sai perdendo com esse empobrecimento intelectual.
Para finalizar, gosto de como o autor constrói os personagens negros. São personagens falhos e problemáticos como qualquer pessoa. Isto fica claro no texto. Aqui eles são além da pele negra que carregam. O caráter não escolhe cor de pele, mas fica o questionamento: o quanto desse caráter, dessa personalidade foi construída por ser uma pessoa negra vivendo em um país de passado escravocrata e insistente em descriminar pessoas pela cor da pele? Nós somos negros, mas ainda mais que negros.
Pela sutileza, pela clareza e pela necessidade que ainda temos de debater e combater o passado escravocrata do Brasil o livro de Tenório é mais que recomendável, é essencial. Porque diferente do que muitos dizem ou já disseram ainda não vivemos em uma democracia racial.
Jeferson Tenório construiu uma síntese de como é ser negro em território brasileiro. Está no texto de forma escancarada e cristalina os racismos cotidianos sejam eles disfarçados, recreativos ou intencionais. Está uma forma simples seja na escrita ou na escolha do enredo, das cenas ou do sentimento em que o autor deseja transmitir. Nós negros não possuímos as mesmas vivências, mas muito dos nossos sofrimentos são compartilhados. Para mim, O Avesso da Pele é quase uma cartilha em que mostra as formas de homens e mulheres negras sofrem todos os dias em intensidades diferentes. O texto não é didático ele só não esconde a realidade.
Para além do excitante relato da existência negra, o autor também trabalha de forma bastante interessante as construções das relações amorosas e como o passado, as dores antigas influenciam a forma das pessoas se relacionarem. Há uma discussão por todo o livro sobre afeto e amor e como as negras, principalmente, aceitam qualquer forma de demonstração de carinho para não se sentirem sozinhas. É um ponto do livro que me chamou bastante atenção.
Tenório ainda denúncia a precarização do profissional da educação de forma recorrente. A falta de incentivo aos educadores, escolas despreparadas e desconhecimento da realidade que afetam de inúmeras formas a educação brasileira. Não há como transformar um país se não existem professores motivados e escolas estruturadas para mostrar um mundo de possibilidades para os estudantes. Mais uma vez o Brasil sai perdendo com esse empobrecimento intelectual.
Para finalizar, gosto de como o autor constrói os personagens negros. São personagens falhos e problemáticos como qualquer pessoa. Isto fica claro no texto. Aqui eles são além da pele negra que carregam. O caráter não escolhe cor de pele, mas fica o questionamento: o quanto desse caráter, dessa personalidade foi construída por ser uma pessoa negra vivendo em um país de passado escravocrata e insistente em descriminar pessoas pela cor da pele? Nós somos negros, mas ainda mais que negros.
Pela sutileza, pela clareza e pela necessidade que ainda temos de debater e combater o passado escravocrata do Brasil o livro de Tenório é mais que recomendável, é essencial. Porque diferente do que muitos dizem ou já disseram ainda não vivemos em uma democracia racial.