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rolandosmedeiros 's review for:
Não era você que eu esperava
by Fabien Toulmé
A história do Fabien Toulmé oferece um banho de singeleza, simplicidade, e um misto de sentimentos em relação à paternidade. Com uma honestidade corajosa, Fabien não alivia o seu eu do passado e se revela em toda ignorância e crueldade, para que no avançar das páginas, no correr da vida e na convivência com a sua menininha, passe a ir mudando gradualmente sua opinião e relação com a trissomia.
Essa honestidade, entretanto, é a ascensão e queda do quadrinho; certas passagens, de desenho quase simples, colorido e estilístico, nos pega inesperadamente com doses de humor negro e bonitas cenas; em outras, a ''honestidade'' exacerbada nulifica a empatia que poderíamos sentir por Toulmé, e uma apatia abate-se sobre a história, com a abordagem levando a lugares-comuns e saídas melodramáticas.
Ao de certa maneira focar a história em si, Toulmé também sacrífica uma melhor versão do quadrinho, com uma participação mais ativa e reativa da esposa, que protagoniza, junto com a filha mais velha, as melhores e mais bonitas cenas da história; assim como as colagens em formas de fotografias familiares, que são, por tabela, também as melhores páginas.
Por consequência da esposa ser brasileira, e o Toulmé ter morado aqui com ela no nordeste por um tempo, há sutis referências ao Brasil, que são, inesperadamente, muito honestas; surpreendentemente simples, mas que pintam o Brasil de um jeito que nos faz falta em suas representações tradicionais em outras mídias, afastado de pré-conceitos, bairrismos ou clichês enraizados, tudo muito singelo e bem-feito. Ponto pro Toulmé.
No entanto, eu que me derramei em lágrimas pelo modo que o autismo foi abordado em Flores para Algernon, por exemplo, não consegui sentir nada parecido nessa história. O Toulmé não deixa que você sinta nas ''entrelinhas'', a jornada até o fim é bela, mas já está enraizada desde o início a redenção do pai, perde-se potência; e ao todo faz pouco, ao menos para mim, além de entreter e ensinar sobre a Síndrome de Down de modo mais intimo e pessoal.
E lembrando, a história, a autobiografia, é muito bela, uma bonita história de amor e uma homenagem de um pai para sua filha, meu problema é com o jeito que o Toulmé resolveu construir e encadear a história e as cenas; digo isto pois tem gente que supõe que desgostar de uma biografia/autobiografia é desgostar da vida da pessoa, e isso está longe de ser o caso.
É uma missão difícil falar de histórias desse tipo, principalmente as que você desgosta, mas espero que tenha me feito entender, e quais são os pontos que truncaram e atrapalharam minha leitura. Em conclusão, acho que esse é um quadrinho onde ler resenhas e reviews pouco importa, você deve lê-lo e experimentá-lo por si mesmo, dado todo o contexto. Portanto, vá fundo.
Essa honestidade, entretanto, é a ascensão e queda do quadrinho; certas passagens, de desenho quase simples, colorido e estilístico, nos pega inesperadamente com doses de humor negro e bonitas cenas; em outras, a ''honestidade'' exacerbada nulifica a empatia que poderíamos sentir por Toulmé, e uma apatia abate-se sobre a história, com a abordagem levando a lugares-comuns e saídas melodramáticas.
Ao de certa maneira focar a história em si, Toulmé também sacrífica uma melhor versão do quadrinho, com uma participação mais ativa e reativa da esposa, que protagoniza, junto com a filha mais velha, as melhores e mais bonitas cenas da história; assim como as colagens em formas de fotografias familiares, que são, por tabela, também as melhores páginas.
Por consequência da esposa ser brasileira, e o Toulmé ter morado aqui com ela no nordeste por um tempo, há sutis referências ao Brasil, que são, inesperadamente, muito honestas; surpreendentemente simples, mas que pintam o Brasil de um jeito que nos faz falta em suas representações tradicionais em outras mídias, afastado de pré-conceitos, bairrismos ou clichês enraizados, tudo muito singelo e bem-feito. Ponto pro Toulmé.
No entanto, eu que me derramei em lágrimas pelo modo que o autismo foi abordado em Flores para Algernon, por exemplo, não consegui sentir nada parecido nessa história. O Toulmé não deixa que você sinta nas ''entrelinhas'', a jornada até o fim é bela, mas já está enraizada desde o início a redenção do pai, perde-se potência; e ao todo faz pouco, ao menos para mim, além de entreter e ensinar sobre a Síndrome de Down de modo mais intimo e pessoal.
E lembrando, a história, a autobiografia, é muito bela, uma bonita história de amor e uma homenagem de um pai para sua filha, meu problema é com o jeito que o Toulmé resolveu construir e encadear a história e as cenas; digo isto pois tem gente que supõe que desgostar de uma biografia/autobiografia é desgostar da vida da pessoa, e isso está longe de ser o caso.
É uma missão difícil falar de histórias desse tipo, principalmente as que você desgosta, mas espero que tenha me feito entender, e quais são os pontos que truncaram e atrapalharam minha leitura. Em conclusão, acho que esse é um quadrinho onde ler resenhas e reviews pouco importa, você deve lê-lo e experimentá-lo por si mesmo, dado todo o contexto. Portanto, vá fundo.