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rolandosmedeiros 's review for:
Apenas uma mulher e outras histórias
by D. H. Lawrence
Ler D.H. Lawrence pela primeira vez foi uma grata surpresa. E adiantando, só não dou as tão estimadas cinco estrelas, pois para mim, ficou claro que isto aqui são em sua maioria exercícios do autor, de linguagem, narração e temática; Lawrence escreve com uma facilidade invejável, e toda a extensão dessa coleção é uma aula de diálogos conflituosos mas sutis, onde sempre há algo subtendido, uma entrelinha, uma tensão palpável, que imprimem ação e ritmo à narrativa, vão desvelando as personagens e sustentam todos os fiapos de história.
E não digo “fiapos de história” de modo pejorativo, pelo contrário, é que com exceção de “Apenas uma Mulher”, a novela que toma quase metade do livro, as outras histórias são bem diferentes do conceito que temos de conto hoje em dia, nas bases de Tchekov, com o Borges ou Córtazar. Não há uma grande ação curta e sequencial, ou narrativas ágeis e centradas que acabam em nocaute; o que há, é uma prosa quase poética, uma linguagem que busca sempre o não-dito, com conclusões surpreendentemente humanas.
Há também, muito bem definido, um plano onde se passam as histórias, em que se incidem certas semelhanças ao longo de todas narrativas: o interior da Inglaterra, com sua natureza abundante e cenário muito bem descrito e amarrado à psicologia das personagem; personagens estas que são em sua maioria intelectuais simples, mineiros laboriosos ou magistrados brutos.
Uma definição ligeiramente confusa, mas que aqueles que leram de pronto pegarão, é que: são histórias com temas similares, que entretanto concluem sempre de forma diferente, e a partir de um mesmo fio unificador: a ação através do diálogo, e a relação entre o homem e a mulher:
— Em Apenas uma Mulher, é a relação de amizade e independência de duas amigas (ou será amantes?) postas em cheque pela chegada de um homem manipulador.
— Em A Sombra do Roseiral, uma mulher de casamento infeliz, que evita o oaristo como a peste, visita um jardim nostálgico na cidade de sua infância; um encontro inesperado marca a história e exige a quebra do silêncio entre marido e mulher.
— A Vez da Sra. Redford trata da pressão que caí sob o homem (nesse caso pela própria esposa) quando este temporariamente deixa de ser o provedor.
— Em A Subvenção do Sindicado, a relação entre um mineiro, a sogra, e a jovem esposa, em um casamento ainda nos primeiros passos.
— Em Segundo Lugar, duas irmãs caem no ciclo de segundas opções, sempre o segundo melhor pretendente.
— As Sombras da Primavera, para mim a melhor história da coleção, um triângulo amoroso sem nada de blasé ou clichês, o ápice do diálogo Lawrenciano, onde a tensão e o conflito da relação faz tremer o cenário bucólico em que ele se passa.
— O Velho Adão, por fim, outra muito boa, trata da amizade, tensão e animosidade de um inquilino com o casal da casa que habita. Tem a melhor cena de ação (aqui, ação no sentido físico e não literário) e talvez, também a mais marcante de toda a coleção.
É um ótimo livro, e considerá-lo APENAS um aperitivo para os seus estimados romances, é diminuí-lo, coisa que não o farei; mas… se tem curiosidade sobre a escrita do Lawrence, e não quer investir (por enquanto) em suas narrativas longas, que geralmente me soam como demasiado focadas e desmedidas; em comparação, esta aqui é a porta de entrada perfeita.
Pessoalmente, vou tentar desenvolver algumas palavras sobre cada história enquanto estão frescas na minha cabeça, assim como fiz com novela que encabeça o livro, portanto, vou atualizando aqui, aos poucos (assim espero):
Apenas uma Mulher (The Fox): https://www.goodreads.com/review/show/4823652413?book_show_action=false
E não digo “fiapos de história” de modo pejorativo, pelo contrário, é que com exceção de “Apenas uma Mulher”, a novela que toma quase metade do livro, as outras histórias são bem diferentes do conceito que temos de conto hoje em dia, nas bases de Tchekov, com o Borges ou Córtazar. Não há uma grande ação curta e sequencial, ou narrativas ágeis e centradas que acabam em nocaute; o que há, é uma prosa quase poética, uma linguagem que busca sempre o não-dito, com conclusões surpreendentemente humanas.
Há também, muito bem definido, um plano onde se passam as histórias, em que se incidem certas semelhanças ao longo de todas narrativas: o interior da Inglaterra, com sua natureza abundante e cenário muito bem descrito e amarrado à psicologia das personagem; personagens estas que são em sua maioria intelectuais simples, mineiros laboriosos ou magistrados brutos.
Uma definição ligeiramente confusa, mas que aqueles que leram de pronto pegarão, é que: são histórias com temas similares, que entretanto concluem sempre de forma diferente, e a partir de um mesmo fio unificador: a ação através do diálogo, e a relação entre o homem e a mulher:
— Em Apenas uma Mulher, é a relação de amizade e independência de duas amigas (ou será amantes?) postas em cheque pela chegada de um homem manipulador.
— Em A Sombra do Roseiral, uma mulher de casamento infeliz, que evita o oaristo como a peste, visita um jardim nostálgico na cidade de sua infância; um encontro inesperado marca a história e exige a quebra do silêncio entre marido e mulher.
— A Vez da Sra. Redford trata da pressão que caí sob o homem (nesse caso pela própria esposa) quando este temporariamente deixa de ser o provedor.
— Em A Subvenção do Sindicado, a relação entre um mineiro, a sogra, e a jovem esposa, em um casamento ainda nos primeiros passos.
— Em Segundo Lugar, duas irmãs caem no ciclo de segundas opções, sempre o segundo melhor pretendente.
— As Sombras da Primavera, para mim a melhor história da coleção, um triângulo amoroso sem nada de blasé ou clichês, o ápice do diálogo Lawrenciano, onde a tensão e o conflito da relação faz tremer o cenário bucólico em que ele se passa.
— O Velho Adão, por fim, outra muito boa, trata da amizade, tensão e animosidade de um inquilino com o casal da casa que habita. Tem a melhor cena de ação (aqui, ação no sentido físico e não literário) e talvez, também a mais marcante de toda a coleção.
É um ótimo livro, e considerá-lo APENAS um aperitivo para os seus estimados romances, é diminuí-lo, coisa que não o farei; mas… se tem curiosidade sobre a escrita do Lawrence, e não quer investir (por enquanto) em suas narrativas longas, que geralmente me soam como demasiado focadas e desmedidas; em comparação, esta aqui é a porta de entrada perfeita.
Pessoalmente, vou tentar desenvolver algumas palavras sobre cada história enquanto estão frescas na minha cabeça, assim como fiz com novela que encabeça o livro, portanto, vou atualizando aqui, aos poucos (assim espero):
Apenas uma Mulher (The Fox): https://www.goodreads.com/review/show/4823652413?book_show_action=false