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rolandosmedeiros 's review for:

The Life of Greece by Will Durant
5.0

A Nossa Herança Clássica

(…) "Até nossas superstições devemo-las aos espectros, bruxas, pragas, maus agouros e dias de azar dos gregos. E quem seria capaz de compreender a literatura inglesa, ou uma ode de Keats, sem ter alguma noção de mitologia grega? Nossa literatura dificilmente teria existido sem a tradição grega. Nosso alfabeto nos vem da Grécia através de Cumas e Roma; nossa linguagem está inçada de palavras gregas; nossa ciência criou uma linguagem internacional formada de termos gregos; nossa gramática e nossa retórica, até mesmo a pontuação e os parágrafos desta página, são invenções gregas. Nossos gêneros literários são gregos — o lirismo, a ode, o idílio, a novela, o ensaio, a oração, a biografia, a história e, acima de tudo, o drama; aqui também quase todas as palavras são gregas. Gregos são os termos e formas do drama moderno — tragédia, comédia e pantomima; e embora a tragédia isabelina seja única, a comédia nos chegou quase incólume, de Menandro e Filêmon, através de Plauto e Terêncio, Ben Jonson e Molière. Os dramas gregos por si correspondem às mais ricas porções de nossa herança. (...)

A civilização não morre, emigra; muda de vestuário e habitat, mas persiste. A decadência de uma civilização, como a de um indivíduo, abre espaço para o desabrochar de outra; a vida deixa cair a velha pele e surpreende a morte com uma nova mocidade. A civilização grega está viva; move-se em todo sopro intelectual que respiramos; de tal modo está viva que nenhum de nós seria capaz de absorvê-la inteira nem mesmo no espaço de uma existência. Seus defeitos nós os conhecemos — as guerras insanas e impiedosas, a estagnante escravidão, a sujeição da mulher, a falta de freio moral, o corrupto individualismo, o trágico fracasso na união da liberdade à ordem e à paz. Mas os que amam a liberdade, a razão e a beleza não se perturbarão diante dessa tênue neblina. Ouvirão dentro do tumulto da história política as vozes de Sólon e Sócrates, de Platão e Eurípides, de Fídias e Praxíteles, de Epicuro e Arquimedes; agradecerão a existência desses homens e procurarão com eles conviver através dos séculos. Hão de pensar na Grécia como a radiosa aurora desta civilização ocidental que, a despeito de todas as suas falhas, é o nosso alimento e a nossa vida."