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rolandosmedeiros 's review for:

Our Oriental Heritage by Will Durant
5.0

Nossa Herança Oriental (A História da Civilização #1) — ✲ 5.0/5.0
A velha mãe Àsia
1047 pp.


Quase cinco meses de leitura e por volta de novecentos e oitenta densas páginas (a última centena é "apenas" a extensa catalogação de notas, referências e bibliografia do autor), mas que de forma alguma me cansaram. Tanto que já vou emendar no próximo: Nossa Herança Clássica (Grécia)

Nossa Herança Oriental é um livro que todo mundo deveria ler, seja seu interesse pelas artes, literatura, política, guerras ou história. O fato de ter sido escrito em 1935 não incomoda, o Will é lúcido e pungente a todo tempo, principalmente quando o assunto é o contraste entre Ocidente e Oriente, mas também em muitos outros aspectos; chega um momento que você consegue sentir a ironia exalando de certos apontamentos e muitos excertos beiram o cômico (intencionalmente), brincando com a visão ocidental e americanizada da história com H maiúsculo.

Além disso, o fato de ter sido escrito antes da Segunda Guerra, torna certos apontamentos do Will ainda mais interessantes. Não sei se foi era a aura do momento ou se esse era o pensamento geral da época, mas no capítulo sobre o Japão, desde o início, da sua forçada modernização por parte de exigências (explícitas e implícitas) do Ocidente, Will praticamente crava que o que se seguiria seria algum tipo de guerra, retaliação, entre Japão, Estados Unidos e Rússia.

A prosa e a seleção do autor sobre o que mostrar das antiquíssimas sociedades é um deleite, desde Elam até a China, e vossas respectivas letras, guerras e artes. Eu aposto: é impossível você terminar de ler esse livro sem ter feito, no mínimo, umas cinquenta anotações ou destaques. É de longe o melhor e mais interessante livro de “história” — na verdade, é muito mais que só um livro de história — que já li.

A única ressalva é quanto aos primeiros capítulos, ainda sim interessantes, mas que tateiam sobre as Fundações da Civilização, o que o faz ficar muito nas suposições. Mas conforme avança e mais fatos e informações temos, o livro tende a melhorar. O interesse próprio do leitor tornará certos capítulos melhores e mais interessantes que outros, mas todos os capítulos, e a tentativa de apreender e passear por milhares de anos da civilização é louvável: Suméria, Egito, Babilônia, Assíria, com um Interlúdio (Hititas, Fenícios, Frígios e outros Semitas), e então Judéia, Pérsia, Índia, China e Japão. É em tamanho, escopo e em qualidade, um livrasso.

Tenho quase umas duzentas anotações nesses livro, mas é melhor concluir com uma parte da própria conclusão do Will e da Ariel:

"A Europa e a América são as filhas, muito estragadas de mimos, da velha Ásia, e nunca perceberam a riqueza de sua herança pré-clássica. Mas se fizermos a conta das artes e processos que o Ocidente tomou do Oriente ou que apareceram primeiro no Oriente, ver-nos-ermos, sem o perceber, desenhando um esboço da [nossa] civilização"